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terça-feira, 5 de março de 2019

É hora de voltar



Olá, ansiosos. Demorei, mas voltei. 

Voltei porque achei que devia, são tantas pessoas que continuam entrando em contato comigo por aqui, que seria até deselegante da minha parte sumir de vez. Mas é que, como eu disse, é muito difícil escrever quando estou em crise ou com muita ansiedade. E o ano de 2018 e o começo de 2019, para mim, foram muito difíceis. É muito difícil reunir forças para dizer o que sente e escrever sobre quando existe um misto de sentimentos inexplicáveis. Eu não sou boa com emoções. 

Era hora de voltar.

Vou escrever isso hoje (27/02), mas não sei quando terei vontade de postar. 

Em resumo: Minha vó, a pessoa da minha vida, faleceu na virada de 2017 para 2018. E, quando eu estava quase entrando nos eixos, descobri que tinha um tumor no ovário potencialmente maligno, tive que tirar (junto com ovário e trompa), não precisei de quimioterapia porque não tinha se espalhado. Depois desse ano intenso e pesado, perdi a Cherzinha (minha cachorrinha tão especial) no segundo dia de 2019. Como se não bastasse tudo que aconteceu, decidi por um ponto final em uma relação de cinco anos por incompatibilidade de ideias e mais outras coisinhas que nem cabem ser explanadas aqui. Fiquei, por fim, sozinha, como gosto, como quero, como sempre quis. Mas, nesse caso, não é um sozinha tão feliz, porque perdi as pessoas da pior forma. No entanto, de qualquer forma, como sempre, eu me basto, eu me autocompleto, eu e meu ego, às vezes gigante.

Estou tendo crises constantes desde o início de janeiro, depois que Cherzinha morreu. Até então, não achei que isso fosse me afetar de alguma forma, já que sempre tive crises, sempre consegui superar, sempre passei pelos momentos difíceis da vida ressurgindo das cinzas como uma fênix.

Mas dessa vez precisei de ajuda. Precisei voltar ao Psiquiatra e recorrer a outros remédios. Precisei reequilibrar meu lado espiritual, precisei de rituais de energização e limpeza. Eu acredito muito em energias negativas e positivas e sou supersticiosa. Não vou dizer que tudo isso melhorou meu estado, mas tem reduzido minhas crises. Agora, além do Escitalopram e da Buspirona, eu tomo também Zolpidem para dormir e Desvenlafaxina. O Zolpidem me faz cócegas, disseram que eu ia delirar, capotar de sono. Tomo e parece que tomei uma dose de energético. Eu não durmo uma noite inteira em paz há anos, mas agora eu acordo de hora em hora, às vezes fico durante horas acordada e vejo o Sol nascer. É lindo, por sinal, mas só aparece para lembrar que, mais uma vez, não dormi.

Eu magoei muitas pessoas estando nesse estado e tenho consciência de que, uma vez ditas, as palavras não podem ser retiradas. Mas eu não vou desdizer nada, não vou retirar nada do que disse porque se eu disse, ainda que na raiva ou em crise, significam algo, mesmo que pesado ou duro demais. Mesmo que refletindo todas as coisas ruins que habitam meu interior. Apesar de tudo, eu não sou uma pessoa totalmente negativa e fico feliz com as pequenas coisas, coisas ridículas do dia a dia. Coisas como comprar um produto novo de limpeza, ajudar alguém na rua, comprar almoço a alguém que precisa, ver o sol se por, comer um doce que gosto muito. Eu sou dessas pessoas fáceis de agradar e que gosta de agradar as pessoas com coisas simples. E esse é um dos prazeres que a ansiedade me tira: eu perco a vontade ajudar, eu perco o ânimo que tenho com as coisas pequeninas que tanto me fazem feliz. 

É uma luta diária, não vou mentir. Mas só posso dar um passo de cada vez. Alguns dias são mais difíceis do que outros e fico sem perspectiva. Eu sei que o azul do céu tá lá, mas eu não consigo enxergar, eu não consigo apreciar, eu não consigo ver. E, em dias bons, mesmo o céu estando cinza, eu penso "puxa, que dia bonito, cinza, eu adoro cinza".

Mas, assim como os dias bons correm, os dias ruins também passam. Então, é hora de voltar. Então eu revivo, ressuscito e renasço, das cinzas, como uma fênix, mais forte, mais intensa, mais sábia e as pancadas ficam cada vez mais indolores. Amadurecimento. Aprendizado. Não me arrependo de nada. De nenhuma loucura que fiz nos meus momentos de impulsividade. Lamento, contudo, as pessoas que magoei com minha inconstância e minha falta de pulso firme para resolver situações. Porque a verdade é que eu não sei, queria saber, mas não sei. Eu não consegui decifrar nem metade do que sou, quem dirá entender o que sinto. Eu me desdobro para que minha energia ruim não passe para as pessoas, então, mesmo nos meus piores dias, não deixo transparecer e, se deixo, é porque realmente é um dia muito, muito ruim ou é uma pessoa que, por algum motivo que não sei explicar, me faz sentir à vontade para soltar meus demônios. Depois de voltar das cinzas, mais uma vez, nada mais pode me parar.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Relato da Talitta


Meu nome é Talitta, tenho 30 anos por pouco menos de 40 dias e sou ansiosa. Atualmente, não tomo nenhum remédio com propósito de controlar a ansiedade, faço apenas a terapia, e mudei completamente meus hábitos de vida, trocando São Paulo por Jericoacoara. Conheci a Natália no Cemitério da Consolação, fomos unidas pelo sarcasmo, a preguiça de encontros pessoais, e a falta de fé na raça humana. Atualmente, somos sócias nos negócios e nos dramas hipocondríacos da vida.

Assumir algumas coisas dói tanto que a gente passa anos a fio em negação absoluta.
Eu neguei internamente a ansiedade, pois ela me tirava a possibilidade de chegar no patamar de perfeição que fui construindo do decorrer da vida. Mas um dia ela se sobrepôs e passou a ser quem eu era e a definir o que eu podia ou não fazer, e eu tive que parar para entender e lidar com isso.
Faz tempo que eu quero escrever nesse espaço, mas nada nunca parecia bom o bastante.
Na minha vida nada nunca parece.
Eu fiz uma faculdade particular de ponta com bolsa, sempre achei que era o mínimo que eu tinha que conseguir.
Apesar de todos os reveses da vida, da ausência de professor de português durante dois dos três anos do ensino médio, eu uso nosso idioma adequadamente, e falo espanhol (de um curso gratuito que consegui na época da escola), e inglês (que estudei de todo jeito que deu, em aulas, cursos, gratuitos ou pagos com os estágios, empregos e ajuda do meu pai), mas eu sempre sinto como se não fosse o bastante, eu tinha que saber mais a essa altura da vida.
Eu tive alguns empregos, e sempre fui uma funcionária boa, não me contentava em estar na média, e sempre dei um jeito de me destacar de alguma maneira, mesmo que isso custasse a minha saúde e sanidade.
Eu estou nesse projeto, com dois sócios investidores, administrando sozinha uma pousada, faço de reservas ao almoço dos funcionários, e o resultado tem sido positivo, financeiramente e pessoalmente. Os clientes, os sócios e funcionários parecem felizes. Mas todo dia eu sinto que não fiz o bastante.
Pode parecer apenas uma pessoa em busca de ser melhor, mas não é isso. É uma insatisfação comigo mesma, uma eterna sensação de inadequação, um grilinho que diz na maior das realizações "não fez mais que a sua obrigação!", que faz com que eu nunca fique feliz e reconheça o que alcancei. Isso interfere nos meus relacionamentos pessoais, gerando uma frustração eterna, eu nunca me acho boa o bastante e que a outra pessoa também nunca é, pois esse patamar de perfeição é inatingível, a máxima "errar é humano" é a verdade mais sábia nesse caso.

Eu tenho feito terapia há cerca de um ano e meio, e só nessa semana consegui falar sobre isso, sobre esse sentimento que permeia todos os aspectos da minha vida, inclusive a ansiedade, que deriva muito dessa necessidade autoimposta de ser 'perfeita". Fiquei cerca de um mês sem falar com a minha terapeuta, e tive muito tempo pensando sobre isso, que eu nunca tinha a dito em voz alta porque me soa patético e longe dessa ideologia de pessoa-perfeita. 
Eu me sinto inferiorizada.
Parte da estrutura dessa questão vem da minha infância, eu tive muita gente maravilhosa me acompanhando na vida, meus pais, meus avós, minha irmã, a família da minha mãe de um modo geral, transbordavam amor e suporte do jeito que eles sabiam dar.
Mas na família do meu pai, que é uma pessoa incrivelmente iluminada, eu sofri uma rejeição velada, ninguém nunca disse que sou feia ou que não era inteligente, mas sempre disseram para todas as crianças ao meu redor como eram lindas e espertas acima da média, e para mim não diziam nada. Sempre ganhei presentes inferiores, sempre fui preterida, apesar de inserida na vida deles de algum modo. Ouvi reclamações sobre a minha mãe descaradamente, antes mesmo dos cinco anos de idade. Vale ressaltar que sempre houve uma questão por parte da família por minha mãe ter engravidado solteira, veja aí o machismo, nunca por meu pai tê-la engravidado.
Tudo isso veio a tona a alguns dias atrás, quando apareceu uma foto de infância nas memórias do Facebook, e começaram os comentários e rasgações de seda, de como um dos meus primos sempre foi fofo e ainda é, e eu me peguei vendo que em nenhum comentário disseram nada positivo, ou elogiando, fui eu quem postou a foto, meus amigos, mães de amigos, todos naquele tipico comportamento elogiativo do Facebook, mas minhas tias acharam um espaço em algo que era meu para enaltecer outra pessoa, e eu, no auge dos meus trinta anos, voltei a ser a menininha que ganhou a boneca com a cabeça quebrada, me perguntando o que faltava em mim, a menina de nove anos, com uma crise absurda de choro, pois tirou C+ em ciências, se achando um lixo.

