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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Armário número 5





Olá, terráqueos!

Estive em férias, acabei me estressando mais do que deveria e nem vim aqui!

Bom, hoje estou de volta ao armário número 5, após 20 dias de férias, mais ou menos dormidas e aproveitadas. Primeiro que eu não sei se sou capaz de aproveitar algum momento da minha vida já que: trabalho me estressa, pessoas me estressam, férias me estressam, viagens me estressam, tudo me  estressa. Férias me estressam porque eu fico pensando na volta e contando os dias, eu passei vários dias entediada querendo trabalhar na primeira semana, sentindo que estava fazendo algo errado ficando em casa (pasmem). A viagem me estressou por conta de ônibus, horários, dieta quebrada, sem conseguir ir à academia, o planejamento me estressa, a viagem me estressa, o percurso me estressa. Resumindo: minhas férias acabaram e eu continuo estressada.
Como uma boa ansiosa, sabendo que as coisas sempre podem piorar, elas pioraram um pouco ao final das minhas férias, parecia que tudo estava desabando, perdi sono, comecei a me alimentar errado, estressei com uns pormenores (a mulher que foi molhar minhas plantas enquanto eu viajava usou minhas coisas, tomou banho na minha casa, sendo que é vizinha) entre outras coisinhas que não vale a pena colocar no diário. 
Tive que marcar retorno ao psiquiatra para amanhã, porque meu remédio está no fim e, espero eu, que continue com a mesma dose (já é a máxima), porque eu temo que ele diminua e eu piore mais ainda.

Vamos falar da ansiedade, então! 

Uma coisa que me irrita muito (além de tudo, porque tudo me irrita) é as pessoas acharem que EU POSSO CONTROLAR MINHA ANSIEDADE, porque não, eu não posso controlar, se eu pudesse controlar não estaria pagando 300 reais em remédio de uso controlado que afeta meu sistema nervoso e meus hormônios, cês não acham? "Você precisa ser menos nervosa", "Você precisa relaxar!", "Calma!", "Você é muito ansiosa". Porrãn, sérião? Sérião que eu tô em 2016 ouvindo isso ainda? O que eu preciso e o que é possível são duas coisas diferentes. É a mesma coisa que dizer para um etíope com fome "Você precisa comer" E NÃO DAR COMIDA PRA ELE ou então "Você tem muita fome, você precisa ter menos fome!". Entende??? Não é uma coisa que se pode mandar, é inerente ao corpo, faz parte da gente. E isso tem me irritado mais ultimamente.
Outra coisa que tem me tirado do sério são os problemas alheios, as pessoas PESAM demais! Elas jogam os problemas nas nossas costas e falam, falam, falam, são repetitivas, são cansativas, são redundantes. Todo mundo tem problemas, cabe a cada um carregar o seu, claro que a gente sempre pode pedir a alguém que nos ajude a carregar o peso, MAS NÃO COLOCAR O PESO TODO NAS COSTAS DOS OUTROS! Algumas pessoas são egocêntricas e egoístas e acham que o problema delas é o pior de todos no mundo e, adivinha: NÃO É! Eu tento entender o lado do ansioso, que poucas pessoas conseguem entender, mas fica difícil à medida que ele começa a viver 24 horas para falar do mesmíssimo problema, sem deixar as pessoas respirarem. Vamos ter mais empatia, mas precisa ter um pouco de reciprocidade também!
As moscas volantes sumiram nas minhas férias, claro, só fiz um freela de revisão na primeira semana e depois nem fiquei na frente do computador. A falta de ar piorou algumas vezes, sensação de sufocamento e angústia também, principalmente durante a viagem que fiz, de 14 horas (a Diamantina/MG). 

Esse blog fez um ano com mais de 20 mil visitas e muitos agradecimentos! Espero continuar ajudando os amigos acelerados descompensados e ansiosos da vida! Que todos os lerdos sumam da nossa frente, Amém! 




Olhei para o meu armário hoje e o que mais me deu medo não foi enfrentar todo o trabalho que tenho pela frente, mas, sim, ter que dar satisfação das minhas férias, como foram, o que fiz, como passei, se estou preparada para voltar a trabalhar etc. etc. etc., todas essas baboseiras que as pessoas gostam de perguntar mesmo que algumas respostas sejam óbvias, o Seu Saraiva que habita em mim fica nervosíssimo e com tiques nervosos. 

Bem, se eu estou preparada? Amigos, um ansioso está sempre preparado, eu estava me preparando para esse dia desde o primeiro dia de férias, o que não quer dizer necessariamente que eu vá reagir bem, afinal, as pessoas estão esperando que eu sente à mesa e conte histórias engraçadas e diga "que pena que acabaram", mas tudo que eu quero fazer é gritar até doer a garganta na cara dessas pessoas, mesmo que sejam amigas próximas, e dizer "NÃO INTERESSA, EU SÓ QUERO PAZ, SÓ QUERO FICAR QUIETA NO MEU CANTO". Mas eu respondi "Foi tudo ok, hehe, férias, né, acabaram, fazer o quê, descansei sim, dormi, hehe, viajei" sentindo internamente meus órgãos atrofiarem, como se eu estivesse em uma morte dolorida e lenta.

Mas, no geral, tudo bem sim. Manda mais ansiedade que tá pouco!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O retorno ao Psiquiatra

Eu já tinha ido duas vezes ao psiquiatra. Na segunda vez, foi porque me desesperei com os efeitos colaterais do remédio e achava que iria morrer. 

Não morri.

E hoje fez um mês de escitalopram e buspirona. Fiquei o dia inteiro apreensiva. Vai que eu chego lá e tem uma camisa de força me esperando. Ou que eu sou atropelada no caminho. Ou roubam minha bolsa. Ou pior: eu tenho um colapso e morro na calçada com meu celular destravado.

Esses pensamentos maravilhosos de quem é ansioso. E pessimista.

Cheguei lá, tinha um paciente na portaria do prédio que ia para o mesmo andar. Quando falei o nome do médico, ele virou e disse "Você também é bancária? Ele atende muito bancários que ficaram loucos."

Quê? Já me deu um calafrio. Respondi: "Não sou não". "É professora, então?" É tão óbvio assim?
Respondi que era só revisora. Céus, dez andares intermináveis.

Cheguei lá, consultório vazio. Será que eu teria que ficar na sala com aquele bancário (sei lá) estranho que não calava a boca? 

Ele assinou a ficha e logo foi chamado. Eu, distraída, assinei no lugar errado para variar. Só para variar.

Entrei apreensiva esperando o pior. Só de olhar para a minha cara ele poderia decretar uma sentença de morte ou sei lá. O fato é que do caminho do trabalho até o consultório, que não dá meia hora, eu pensei em tudo isso e mais um pouco.

"E aí, dona Natália?" Gelei. Respondi que estava melhor, mas que ainda tinha alguns sintomas. Ele brincou. Fez umas perguntas, conversou um pouco. Fiquei mais calma. Receitou remédio para mais dois meses.

Estou visivelmente melhor, mas ainda bate o desespero, a ansiedade, os pensamentos compulsivos pessimistas que não vão embora. Já tem dias que não pesquiso doenças. E nem sinto vontade. O remédio me ajudou bastante, a não ficar ansiosa 24 horas por dia, por exemplo. Mas algumas situações ainda me levam ao extremo.

É um caminho longo. Mas não tenho outra escolha senão percorrê-lo. 

"Tá tomando remédio de louco, é?" Disseram. 

Achei de mau gosto. Mas respondi que sim.

Ser normal é muito chato.