Tive uma sessão produtiva de reconhecimento na terapia nessa semana. Entender isso me faz poder mudar, porque eu quero mudar. Mudar minhas atuais e novas relações, me deixar relaxar, entender que nada nem ninguém é perfeito, e está tudo bem. Só espero conseguir aplicar essa compreensão na prática.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Ansiedade e vontade de ficar sozinha



É muito difícil explicar às pessoas que você gosta que você quer ficar sozinha e o problema não é, necessariamente, com elas. Eu sinto uma necessidade extrema de ficar sozinha, fazer as coisas sozinha, estar em paz no meu lar sozinha. Eu moro com meu namorado, mas ele não me atrapalhar em nada, ele é bem compreensivo. Nesse sentido então, o meu ficar sozinha se refere a todo o resto. Tirando minha família que convivi a maior parte da minha vida na mesma casa (minha mãe, minha vó e meu irmão), o restante faz parte dessa estatística de ansiedade. Eu morro de medo de alguém se convidar para ir à minha casa. Não tem nada de especial em casa, mas é meu lar, meu refúgio. Eu não gosto de receber visitas e não é por frescura ou maldade. Receber visitas aumenta minha ansiedade, eu fico com falta de ar, nervosa, inquieta, não durmo. Não importa se é alguém próximo ou não, eu não sei lidar. Exceto quando EU convido, porque há todo um preparo psicológico, se eu estou convidando, é porque sei que posso lidar e que não será oneroso. Em todas as outras situações, pesa. É pesado, doloroso, sofrido. Eu sinto dores físicas.
Aliás, eu fico nervosa e ansiosa com qualquer pedido alheio. Eu detesto que me peçam as coisas. Eu adoro fazer as coisas para ajudar as pessoas, desde que elas não me peçam. Quando elas me pedem, eu perco instantaneamente a vontade de ajudá-las. Minha vontade reside em fazer algo que eu possa controlar, do meu jeito de acordo com a minha cabeça. Eu não sou mesquinha para dividir comida, mas se alguém vem e me pede um pedaço sem que eu tenha oferecido, eu fico frustradíssima. Quando compro um doce e ofereço é porque eu estou de coração aberto, querendo dividir com alguém. Mas se alguém vem e me pede um pedaço sem que eu tenha oferecido, eu fico sem chão, com raiva, me sentindo invadida. 
Mesma coisa quando alguém dá palpite em qualquer que seja a área da minha vida. "Faça dessa forma". Pronto. É suficiente para despertar o monstro que vive em mim. Porque eu gosto de ter controle de todas as situações e, mesmo que isso não seja possível, eu gosto de alimentar essa ilusão. De não ter alguém dizendo o que e como eu devo fazer, de seguir meus instintos, minha cabeça, errando sozinha, sempre. 
Eu sou muito individualista e não gosto do meu espaço invadido por ninguém. Então se a pessoa sugere que eu faça algo de uma certa maneira, ainda que de bom grado, eu fico irritada. Se a pessoa me pede algo, mesmo que eu esteja disposta a dar e não tenha oferecido antes, eu fico irritada. Se a pessoa invade minha privacidade de alguma forma, sem que eu tenha dado abertura, eu fico irritada. Se a pessoa se convida para ir à minha casa sem que eu tenha convidado, eu fico irritada. Se a pessoa dá uma opinião não pedida sobre qualquer assunto, que diga respeito à minha vida OU NÃO, eu fico irritada. Porque eu quero o controle das coisas e detesto gente que se sente à vontade comigo. Eu não quero que as pessoas se sintam à vontade, eu quero que elas mantenham uma distância segura e tenham receio de me falar ou perguntar as coisas, a não ser quando eu dou abertura para isso, o que é raro e acontece apenas com pessoas extremamente próximas ou em determinadas situações. E as pessoas já agem assim comigo, cheia de dedos e medos, o que prefiro, porque assim eu consigo respirar. Mas sempre tem alguém que acha que esse meu jeito é uma máscara, ou que finjo ser assim, que não vou achar ruim se ela resolver deixar de exercitar o bom senso e se meter onde não é chamada. Eu, por exemplo, detesto emprestar qualquer coisa minha, mas quando eu me desfaço, eu me desfaço de vez. Eu não tenho dó de doar roupas e sapatos, ainda que novos. Não tenho pena de mandar embora tudo que não uso. Mas não encosta nas coisas que ainda são minhas, elas são sagradas. Quando esqueço algo na casa de alguém e a pessoa usa é como se eu tivesse levando uma facada no meio das costas. Eu às vezes até prefiro me desfazer da coisa do que recuperá-la. Embora eu não seja uma pessoa tímida, ao menos não mais, eu sou uma pessoa fechada, eu não deixo as pessoas entrarem e sentirem-se à vontade. Eu gosto que elas respeitem esse meu espaço, que cheguem perto, mas nem tanto. Não é medo de se magoar ou nada assim, eu só fico sufocada, irritada, agressiva. Sempre foi assim, desde criança. O que alguns acham que é birra e simplesmente egoísmo, grande parte é ansiedade. Ansiedade não tem cura definitiva, o tratamento é eterno, seja ele medicamentoso ou por meio de terapia psicológica. Há melhoras, sim há, mas algumas barreiras não podem ser ultrapassadas. 
Eu só gostaria que as pessoas entendessem esse meu lado. Entendessem que eu não faço porque eu odeio elas. Mas, sim, porque me faz muito mal. Eu sinto dores no estômago, náusea, dor de cabeça, tremor nas pernas, pontadas pelo corpo toda vez que tenho que lidar com alguma situação que envolve a invasão que mencionei acima. E cansa, sabe? Cansa só você ter que engolir seus sentimentos porque "ah, tem que ter empatia, se sua sinceridade machuca, não fale", mas ninguém pensa que essa invasão toda pode machucar também, né? Vou engolindo seco, quando explodo, o estrago é pior. Então todos ficam indignados "que exagero, imagina, como pode". COMO PODE, né? Eu não quero dar abertura às pessoas, eu gosto de viver fechada no meu mundo. Eu gosto. Esse é o problema, eu gosto de ser assim e não quero mudar. Mas é muito trabalhoso para as pessoas me deixar em paz, é muito difícil cuidar da própria vida, deve ser por isso que todo mundo tá com a vida mais bagunçada que a minha. 

Eu não saio do meu conforto para invadir o conforto alheio. N U N C A. Se alguém lembrar alguma vez que fiz isso, pode colocar aqui. Mas isso acontece comigo TODO SANTO DIA. Haja psicoterapia e tarja preta. Porque a humanidade não consegue respeitar um simples pedido de sossego.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Aceitação e fase de transição



Muito eu tenho falado sobre a aceitação, porque me descobri aceitando as coisas e elas passaram a ser mais fáceis depois que eu me percebi fazendo isso. É difícil admitir, nós batemos o pé mesmo, não queremos que as coisas sejam diferentes do que temos em mente ou planejamos. Mas, na prática, o discernimento torna-se necessário. Necessário para diferenciarmos o que podemos mudar e o  que devemos aceitar. Apesar de impaciente, sempre soube me policiar para aceitar, sem delongas, muitas lamentações ou relutância abundante, as coisas que a vida me ofereceu. As coisas para as quais vim parar nesse universo. 
As pessoas reclamam muito, mas preferem ficar confinadas em uma penumbra, um mar de escuridão, o fundo do poço, um lugar, deveras, confortável. Está escuro, mas lá não é necessário que você cresça, corra riscos, se desafie. E, embora pareça um lugar horrível, e, de fato, seja, quando se acostuma a ele, torna-se familiar viver nele. É como um lar postiço, do qual você não consegue sair (e muitas vezes nem quer, lá não bate Sol, e o medo de se queimar?).
Eu estou em uma fase de transição, depois de muita, muita loucura, estou tentando me desvencilhar de alguns hábitos compulsivos de arrumação, organização e rotina. Tenho folgado nos horários, trocado os programas, saído a lugares diferentes, sozinha, acompanhada, com amigos, com pessoas diferentes. Comido outras comidas, me interessado por hobbies diferentes. Não tem sido fácil. Quando eu olho no relógio a hora que eu deveria estar fazendo determinada coisa, dá um frio na bariga, de viver perigosamente sem estender a roupa no horário. Mas tem passado.
Tenho sido bem sincera (mais ainda), não tenho guardado absolutamente nada para mim. Isso talvez eu não recomende, porque algumas dessas coisas são o caos. As pessoas não entendem o seu lado, confundem as coisas. Mas não seria eu se guardasse, não seria eu se não revelasse algumas verdades que deixam as pessoas com as pernas bambas e chocadas, sem rumo e de cabelo em pé!
No entanto, tenho enfrentado um problema. As pessoas, elas estão fechadas. Totalmente fechadas em seus mundos imaginários. Elas amam as suas rotinas e seus pequenos prazeres sagrados. Elas não estão abertas a experiências fora de suas zonas de conforto. E outra coisa que sempre me incomodou: preguiça. A preguiça humana é uma coisa nojenta. Descansar é uma coisa, morrer em vida é outra. Se você quer tempo livre só pra dormir e descansar, morre logo, que diferença faz? Eu estou disposta. Muito disposta. Estou listando um a um os amigos que negligenciei. Remarcando todos os cafés, chás, sucos. Tem horas que ainda surto e é incômodo. Não é nem uma tentativa de ser menos egoísta, na verdade é uma abordagem em função de mim mesma. Algo que estou tentando e até agora estou conseguindo.
A ansiedade nos priva de pequenos prazeres que deveriam ser coisas automáticas e simples. Mas aceitar essa condição e sair da zona de conforto tem sido um desafio pra mim.


Eu só quero viver em paz, me desligar das preocupações e ser relativamente normal, pelo menos de longe. :)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O cisto da ansiedade



Olá, terráqueos!

Tem um tempo que não venho aqui, porque quando a crise tá brava eu não consigo escrever nada.
Pois bem, vou contar uma história que aconteceu comigo entre o mês passado e ONTEM. 

Fui à ginecologista, a fim de parar de tomar anticoncepcional e colocar DIU de cobre. Ela solicitou que eu fizesse alguns exames de rotina, embora eu já tivesse feito há seis meses, teria que repetir para garantir. Normal.

Tentei agendar no Femme, que é um laboratório que eu gosto muito, mas eles só tinham horários esdrúxulos e eu queria fazer logo. Agendei então no Salomão Zoppi. E é aí que a minha saga começa.

No dia dos exames estava tudo bem, já fazia duas semanas que eu tinha parado o anticoncepcional, eu não estava sentindo nada, nem dor, nem inchaço, nem mal estar. Eis que fui fazer uma ultrassom para ver como estavam os ovários e o útero e a moça (sim, moça, era mais nova que eu) solta: "Você tem um cisto aqui!". E eu falei "Tenho, moça, já tinha saído na outra ultrassom." (a gine tinha me explicado que era super normal aquele tipo de cisto, que eles sumiam com o tempo, que eram de ovulação etc.). Aí ela olhou meu exame antigo e falou "Nossa, seu cisto cresceu, era pra ele ter sumido já". Eu, como toda ansiosa hipocondríaca paranoica, já gelei. Então, ela continuou tecendo diversos comentários: "Talvez tenha que tirar, hein. Tem que investigar isso". "É um endometrioma? Ah, acho que é mucinoso". "Pelo menos não vejo vascularização, mas tem que olhar isso". 

EU ENTREI EM PÂNICO. Eu, apesar de pesquisar coisas sobre doenças, nunca havia pesquisado sobre os cistos de ovário. Saí de lá andando meio sem rumo e comecei a jogar o que eu lembrava no google. "Mucinoso" aparecia cisto e câncer. "Endometrioma" aparecia endometriose. Ou seja: de um jeito ou de outro eu estava ferrada, ferradíssima. O laudo sairia na sexta, era quarta. Eu aguentaria esperar? Óbvio que não. Nisso, minha gineco entrou de recesso de uma semana. Não tinha para quem pedir outro exame (eu queria refazer e ver o que o ultrassonografista diria dessa vez, para quem não sabe, esse tipo de ultrassom só é feito por ginecologistas formados). Fui até o Dr. Consulta, paguei uma consulta e um exame. O ultrassonografista, moço também, não disse nada, apenas que eu deveria levar ao meu médico o resultado. Cheguei em casa e comecei a pesquisar loucamente sobre cistos. O resultado era "cisto complexo" e o que seria um cisto complexo? Essa nomenclatura, embora ultrapassada, indicava que meu cisto não era um cisto que sumiria com o tempo, mas que precisaria ser retirado. PÂNICO DE NOVO. Fiquei ligando na lista inteira do convênio pra ver se tinha um encaixe. Consegui com o Dr. Heraldo Piva, um senho maravilhoso, prestativo, que tentou me acalmar, dizendo que apesar do resultado, ele achava que poderia se tratar de um cisto de corpo lúteo hemorrágico, que desapareceria com o tempo ou poderia tomar medicamento. Eu saí de lá menos pior, mas ele disse que não poderia continuar com meu caso, pois ele operaria uma hérnia, então me indicou o Dr. Adelino Silva. O Dr. Adelino disse a mesma coisa, foi ótimo, muito querido e me pediu uma ressonância detalhada, para ver o mioma e o cisto e um exame de marcadores tumorais (para quem não sabe, marcadores tumorais são antígenos liberados no sangue quando se tem determinado tipo de tumor ou câncer, que podem estar elevados em determinadas neoplasias). Dr. Adelino disse que achava se tratar de um corpo lúteo ou, no máximo, de um teratoma (tumor benigno do ovário, que é preciso ser retirado, que nasce com dente, pele e cabelo, pasmem, mas não é prejudicial). Ainda assim, a ideia de laparoscopia me deixava nervosa. E se abrissem e achassem de tudo na minha barriga? Fiz os exames de marcadores, todos deram negativo. Apesar disso, eu lia no Google que esses exames eram inconclusivos, poderiam ter falsos negativos e os valores aumentados não significavam necessariamente algum tumor, mas poderiam estar altos em pessoas saudáveis ou com doenças ginecológicas benignas. Sufoco. Nisso, peguei o exame no Salomão Zoppi. "Cisto unilocular com componente sólido, paredes irregulares e líquido espesso". Lógico que eu fui jogar no Google. Lógico que o resultado foi horrível. Eu li e reli sobre o assunto mil vezes (e isso tudo durou duas semanas, do tempo que fiz a ultrassom, até o resultado da ressonância). Eu li em inglês. Eu aprendi a ver cistos na ultrassom. Eu aprendi a entender a ultrassom. Eu aprendi termos de ultrassom. Eu li um tratado de ginecologia. Eu li em espanhol. Tinha sites que o Google me avisava "Você já acessou esse site 5 vezes". E eu ia até a página 20 do Google. Eu jogava termos nas imagens. E o que me assustava era "componente sólido é indicativo de malignidade". E isso era unânime. O que eu ignorava era: mulheres na menopausa são mais propensas a ter doença maligna, cistos menores que 5cm são geralmente inofensivos. O meu tinha 3,5cm, 6mm a mais que há 6 meses. Eu achava muito. Um absurdo. Lia relatos de pessoas com cistos de 20, 30cm. Histórias horríveis. Relatos no youtube. A mesma obsessão e até pior do que quando achei que tinha esclerose múltipla.

Pedi adiantamento de resultado de um dia, tive que ir no reclame aqui, esperei mais. Fui bem atendida na ressonância do Femme, fui mal atendida no telefone. Nisso, minha ginecologista voltou do recesso, pediu o CRM da moça que havia feito a ultrassom (aquela primeira que me desesperou) e disse que ia tomar providências (será que demiti alguém sem querer?). Ela me passou o whatsapp dela (Dra. Maria Ignez é a melhor que há!) e disse que me encaixaria em uma consulta hoje e que eu poderia enviar o laudo pra ela por e-mail ou whatsapp. 

O resultado saiu. Dia 02/02, dia de Iemanjá, minha orixá <3 mãe, conselheira, que me acalma e me guia. Eu tremia, não conseguia abrir. Hiperventilei o restante do dia. Quando eu abri o resultado foi: "Corpo lúteo hemorrágico". (A mesma coisa que o Dr. Heraldo tinha me dito láááá atrás, sem nem saber detalhes específicos do meu exame. Dr. Heraldo é porreta!). Eu tinha um cisto hemorrágico esse tempo todo. Uma coisa nada a ver, que ocorreu provavelmente porque parei de tomar o anticoncepcional. Não era sequer o mesmo cisto. Agora tenho que esperar e ir fazendo exames pra ver se ele diminui ou some, caso contrário, tomar remédio.

E SÓ! Só isso e eu fiquei sem comer, sem dormir, sem respirar, sem conseguir me concentrar em NADA. Eu emagreci quase 3kg. Eu perdi a vontade de tudo que eu gostava, por desespero, por ansiedade, mesmo tomando a dose máxima de escitalopram e buspirona.

E tudo isso começou porque lá atrás a Dra. Bruna (não vou falar o sobrenome) decidiu dar o meu diagnóstico sem conhecer meu histórico, atirando pra tudo quanto é lado, me desesperando e dizendo que eu deveria correr investigar. Os médicos precisam de tato, saber lidar com pacientes, entender o que é ansiedade. Não é assim, não se diz algo na lata, não se tira conclusões precipitadas e fala pro paciente!

Quanto sufoco! Eu me sentia em uma sala escura, com uma janela cuja luz diminuía a cada dia. Eu estava presa dentro de mim e sendo consumida pela ansiedade. Alívio descobrir que não era nada do que eu imaginava? Em partes, porque sei que se algo parecido ocorrer novamente, eu vou ficar do mesmo jeito.  

Apenas mais um dia na vida de um ansioso. Mais uma semana, mais um mês. Preocupação que não vai embora. Imediatismo latente. 

Cada dia um novo pesadelo.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O estado sempre alerta


A ansiedade nada mais é do que uma preocupação excessiva. Uma preocupação mórbida, a incapacidade de viver em paz se não puder ter controle de todos os acontecimentos. Ser ansioso é ser intransigente. Porque o ansioso ele não quer viver na dúvida, então ele cria certezas, certezas que englobam pessimismo, tragédias e catástrofes. 
Um estado de alerta é criado pela ansiedade. O cérebro não desliga nunca, ele fica obcecado, persistente, contumaz. E, na ânsia de ter controle de tudo, acaba-se por não ter o controle de nada. O corpo humano é tão maravilhoso, que pode fazer coisas incríveis e, muitas vezes, apenas conseguimos notá-las quando o utilizamos de maneira prejudicial. Esse estado de alerta, durante a ansiedade, é tão impecável e de tamanha acurácia, que os sentidos funcionam além de sua capacidade. Os sentidos começam a transbordar. No entanto, o estresse e o pensamento acelerado fazem com que essa mistura gere sintomas indesejados no corpo, aqueles velhos conhecidos: formigamentos, pontadas, parestesias, visão embaçada, dupla, suor, falta de ar, tontura, dor de cabeça e mais um monte de coisa que estamos cansados de sentir.
E, na gana de controlar tudo isso, o estado de alerta começa a se antecipar aos sintomas provocados pela própria ansiedade, que são confundidos com inúmeras doenças, mas nunca nenhuma em especial se encaixa, porque geralmente os sintomas são generalizados. Esse estado nos faz prestar atenção nos próprios batimentos cardíacos, na forma como andamos, na nossa respiração, na visão e em toda percepção dos sentidos, incluindo a deglutição. Essa percepção aguçada faz com que achemos estranho sentir tudo isso, porque, até então, tudo isso nos passa despercebido, estamos no modo automático diariamente, não ficamos fiscalizando nosso corpo, por isso, o cérebro nos avisa quando existe algo errado. Mas o cérebro, nesse momento, está concentrado, usando cabresto, produzindo sensações das mais diversas, efeitos colaterais de cargas de estresse e nervoso, e a cisma aumenta. 
Quem nunca viu o sintoma de uma doença e achou que tinha? Já tive tantas. Nas reportagens, nos livros de Ciências, na televisão. Quando eu estava na segunda série meu maior medo era ter vermes, em especial, tênia. A foto no livro era assustadora, ela parecia ter um olho, vocês já viram?
O que um ansioso precisa é: RELAXAR. Mas dá? Quando alguém nos diz isso parece algo completamente inalcançável. Pensamos: "Essa pessoa não sabe o que está falando, empatia é luxo". Pode até não saber, mas que a solução é essa, teoricamente, isso é.
Como desligar? Como? Quando estou no estágio máximo de ansiedade, prestes a entrar em colapso, ter uma crise, eu não consigo me concentrar em nada além do meu problema no momento. Nada, nem na comida que eu gosto, nem nas coisas que mais gosto de fazer. E isso é muito difícil de driblar, é uma barreira quase que intransponível, não é um botão. As pessoas precisam estar conscientes disso: NÃO É UM BOTÃO. Ninguém toma inibidor seletivo de recaptação de serotonina por livre e espontânea vontade. 

Então fica nisso: nós temos que relaxar, mas o caminho definitivamente NÃO É alguém vir dizer: VOCÊ PRECISA RELAXAR. Porque esse caminho, amigos, esse caminho piora tudo. Além da pessoa demonstrar que não compreende MESMO o que você está passando, você se sente mais sozinho, mais incompreendido, mais ansioso e ainda por cima fica com vontade de dar na cara dela com uma chinela de madeira.

Esse estado de alerta é tão difícil de sair, que vira e mexe me pego hiperventilando, com falta de ar, por ficar consciente da minha respiração. E eu estou em tratamento, eu estou ciente do meu estado e tenho pessoas que me ajudam. E quem está sozinho? Eu não consigo fazer os exercícios de respiração. Eu sou tão ansiosa que no 3 eu já não aguento mais fazer. Não é simples. Não tem uma fórmula. Não é clicar em uma reportagem da Galileu sobre "como ansiedade é ruim, veja essas dicas" que vai te fazer melhorar. "Durma melhor, seja saudável, faça o que gosta, respire devagar". São muitos imperativos e pouca ajuda efetiva. A quem deseja ajudar: imperativos são ineficientes. "Você precisa, você deve, relaxe, fique calmo(a), durma, coma, sente, pense, faça, seja...". 

A melhor coisa a fazer com um ansioso é TER PACIÊNCIA e OUVIR. E, caso você seja o ansioso da vez, eu indico autoconhecimento. Estude a si mesmo. Procure se entender, entender seu corpo, isso ajuda muito a te dar aquela ocasional tranquilidade. 

"Chás ajudam" chá ajuda quem quer ser ajudado. Chá ajuda quem acredita que o chá ajuda. Chá, sozinho, não ajuda ninguém.

Então, menos palpite aí.

Até!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Mais ansiedade

Olá, terráqueos!



Quem disse que um ansioso tem descanso mental? Descanso mental é algo inexistente na vida de um ansioso. Se o ansioso resolve um problema, com certeza ele já está 100% focado em outro(s). 
Estava pensando em fazer um balanço de 2016, mas a minha ansiedade é praticamente a mesma, não posso afirmar que evoluí como pessoa e que minha ansiedade melhorou porque estaria mentindo. O medicamento me mantém controlada em relação a algumas coisas e TOCs (alguns, outros ainda estão muito presentes, não tão amenos), mas a ansiedade é implacável.
Esse ano achei que tinha: câncer no cólo do útero, no sangue, na cabeça e na boca. AVC várias vezes, até AIDS sem ter a mais remota possibilidade. Mas pesquisei menos, surtei menos, tive surtos isolados e que não duraram meses como no ano passado. 
Meu transtorno obsessivo compulsivo com limpeza aumentou em algumas coisas e estabilizou em outras. Meu álcool gel continua surpreendentemente acabando rápido, risos. E eu compro daqueles grandes, de meio litro.
Eu me vi mais arrasada em relação aos acontecimentos do mundo que não me afetam diretamente. Chorei com notícias diversas, fiquei chateada de verdade e não só com pena ou compaixão. 
Chorei dias também porque achei que tinha estragado meu cabelo. Não tinha. 
Mas não derramei uma lágrima sequer com pessoas próximas a mim, nem por briga, por decepção ou raiva, eu me sinto anestesiada, como já tivesse imunidade em relação a isso. Parece até um pouco de frieza, mas as coisas que me comovem estão mais longe de mim do que perto.

A ansiedade da vez é: vou adotar um cachorro. Antes, o dono do apartamento não permitia ter um pet. Agora ele autorizou apenas de porte pequeno. Desde terça-feira, quando ele disse isso, eu mal consigo dormir, já fiz planos, já corri atrás de adoção, mas os lugares estão todos fechados agora no final do ano. Eu estou DOIDA por um cachorro, eu amo cachorros, tenho dois na casa da minha vó, mas são enormes, não teria como criar em apartamento. Parece que a única coisa que me acalma de verdade é ver coisas sobre cães, encontrar cães ou gatos na rua, brincar com eles. Eu estou tão ansiosa, que eu simplesmente não consigo pensar em outra coisa. Já levei puxão de orelha, mas de quê adianta? Quando as pessoas falam que somos muito ansiosas AÍ É QUE A GENTE PIORA.

Resolução para o ano novo: ser menos ansiosa? Jamais, eu já tenho meu 2017 todo planejado na minha cabeça com planos B e C. Quiçá 2018 e 2019. 

Em todo caso, feliz ano novo! Espero que todos consigam ao menos se encontrar, conviver com os problemas psicológicos e viver da melhor forma possível.

E lembrem-se: qualquer que seja o sintoma NÃO JOGUE NO GOOGLE, fechado?

Beijos!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A ida ao cardiologista


 Olá terráqueos,

Como boa ansiosa hipocondríaca que sou, decidi marcar cardiologista após ver que uma moça teve uma parada cardíaca durante uma aula de zumba. Eu não faço zumba, mas é sempre melhor prevenir, né? Fui em busca de comentários sobre bons profissionais do meu convênio, que tivessem consultórios próximos ao trabalho ou à minha casa. Encontrei uma profissional com 5 estrelinhas. Dra. Marlene Nakamura, atende na Vila Mariana. A espera foi de quase um mês, para chegar no dia, ter marcado 18h20, dar 18h50 e ainda ter mais 4 pacientes na minha frente, sem contar a conversa longa que ela tinha com cada um. Eu compreendo que idoso se sente melhor conversando mais, que demora mais mesmo, que isso é normal, mas se é assim, por que marca com tanta gente no mesmo horário? Foi pior que SUS! Não questiono as habilidades profissionais da médica, mas esse negócio de horário é um desrespeito, porque se sou eu chegando atrasada, a história é bem diferente, né?
Fica esse caso para refletir. Eu comecei a ficar aceleradíssima pensando em tudo que eu tinha para fazer em casa, meu coração ficou acelerado e eu preferi ir embora. Simplesmente desisti da consulta e saí de lá muito aliviada por não ter que ficar até as 20h esperando para ser atendida e perder todo o tempo que eu tinha para resolver minhas coisas. É freela, é trabalho em casa, é trabalho do curso que estou fazendo, é muita coisa MESMO!


Fica a moral da história: para uma boa saúde cardíaca de um ansioso, nada como não ter que esperar para ser atendido!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Crise de Pânico



Olá, terráqueos!

Vim aqui contar mais uma das minhas peripécias. Só, infelizmente, o assunto é bem sério. Quarta-feira eu marquei um horário no salão para clarear mais um pouco meu ombré. Eu estava tão ansiosa, até porque é raro eu ir a salão, eu não tenho paciência porque tudo demora no meu cabelo. 
Na TV tava passando jornal, a demora é IMENSA, então fiquei entre a internet, a TV e tagarelando com todo mundo no salão. Estava tudo maravilhosamente bem, não havia indícios de que eu iria passar mal. Eu já tinha visto uma notícia de um traficante que havia matado um morador de rua a pedradas no G1, mas resolveram passar essa notícia na TV também, esses jornais da Record, Band, sei lá, esses bagaceira sensacionalistas. Eu vi a notícia e me senti mal, mas continuei lá, afinal, a vida dentro do salão de beleza é fácil e bela. Só que, quem tem crise de ansiedade e panico sabe, eu comecei sentir aqueles sintomas clássicos de que iria ter uma crise. Porque a gente SABE, por incrível que pareça a gente sabe quando vai surtar. Então, meus braços começaram a formigar, visão turva, falta de ar, dor no peito, parecia que estava infartando. A coitada da cabeleireira ficou sem saber o que fazer, terminou correndo o procedimento, peguei um Uber e fui para casa. De casa, acabei tendo que ir ao PS. No PS, aquele procedimento que quem tem crise de ansiedade já conehce bem. O médico olha pra sua cara já te julgando "lá vem a louca", te examina mais ou menos porque já acredita que você não tem nada e te manda pra enfermaria pra tomar Valium ou Rivotril. Sempre me dão Valium, já estou acostumada, ele me dá sono e no outro dia acordo com sensação de ressaca e tudo passa. Mas ontem resolveram me dar Rivotril e DOIS dias de afastamento, imagino como eu deveria estar. O Rivotril não me dá sono, ele me deixa lenta e meio sem noção do que tô fazendo. Fiquei assim o dia inteiro ontem, parecia que estava flutuando. 
Embora saibamos que esses remédios tarja preta viciam, para mim, nas crises, só eles funcionam, o ansiolítico que tomo diariamente previne que eu tenha crises, mas só os benzodiazepínicos tiram a angústia de mim, infelizmente. 
Hoje estou bem melhor, ainda meio lerda, o Rivotril realmente me afeta. Mas com aquele medo de ter outra crise a qualquer momento. Não é algo que a gente controla.

Conto para as pessoas e elas dizem "Ah não vai começar a ter isso de novo, né?" como assim? Não é algo passível de controle, se fosse, não existiriam tantas pessoas tomando drogas controladas e extremamente prejudiciais. "Tenta se controlar!" dizem. "Tenta pensar em coisas boas" dizem. "Tenta descansar, que melhora" dizem. Essas pessoas que dizem isso: ELAS NÃO ENTENDEM NADA. E já que você não entende nada, é melhor ficar quieto mesmo. Antes o silêncio a essas frases prontas, que de nada ajudam, só nos fazem sentir pior.

Essa ansiedade nos leva para um lugar tão escuro, tão longe de tudo e de todos, e ficamos tão sozinhos nesse lugar, que acabamos desistindo de tentar explicar o que sentimos, porque as pessoas simplesmente tratam como um sentimento passageiro, que se conseguirmos conter, tudo ficará bem. 

Entendam: NÃO DÁ PARA CONTER. Não é simples, não é passageiro e muito menos um sentimento. Para alguns, como eu, é uma CRUZ, é um carma, é algo que tento combater, mas já aceitei como parte de mim. Só espero que os outros aceitem também.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Doenças mentalmente transmissíveis




Sempre que eu vejo alguém com uma doença, eu acho que ou eu também tenho ou posso ter. Mesmo que seja a Febre do Nilo Oriental. Quando leio notícias sobre morte, AVC e trombose causados por anticoncepcionais, eu fico neurótica. Passo dias lendo coisas no Google até me acalmar (o que nunca ocorre por completo). 
Notícias de pessoas jovens que morreram de infarto durante a prática de exercícios também me deixam nervosa. Hoje mesmo vi uma notícia de uma moça que morreu fazendo aula de zumba (eu teria que morrer antes para conseguirem me arrastar para uma aula dessas), mas eu também pratico exercícios físicos e já fiquei encucada. Marquei cardiologista, só tinha para dezembro, quase um mês de espera dolorosa, sintomas estranhos (porque eles vão aparecer, eu já fiquei com falta de ar só de ler a notícia).
A gente não quer olhar no Google, mas enquanto a gente não olhar no Google e não pesquisar a internet INTEIRA, a gente não sossega. É como se fosse um alimento à mente.
Claro, que é importante fazer exames de rotina, se prevenir etc., mas cair na neura de que tem tudo quanto é doença já é um indício de ansiedade fora do comum. Algumas pessoas possuem hipocondria, que é o transtorno na sua forma mais grave e precisa de tratamento. Outras são tomadas pelo pânico ou pela ansiedade generalizada, que são igualmente graves e precisam de tratamento específico. 
Tem dias que eu acordo achando que minha perna não responde aos estímulos do corpo, que esta semiparalisada (porque andar consigo, né), mas que está "estranha", acontece às vezes com a direita, às vezes com a esquerda. Quando minha cabeça dói, duas opções passam pela minha mente: ou é AVC ou é um tumor maligno. E nem é proposital, parece que minha mente está condicionada a pensar esse tipo de coisa. Meu otimismo dura alguns segundos e os pensamentos ruins voltam.
A ansiedade nos faz ter sintomas das mais diversas doenças. Como quando vemos uma cena de um filme em um ambiente claustrofóbico e sentimos aflição. Quando vejo alguém com uma determinada doença, no outro dia eu acordo com os sintomas. Quando, certa vez, em um exame meu constou neutropenia (número baixo de neutrófilos), que depois descobri que foi efeito de um medicamento, eu já corri pesquisar o que era, a principal causa era o uso de certas substâncias (uma delas presente em um medicamento que tomei), mas já comecei a pensar várias coisas. Poderia ser um tipo de leucemia. Sem contar que, com a imunidade baixa, eu poderia adquirir diversas outras doenças, como ebola.
Aliás, na época do surto do ebola, eu tinha medo de usar o transporte público, assim como na época do de H1N1. Moscas volantes? Cegueira, esclerose múltipla, alguma outra doença autoimune, já sei, Lúpus! Dor nas costas, tumor maligno ósseo. Dor de dente, câncer bucal. Queda de cabelo, alopecia. Enjoo qualquer, gravidez. Cansaço, leucemia, esclerose múltipla, doenças autoimunes, doenças cardíacas. Manchas roxas, leucemia. Dor na barriga ou estômago, câncer. Dormência, infarto, esclerose múltipla, AVC. A lista é interminável.

E essa preocupação excessiva está presente em todas as áreas. 
Se alguém não atende telefone: algo muito ruim aconteceu.
Se alguém demora a responder uma mensagem: algo muito ruim aconteceu. 
Se alguém sai e demora a chegar: algo muito ruim aconteceu.
Se alguém vai viajar, penso no pior na estrada/ no voo.

E o pessimismo e a preocupação excessivos são infinitos, possuem vertentes, suas próprias filosofias e me acompanham em todos os lugares, de todas as formas, em todos os assuntos.

Minha vó disse "minha filha, o dia que você tiver que morrer, não vai estar nem pensando nisso". E é por isso que eu penso nisso todos os dias.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O limite da paciência


O psiquiatra receitou mais 4 meses de escitalopram + buspirona (dose máxima). Eu melhorei em relação a algumas coisas, outras continuam intactas, meu desespero é o mesmo diante das coisas que eu tenho para fazer, por exemplo. Mas eu fico me perguntando quando esse pesadelo irá acabar se é que vai. O remédio me ajuda, não queria precisar tomar, mas o medo de parar acarreta ainda mais crises de ansiedade.
Semana passada melhorei um pouco, mas voltei ao estresse no limite, porque eu simplesmente não aguento as cobranças e, quando as pessoas para de me cobrar coisas, eu acho que a cobrança fica implícita e eu me cobro. Isso me desgasta muito. 
Eu ando na rua querendo trucidar as pessoas na minha frente, jogá-las na linha do trem, eu não aguento lerdeza e parece que o mundo é lerdo: para andar, para fazer um trabalho, para responder a uma pergunta simples, para registrar um pedido no caixa, entre outras coisas que eu poderia ficar infinitamente citando. Elevadores me irritam, quando vejo que tenho companhia, sinto vontade de subir 9 andares de escada. No prédio onde moro, dá para ver as pessoas que chegam da rua de lá da área do elevador e é educado esperá-las quando o elevador chega, não tenho muita escolha, minha vontade é de subir correndo e deixar a pessoa lá embaixo, fingir que não vi, mas ainda tenho um pouco de bom senso, tento respirar fundo e pensar "não custa nada atrasar 30 segundos", mas eu subo desgostosa se a pessoa vai descer um andar antes de mim, porque, claro, vai demorar mais se o elevador fizer uma parada antes do meu andar. Eu estou sempre acelerada, como se não fosse dar tempo de fazer nada, com raiva de gente preguiçosa, que dorme demais, que tá sempre cansada, sempre querendo dormir, acha que andar 5 metros cansa, eu até tento ter empatia, porque né, eu preciso dela, mas não consigo, eu simplesmente não consigo!
A academia é um estresse à parte. Eu chego querendo matar as pessoas e saio de lá com um plano de eliminação em massa. Eu só cumprimento algumas pessoas por obrigação, para, sei lá, não acharem que eu me acho melhor que elas, porque na verdade não é isso, eu só não suporto pessoas e, em lugares com dezenas delas, eu fico mais acuada, querendo sumir, principalmente quando tenho que interagir. A academia tem 3 andares nos quais você pode malhar, sendo que dois deles possuem os mesmos aparelhos, mas, como eu me acostumei a malhar no último andar, eu não consigo simplesmente mudar, se tivesse que fazer isso, seria um processo e talvez não teria volta. Eu preciso dessas rotinas para sobreviver na sociedade, preciso ter algumas certezas, controlar algumas coisas, ser metódica. E aí, quando alguém senta no aparelho que eu queria usar, eu fico desolada, porque as pessoas, ELAS SÃO LERDAS, não sei se já disse isso (tsc). Sem contar que elas suam e eu tenho nojo até de passar o álcool gel para limpar os aparelhos antes de usar, porque, sério, aquele paninho, urgh!
O mercado é um teste de paciência. As pessoas para os carrinhos NO MEIO do corredor, eu tenho vontade de tomar distância e acertar correndo o carrinho delas com o meu, pra ver se capota, causa um estrago. Derrubar umas latas na cabeça delas pra ver se acordam e o cérebro funciona. A fila é um espetáculo isolado, eu entro em transe de tanto ódio de gente tirando muita dúvida inútil, batendo papo, sendo lerda para procurar cartão, embalar as compras! Olha, não é fácil.
Mas o metrô é o lugar diário onde mais tento relevar, porque aquela terra de ninguém é uma ameaça à saúde cardíaca. As pessoas são muito mal educadas e com a má educação vem a lerdeza. Sabe? A LERDEZA! Elas deixam para procurar o bilhete na catraca. Elas param na porta sendo que não vão descer. Elas entram no metrô LENTAMENTE enquanto tem um monte de gente atrás querendo entrar também. Eu quero matar essas pessoas. Às vezes alguns pensamentos agressivos passam pela minha mente, olho praquela pessoa estacionada deliberadamente no meio da porta, interrompendo a passagem, com espaços dentro do trem, sendo que não vai descer e me imagino puxando cabelo, socando a cara, entre outras coisas.
Eu queria mesmo ser uma pessoa melhor, mas eu não consigo. Não consigo porque tudo que preciso fazer envolve algum tipo de interação humana e isso me dá nos nervos. A única coisa que me acalma é quando encontro algum animal na rua, brinco, converso, passo a mão, que infelizmente onde moro não é permitido ter animais, mas as minhas plantas também me acalmam. Mas é só. SÓ ISSO. Até para ver série tenho me estressado, com os personagens, inclusive, até sonho com eles.
Não faço nada por mal ou tenho uma implicância gratuita com o mundo. Eu sou muito ANSIOSA e as pessoas me parecem todas tranquilas demais e eu começo a odiar essa tranquilidade, porque eu não consigo imaginar como ela existe. "Mas você não tem empatia e quer empatia?", olha, empatia, no momento, é uma coisa que não tá dando pra ter. 
E, por fim, em relação aos amigos, eu simplesmente não aguento mais. Assim, estou esgotada, não quero sair, não quero que venham em casa, não tenho vontade de ouvir seus problemas, nem de contar os meus, porque eu não tenho vontade de conversar com eles. Acho que se eu não morasse com meu namorado, existiriam momentos assim também na hora da comunicação. É muito complicado, as pessoas ficam chateadas, mas eu não consigo, eu começo a ficar com raiva delas quando elas são insistentes, egocêntricas e começam a falar da vida delas (que na verdade é uma coisa normal que as pessoas fazem, é o que estou fazendo aqui), mas eu não consigo ouvir/ ler "eu fui", "eu fiz", "eu tô assim", "eu tô assado", que eu começo a sentir pontadas, ficar com falta de ar, me dá nervoso, eu não aguento as pessoas, eu tento repelir, mas parece que atraio mais!

Fica aqui esse desabafo de uma ansiosa dominada por sua ansiedade que não consegue aceitar a vida em sociedade e o fato de que, infelizmente, tenho que (con)viver no mesmo espaço que outras pessoas. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Armário número 5





Olá, terráqueos!

Estive em férias, acabei me estressando mais do que deveria e nem vim aqui!

Bom, hoje estou de volta ao armário número 5, após 20 dias de férias, mais ou menos dormidas e aproveitadas. Primeiro que eu não sei se sou capaz de aproveitar algum momento da minha vida já que: trabalho me estressa, pessoas me estressam, férias me estressam, viagens me estressam, tudo me  estressa. Férias me estressam porque eu fico pensando na volta e contando os dias, eu passei vários dias entediada querendo trabalhar na primeira semana, sentindo que estava fazendo algo errado ficando em casa (pasmem). A viagem me estressou por conta de ônibus, horários, dieta quebrada, sem conseguir ir à academia, o planejamento me estressa, a viagem me estressa, o percurso me estressa. Resumindo: minhas férias acabaram e eu continuo estressada.
Como uma boa ansiosa, sabendo que as coisas sempre podem piorar, elas pioraram um pouco ao final das minhas férias, parecia que tudo estava desabando, perdi sono, comecei a me alimentar errado, estressei com uns pormenores (a mulher que foi molhar minhas plantas enquanto eu viajava usou minhas coisas, tomou banho na minha casa, sendo que é vizinha) entre outras coisinhas que não vale a pena colocar no diário. 
Tive que marcar retorno ao psiquiatra para amanhã, porque meu remédio está no fim e, espero eu, que continue com a mesma dose (já é a máxima), porque eu temo que ele diminua e eu piore mais ainda.

Vamos falar da ansiedade, então! 

Uma coisa que me irrita muito (além de tudo, porque tudo me irrita) é as pessoas acharem que EU POSSO CONTROLAR MINHA ANSIEDADE, porque não, eu não posso controlar, se eu pudesse controlar não estaria pagando 300 reais em remédio de uso controlado que afeta meu sistema nervoso e meus hormônios, cês não acham? "Você precisa ser menos nervosa", "Você precisa relaxar!", "Calma!", "Você é muito ansiosa". Porrãn, sérião? Sérião que eu tô em 2016 ouvindo isso ainda? O que eu preciso e o que é possível são duas coisas diferentes. É a mesma coisa que dizer para um etíope com fome "Você precisa comer" E NÃO DAR COMIDA PRA ELE ou então "Você tem muita fome, você precisa ter menos fome!". Entende??? Não é uma coisa que se pode mandar, é inerente ao corpo, faz parte da gente. E isso tem me irritado mais ultimamente.
Outra coisa que tem me tirado do sério são os problemas alheios, as pessoas PESAM demais! Elas jogam os problemas nas nossas costas e falam, falam, falam, são repetitivas, são cansativas, são redundantes. Todo mundo tem problemas, cabe a cada um carregar o seu, claro que a gente sempre pode pedir a alguém que nos ajude a carregar o peso, MAS NÃO COLOCAR O PESO TODO NAS COSTAS DOS OUTROS! Algumas pessoas são egocêntricas e egoístas e acham que o problema delas é o pior de todos no mundo e, adivinha: NÃO É! Eu tento entender o lado do ansioso, que poucas pessoas conseguem entender, mas fica difícil à medida que ele começa a viver 24 horas para falar do mesmíssimo problema, sem deixar as pessoas respirarem. Vamos ter mais empatia, mas precisa ter um pouco de reciprocidade também!
As moscas volantes sumiram nas minhas férias, claro, só fiz um freela de revisão na primeira semana e depois nem fiquei na frente do computador. A falta de ar piorou algumas vezes, sensação de sufocamento e angústia também, principalmente durante a viagem que fiz, de 14 horas (a Diamantina/MG). 

Esse blog fez um ano com mais de 20 mil visitas e muitos agradecimentos! Espero continuar ajudando os amigos acelerados descompensados e ansiosos da vida! Que todos os lerdos sumam da nossa frente, Amém! 




Olhei para o meu armário hoje e o que mais me deu medo não foi enfrentar todo o trabalho que tenho pela frente, mas, sim, ter que dar satisfação das minhas férias, como foram, o que fiz, como passei, se estou preparada para voltar a trabalhar etc. etc. etc., todas essas baboseiras que as pessoas gostam de perguntar mesmo que algumas respostas sejam óbvias, o Seu Saraiva que habita em mim fica nervosíssimo e com tiques nervosos. 

Bem, se eu estou preparada? Amigos, um ansioso está sempre preparado, eu estava me preparando para esse dia desde o primeiro dia de férias, o que não quer dizer necessariamente que eu vá reagir bem, afinal, as pessoas estão esperando que eu sente à mesa e conte histórias engraçadas e diga "que pena que acabaram", mas tudo que eu quero fazer é gritar até doer a garganta na cara dessas pessoas, mesmo que sejam amigas próximas, e dizer "NÃO INTERESSA, EU SÓ QUERO PAZ, SÓ QUERO FICAR QUIETA NO MEU CANTO". Mas eu respondi "Foi tudo ok, hehe, férias, né, acabaram, fazer o quê, descansei sim, dormi, hehe, viajei" sentindo internamente meus órgãos atrofiarem, como se eu estivesse em uma morte dolorida e lenta.

Mas, no geral, tudo bem sim. Manda mais ansiedade que tá pouco!

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Aceitação


Hoje, faz 9 anos que meu avô se foi. Ele era o exemplo de pessoa para mim, quem cuidou de mim desde pequena, me amparando e protegendo. Há exatos 2 anos, meu pai fazia uma cirurgia cardíaca e iria embora 3 dias depois, na madrugada do seu aniversário. O final de setembro/começo de outubro, que já era triste, ficou ainda mais. Os dias que precedem o meu aniversário nunca mais foram os mesmos. Na infância, eu ganhava festas enormes, presentes, era uma época muito feliz. Agora, cada ano a mais que faço, é um ano a menos sem eles. A gente nunca sabe as razões das coisas, mas no final tem que aceitar o que a vida dá. Meu pai e meu avô eram duas pessoas ímpares, nunca foram iguais às outras, nunca tive parâmetros de comparação. Em dias ruins, eu me lembro de uma frase que meu avô sempre dizia quando aconteciam coisas sem explicação: "Tatá, se a gente tiver que morrer de desastre de avião, ele cai na nossa cabeça". Maktub

Não que a gente deva ser passivo e aceitar todas as coisas sem lutar por elas. Mas que a gente tem que aceitar, eventualmente, sem parar de viver, de fazer as coisas, entendendo que, no fim, a gente é sozinho mesmo. O que tiver que ser mesmo, não importa o tempo, vai ser independentemente da nossa vontade e, quando acontecer, todas as forças da natureza irão se unir e trabalhar em sincronia perfeita.

A ansiedade gera medo sim. Gera medo, angústia, preocupação excessiva, estado alerta de 24 horas e isso faz com que percamos muito tempo, sejamos pessimistas, esperemos pelo pior. Posso dizer que eu esperei tanto pelo pior durante tanto tempo, que quando o pior veio, eu não estava necessariamente preparada, mas estava conformada. A palavra do dia é: aceitação. A gente fica o tempo todo "E se? E se? E se?". Se acontecer algo, a gente trabalha nisso e depois aceita. A principal coisa para seguir em frente e evoluir não é perdoar: é aceitar. Perdoar é uma coisa que nem sempre somos capazes, a gente não é obrigado a gostar de ninguém e nem de dar o benefício do perdão a quem nos prejudicou, mas a gente pode aceitar e aprender com as piores situações. Aceitar não só as situações que nos prejudicaram advindas de outras pessoas, aceitar também as coisas ruins que nós fizemos e não fazemos mais e nos ajudaram a crescer. Conviver com diversas facetas, entender que a gente está em processo evolutivo, que a gente não precisa ter sido perfeito no passado, desde que busque mudar isso.

"É necessário serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar, coragem para mudar as coisas que podemos e sabedoria para discerni-las".


Naquela mesa tá faltando eles e a saudade deles tá doendo em mim.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A ansiedade depois de um ano de Escitalopram e Buspirona


No dia 14 de setembro de 2015, tomei meu primeiro ansiolítico, uma dose manipulada composta de 15mg de escitalopram e 15mg de buspirona. O primeiro efeito colateral foi a dilatação das pupilas. Fui ao banheiro e, ao me olhar no espelho, logo notei algo estranho com meus olhos. Como ansiosa, a tendência é reparar em cada mínimo detalhe, cada mudança quase imperceptível do corpo. Com isso, fiquei preocupada.
Em seguida, vieram mais sintomas. Tontura, enjoo, formigamento, queimação nos membros inferiores e nas mãos, tremores, boca seca. Na mesma noite, acordei com uma crise de pânico e fui parar no hospital. Bom, o resto vocês já sabem, contei por aqui. 

Mas queria fazer um balanço desse primeiro ano tomando ansiolítico.

Obviamente, o início foi o mais difícil. Noites sem dormir, efeitos colaterais severos. Acentuação da ansiedade. Eu tive uma melhora drástica no primeiro mês. Depois de cerca de 40 dias tomando o remédio, eu era outra pessoa. Tinha parado de pesquisar doenças, estava menos ansiosa, mas mais acelerada. Sempre fui acelerada, mas eu adquiri uma inquietude que não é normal. Eu simplesmente não consigo ficar parada. Se deito, quero levantar, se levanto, fico para lá e para cá, sem conseguir parar de fazer serviço. Adquiri, também, uma estranha obsessão por limpeza. Limpar me torna plena, parece que as coisas só vão para o lugar depois de fazer algum tipo de arrumação ou limpeza. 

Tive dias muito difíceis, cismas, pensamentos ruins, nos primeiros meses muitos pesadelos estranhíssimos, surreais. A desconfiança com doenças não passou. Melhorou, mas não passou. Dei a mim o benefício da dúvida, resolvendo checar antes as informações sem ficar tão paranoica. Lógico que fiquei paranoica muitas vezes sim, sem dormir e achando que iria morrer. Mas são dias e dias e a gente vai vivendo um por vez. Confesso que tenho um certo medo de parar de tomar o remédio e voltar à estaca zero, àqueles dias de terror e angústia.

Mas, no geral, eu melhorei sim. Apesar das manias adquiridas, eu estou menos obcecada. Não posso dizer preocupada, porque preocupada eu estou sempre. Os pensamentos pessimistas não desocupam a minha mente. Eu imagino as piores tragédias com as pessoas que gosto, os piores acontecimentos comigo em situações diversas do cotidiano e, claro, as piores doenças. 

Notei também que tenho picos de paciência e impaciência. Consigo me controlar em algumas situações, coisa que não ocorria antes. Contudo, eu explodo de maneira muito pior, descontrolada, como se o mundo estivesse desabando ao meu redor, é horrível. É um impulso que não sei dizer de onde vem nem como controlar, eu só preciso explodir, gritar, xingar, qualquer coisa. Eu até tento trabalhar na ideia de "ser um ser humano melhor", mas é um esforço que não consigo fazer no momento.

Eu estou há dois anos sem férias, vou tirar férias em outubro (agora). Confesso que estou muito cansada, mais mentalmente. Contudo, já estou preocupada com o que vou fazer, porque eu simplesmente desaprendi a descansar. Eu ando tão acelerada quanto uma criança hiperativa sem ritalina. Espero que eu consiga dormir pelo menos 8 horas, deitar e assistir televisão sem pensar nas mil coisas que assombram a minha mente.

A ansiedade é como uma sombra e, algumas vezes, está à nossa frente. Não conseguimos nos livrar porque, para nos livrar, é necessário andar na direção oposta. Mas quem consegue? Quem está disposto a andar na direção oposta de forma drástica? A ansiedade é tão implacável que, quando decidimos fazer algo a respeito, ela já tomou conta de todas as horas do dia, até aquelas poucas de sono. 

Ser ansioso é como estar em um pesadelo em que as pernas não correspondem. É como ficar submerso, sem ar e, ao tentar retornar à superfície, encontrar uma camada de gelo espessa. Você até conseguiria quebrar, mas não tem forças porque ficou muito tempo sem ar.

De todas as coisas, a pior é ficar sem ar. Visão turva, pápebras tremendo, moscas volantes, tontura, dores nas pernas, formigamento, tudo isso é muito ruim. Mas quando o ar não vem, eu só fico tentando desesperadamente respirar fundo, mas só piora. E, até ter consciência de que na verdade é minha cabeça que precisa de ajuda, eu já estou sufocada. 

Literalmente e metaforicamente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Preciso de paz



Eu preciso falar uma coisa pra vocês. 
Ansioso não reconhece equilíbrio. Ou é oito ou é oitenta. Ou ele não se importa nem um pouco com o que está acontecendo ou ele fica desesperado. Ansioso tem preocupações seletivas. 

Por isso, se tem uma coisa que eu tenho quando estou mais ansiosa, essa coisa é AVERSÃO A PESSOAS. Eu me sinto plena quando estou só, sou individualista, sozinha e adoro estar comigo mesma. É um misto de sensações. Alguns ansiosos são extremamente carentes, precisam de constante atenção. Eu preciso que me deixem de lado, me esqueçam por um minuto, deixem a paz fluir, correr pelas minhas veias e adentrar ao meu sistema circulatório. Deixem o silêncio falar para mim. Deixem as páginas em branco. Deixem-me sentir o vento bater no rosto sem ser interrompida por um pedido, um causo, uma anedota, que seja. Deixem que eu sinta o vazio existencial, que me faz plena, me completa, me sustenta.

Não despejem suas preocupações nos ansiosos. Eles podem entender o que os outros passam melhor do que ninguém: mas eles já têm os seu próprios problemas.

Eu preciso estar nesse lugar. Não porque eu não goste das pessoas, porque, realmente, existem pessoas das quais eu gosto muito e com as quais eu me importo. Mas as pessoas precisam ter um jeito diferente de se importar comigo, menos egoísta. "Se ama, deixe livre". Deixando que eu aproveite meu sossego, sem insistir nessa coisa de amizade. Nessa coisa de ter que marcar, de ter que se ver, de ter que dar satisfações. Eu guardo cada pessoa que me importa comigo, só não quero movimentos bruscos. 

Eu quero sentar em uma sala vazia, com uma poltrona confortável e uma parede lisa, sem quadros, sem cores. Sem ouvir o barulho das pessoas lá fora. Sem ninguém me cobrar nem pedir nada, sem ninguém precisando de mim. 

Porque, nesse momento, agora, eu preciso de mim.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A imposição dos padrões da sociedade como agravantes de ansiedade e depressão



Olá, terráqueos!

Estive ouvindo histórias de diversas pessoas, dentro e fora do meu convívio, sobre como seus familiares, amigos e até seus terapeutas lidam com ansiedade e depressão e notei um certo padrão, um padrão ridículo e uma imposição na maioria das vezes escancarada da sociedade, que causa mais pressão e funciona como um retrocesso na melhora.

Quem já teve depressão provavelmente sabe do que estou falando. As pessoas, além de diminuir seu sofrimento, colocando em questão bombardeios na Síria, fome na África e pessoas com câncer ou deficientes, atribuem o transtorno a causas tão esdrúxulas e sem sentido que, muitas vezes, mesmo não sendo a causa, a pessoa que está com depressão se sente tão pressionada e tão mal por estar nessa situação, que acaba também associando.

Compreendem do que eu estou falando? Da pressão da sociedade. Se a pessoa está sozinha, atribuem a depressão à falta de um(a) companheiro(a). Se a pessoa está casada, atribuem à falta de um filho. Se a pessoa está desempregada, atribuem à falta de um emprego. E assim sucessivamente. "Mas, Natália, então só é feliz quem é casado, tem filhos e um emprego?" Bom, em tese, esse seria o modelo. E quem tiver todas essas coisas (mais saúde, saúde física, porque a saúde mental que se foda) não pode reclamar de nada, porque, oras, na Etiópia as crianças morrem de fome e na Síria são bombardeadas. 

As pessoas, muitas vezes, estão bem resolvidas sozinhas, mas sentem-se pressionadas por outras a arranjar alguém e acabam ficando piores do que já estavam quando transformam o fato de estarem sozinhas porque querem ou porque não encontraram alguém que fizessem ter vontade de não estarem mais sozinhas em simplesmente "Estou sozinho(a) porque ninguém me quer e assim morrerei". E transformam isso em uma necessidade. A necessidade de ter uma companhia, jogando o peso da responsabilidade em uma possibilidade e se decepcionando mais e mais cada vez que algo der errado.

Ouvi relatos de pessoas que ouviram de seus psicólogos em sessões de terapia que o que falta em suas vidas é um(a) namorado(a). Quão absurdo é isso? Não é qualquer pessoa que está falando isso, é o psicólogo. A pessoa que deveria supostamente AJUDAR. E as mulheres que sofrem pressão para ser mães? "Um filho irá salvar seu casamento!" Oi? E se ela não consegue engravidar, como fica? Não fica. Só piora.

A sociedade, por si só, já impõe padrões, já nos faz sentir como um quebra-cabeça com peças faltando. Imagina para quem tem um transtorno? A tendência é só afundar mais e mais. 

Portanto, aqui vai um conselho: não imponha o que você considera bom para você a outra pessoa. Por mais que o conselho tenha boas intenções, dizer a uma pessoa com depressão que ela PRECISA arranjar alguém para tirá-la desse estado é condicionar sua doença a uma possibilidade que você não sabe quando vai existir e provavelmente não será a cura para os problemas. Isso é muito mais perigoso do que parece. Mesmo porque, ninguém precisa de ninguém para ser feliz. E fazer alguém pensar isso, influenciar de alguma forma, é aumentar um transtorno e torná-lo dependente de algo que não irá necessariamente melhorá-lo.

Tenha consciência, tenha respeito e, principalmente, TENHA EMPATIA: coloque-se no lugar do outro.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Como uma ideia que existe na cabeça e não... NÃO SAI NEM COM REZA BRAVA!



Todo mundo já teve uma obsessão na vida. Obsessões não são saudáveis, mas todo mundo já teve vez ou outra aquela fixação por alguma coisa. Parece que o cérebro necessita desse alimento para que você sobreviva. Quanto eu tinha 8 anos, fiquei obcecada por uma Barbie Ginasta, eu só pensava na maldita Barbie dia e noite. Depois que ganhei a Barbie, passaram-se uns dias, depois daquela sensação surreal de ter conseguido, ela perdeu a graça, como se meu cérebro tivesse sido alimentado e agora não estivesse mais com fome, ao menos da Barbie. 
A gente cresce e as obsessões mudam. Para o ansioso, as obsessões são infinitas. Acaba uma, começa outra. É uma preocupação constante que martela na cabeça, seja com doença, seja com a família, o namorado(a), as finanças e mais uma infinidade de assuntos. A gente precisa cavucar até o fundo um mesmo assunto desgastado, até alimentar o cérebro obsessivo. 
E é assim que eu me sinto em relação às doenças. Eu preciso me alimentar disso, eu preciso pesquisar, eu preciso saber mais e ficar em paz, mesmo que essa paz dure poucos minutos e outras coisas impactantes surjam na minha mente. 
Só esse ano, já achei que tinha problema no olho (várias vezes, problemas diferentes), tava tendo AVC, câncer no lábio, no colo do útero, na mama e estava ficando careca. 

Em maio, meu lábio começou a rachar por conta do frio intenso que vinha fazendo. Mesmo após hidratação e diversos cosméticos diferentes, receitas caseiras e afins, o rachado continuava, meu lábio estava áspero. Fui buscar no Goolge, lógico, porque eu precisava me alimentar disso. "Lábio áspero". Nos resultados, achei câncer bucal, câncer labial, que poderia ocorrer por exposição ao Sol. Agora, vamos ver alguns fatores:
- Minha sala não tem janelas onde bata absolutamente nenhum Sol.
- Meus batons têm protetor solar.
- Estou com a vitamina D baixa, ou seja, falta Sol MESMO.

Mas quem disse que tudo isso fez sentido? Eu tinha um melanoma sim. Certeza que aquilo era um melanoma. Depois ainda li que a incidência havia aumentado no Brasil. PRONTO. "Mas predomina em homens acima de 50 anos e fumantes". Eu era um homem acima de 50 anos fumante. Tive um surto. 

Depois de ida ao dermatologista e ao dentista, descobri que era uma alergia, alergia ridícula. 

Meu último surto foi porque fui à ginecologista para ver se podia colocar DIU e ela achou uma ferida. COMO ASSIM FERIDA, tenho CÂNCER? Fiz um montão de exames. Se não tenho câncer, tenho alguma doença grave. Esperei UMA SEMANA os exames ficarem prontos. Isso pra mim é como uma tortura medieval, um castigo de Zeus, como Prometeu que tinha seu fígado devorado e regenerado todos os dias. Pesquisei tanta coisa, mais tanta coisa. Em português, inglês e espanhol. Nunca tinha feito colposcopia e, minha nossa, BIOPSIA? Acontece que a ginecologista não me explicou direito. Não era uma ferida, mas uma troca de tecido comum em quem usa anticoncepcional, que precisava de biopsia para ver se estava contaminada. Eu recebi o resultado e fiquei em paz. Por alguns segundos. Mas "e se", "e se"... E SE? Mas o exame tá exemplar, não tem nada. MAS E SE? É desesperador. Eu me pego pesquisando doenças raras, coisas inimagináveis, porque eu preciso manter essa obsessão, eu preciso continuar pesquisando para satisfazer meu cérebro. Eu preciso ter esses pensamentos, eles são como uma substância química e eu a abstinente. 

O medo de adoecer bateu à minha porta pela primeira vez quando eu era muito pequena, após uma palestra sobre higiene bucal. Eu não dormia achando que meus dentes iriam todos cair. Às vezes ainda sonho que eles caem. 

Acontece que não é uma coisa que exige somente autocontrole, é algo que vai além do que nós podemos fazer.

Ser ansioso é um eterno masoquismo. É ver seu corpo necessitando aquilo que te prejudica. Não preciso sair, não preciso me distrair, não preciso mudar de emprego, não preeciso mudar de ares. Não é nenhum fator externo que vai mudar o que sinto. Eu não preciso de ninguém me dizendo que tenho que fazer isso ou aquilo. O que eu tenho para resolver é comigo mesma, nenhum pseudo-psicólogo (e até mesmo os psicólogos) pode me dizer. 

Como diria Oscar Wilde: No mundo, há somente duas tragédias. Uma é não ter o que se quer e a outra é ter.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Desgoogleie


Quando a gente é adolescente, a gente acha que vai morrer de amor. E que essa seria a pior morte possível. Que não existe nenhuma dor física capaz de superar a dor incurável da alma em se tratando de coração partido.

Bobagem.

A gente cresce, começa a enxergar a proporção das coisas de maneira diferente. Não digo melhor, mas só diferente. Algumas coisas perdem o encanto, a doçura, outras ganham maior importância.
A ansiedade muda. Se antes, sentíamos ansiedades circunstanciais dependendo de acontecimentos, hoje, a ansiedade é um estar, um sentimento sempre presente. Se a ansiedade antes consistia em expectativas e frio na barriga, hoje vai bem além disso.
Crescendo, a gente descobre que não se morre de amor. Mas se morre de diversas outras doenças (de acordo com o Google). Cutícula mal tirada, gripe mal curada e gente mal preparada.
QUALQUER SINTOMA, estou dizendo, simplesmente QUALQUER sintoma que você tiver e jogar no Google, ele vai te trazer como uma das respostas possíveis, pelo menos, uma das três doenças a seguir: câncer, esclerose múltipla e AIDS.
Primeiro, o ansioso acha que sofre de problemas cardíacos ou neurológicos. Porque o sintoma mais característico é a palpitação, a taquicardia. Se não é infarto, é AVC (certeza, já tive vários). Passada essa fase, começa a procurar outros sintomas e é aí que ele chega nas três doenças-chave que o Google adora empurrar goela abaixo.

De manhã: AIDS. Não, AIDS não tenho, absurdo pensar isso. Nada a ver. Dor no dedo não é um sintoma de AIDS.
De tarde: A manicure nem esteriliza direito aqueles alicates. Doei sangue ano passado. E o maníaco da agulha, hein?
De noite: Meu Deus, vou morrer. Tenho AIDS.

E o ciclo recomeça no outro dia.

Amigos, vou dizer a vocês: não está fácil ser ansioso nos dias atuais. Na Idade Média, o ansioso não tinha o Google como tortura prévia de doenças. Não tinha esse leque de possibilidades.

Portanto, vou lançar aqui: desgoogleie. Vá ler um livro, ver TV, aquela série atrasada. Não é câncer. Não é AIDS. Não é esclerose e nem infarto.

Como diria meu avô “Se a gente tiver que morrer de desastre de avião, ele cai na nossa cabeça.”


Até!

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Amostra não reagente



Olá, terráqueos!

Como havia dito anteriormente, fui à ginecologista. Ela pediu um milhão de exames, o que já me deixa tensa, porque, muitos deles, eu julguei desnecessários na hora. Mas, depois que fui fazer, fiquei pensando mil coisas. Da última vez que fui ao Endócrino, ele também pediu tudo quanto é exame de hormônio, que me fez questionar se eu tinha problemas na tireoide, se eu tinha bócio ou qualquer distúrbio provocado pela ausência de vitamina D (incluindo esclerose múltipla). Pois bem, quando você solicita ao seu médico "exames de rotina", ele entende que deve examinar tudo que diz respeito à sua área. No caso da ginecologista, ela pediu exames de sangue de tudo quanto é DST, incluindo HIV (teste que já fiz algumas vezes antes de cirurgias – já operei o nariz, depois conto aqui) e tinha dado negativo. 
Porém, com essa lista imensa de exames para fazer, começo a pensar: "pelo menos uma dessas coisas eu devo ter, não é possível". Foi aquele procedimento padrão, peguei a senha da internet após o exame do laboratório e cheguei em casa correndo ver o resultado. Lógico que não estaria pronto. Mas fiquei entrando no site até os resultados saírem aos poucos: HIV, Hepatite B e C, Sífilis etc. todos deram negativo "Não Reagente". Não era possível ter uma dessas doenças, mas eu fiquei questionando as agulhas que me furaram no último ano (e foram muitas, principalmente durante os meus surtos ano passado) e até a pinça que usaram para tirar minha sobrancelha, os alicates que usaram para fazer minhas unhas, enfim, uma infinidade de coisas. 
Vejam como é a cabeça de um ansioso, fui dormir pensando "Posso ter HIV"? Posso ter HIV? Quão absurdo isso soa? Eu não pego nem gripe. Há anos. Mas a ansiedade nos faz pensar coisas que nem nós mesmos entendemos. 

Eu tenho mais exames para fazer amanhã, entre eles ultrassom. Sempre acho que vão encontrar um monstro escondido dentro de mim em um desses exames. Uma doença rara incurável. Qualquer coisa (desde que seja bem ruim). Por mais que eu esteja medicada, me alimentando bem, tentando dormir na medida do possível, ainda fico atormentada com a ansiedade.

A ansiedade nos faz pensar em coisas horríveis, nos faz cavar até o fundo do poço, com a consciência de que sim, estamos cavando mais e mais. É como uma droga, preciso desses pensamentos, preciso dessa obsessão, não posso ficar em paz, porque, se eu ficar em paz e tiver alguma coisa, nunca irei me perdoar. Não posso deixar tudo de lado, cada sintoma – porque cada sintoma é real – e simplesmente seguir com a minha vida. E se um sintoma mínimo, como um soluço, um tremor nas pálpebras, um espasmo, uma pontada, uma leve dor for um daqueles casos que saem no Discovery Channel, de doenças raras que os médicos não conseguiam encontrar em exames de rotina? E se... Os pensamentos nos consomem. Ansiosos são esponjas para negatividade, doenças, tragédias.

Mas sabe como é, né? Um dia após o outro. Com calma. Calma? Parece até piada pedir calma a um ansioso. Hoje senti dor nas costas. Já pesquisei de pulmão a rins. De útero a medula espinhal. Estou virando uma especialista? Talvez especialista em coisas inúteis que atrasam a minha evolução mental.

Queria, ao menos uma vez, me desvencilhar desses pensamentos autodestrutivos, mas eles são tão viciantes quanto o crack. Com a desvantagem de que o crack é necessário algum esforço para conseguir. Sair de casa, gastar dinheiro, perambular pela crackolândia. A ansiedade é gratuita. E não é necessário que movamos um só dedo para que apareça. Afeta nosso sistema nervoso central. Afeta músculos, cabeça, órgãos, alimentação, sono. A reabilitação nunca é definitiva e para ter uma recaída basta pensar.

Risco um fósforo. Está escuro aqui embaixo. Parece uma fase complexa do videogame, na qual tentamos subir e as armadilhas aparecem para nos derrubar e, com isso, vamos perdendo vida. Pouco a pouco, a cada tentativa.