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sábado, 3 de setembro de 2016

Setembro amarelo: mês de prevenção do suicídio




O mês de setembro foi escolhido pela Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina como o mês de prevenção do suicídio. 

Um dado triste e alarmante é o aumento de suicídio de adolescentes nos últimos anos. Até porque, sendo conhecido como "rebelde" alguns dos seus atos são tratados como simples "rebeldia" e não com a seriedade com que deveriam. Os psiquiatras alertam para a importância de notar os sinais, isso no círculo familiar, de amizades, na escola e no trabalho. Comportamentos não usuais, se a pessoa possui algum transtorno psiquiátrico ou psicológico é um agravante e também se algum fato recente tem afetado o desempenho da pessoa em tarefas corriqueiras, como a morte de um ente querido, uma perda amorosa e afins são coisas a serem levadas em consideração.

O importante é estar alerta, principalmente se a pessoa já sofreu anteriormente quadros maníaco depressivos, tem depressão, transtorno bipolar, entre outros. Para as pessoas que sofrem com quadros como esses, é mais difícil lidar com tudo. É como se o peso de cada coisa fosse colocado em dobro nos ombros. 

Portanto, respeite. Se conhece alguém que passa ou passou por situações difíceis, se notou comportamentos diferentes, se sabe que a pessoa sofre de depressão, toma medicamentos e já confessou que teve ou tem pensamentos suicidas: esteja alerta, esteja presente, aconselhe, se a situação se agravar, converse com a família. Suicídio não é brincadeira e a melhor medida é a prevenção através da conscientização das pessoas que estão em volta de quem sofre com esses pensamentos.

Aqui embaixo tem uma lista de hospitais na cidade de São Paulo que são referência e contrarreferênca em saúde mental.




REFERÊNCIA E CONTRARREFERÊNCIA EM SAÚDE MENTAL
NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS

- HOSPITAL MUNICIPAL DO JABAQUARA – DR. ARTHUR RIBEIRO SABOYA
Av. Francisco de Paula Quintanilha Ribeiro, nº 860 – Jabaquara
Fones: 5011-5111 / 5011-5503 / 5011-5012 / 5011-1059
FAX: 5011-7901 Distritos: Jabaquara /Cidade Ademar
- PRONTO SOCORRO MUNICIPAL DA LAPA – PROF. JOÃO CATARIN MEZOMO
Av. Queiroz Filho, nº 313 – Lapa
Fones: 3022-4122 / 814-5649
Distritos: Lapa / Pinheiros / Butantã
- PRONTO SOCORRO MUNICIPAL DA FREGUESIA DO Ó – 21 DE JUNHO
Av. João Paulo I, 1421 – Freguesia do Ó
Fones: 3975-1349 / 3975-5866
Distritos: Freguesia do Ó / Brasilândia / Cachoeirinha
- PRONTO SOCORRO MUNICIPAL SANTO AMARO – DR. JOSÉ SILVIO DE CAMARGO
Av. Adolpho Pinheiro, 805 – Santo Amaro
Fones: 5523-1424 / 5523-1788/5523-1777
Distritos: Santo Amaro / Parelheiros / Grajaú
- HOSPITAL MUNICIPAL DE PIRITUBA – DR. JOSÉ SOARES HUNGRIA
Av. Menotti Laudísio, nº 100 – Pirituba
Fones: 3974-7000 / 3974-0683
Fax: 3974-0683
Distritos: Pirituba / Perus
- HOSPITAL MUNICIPAL DO TATUAPÉ – DR. CARMINO CARICCHIO
Av. Celso Garcia, nº 4815 – Tatuapé
Fones: 6191-7000 / 6191-5292
Fax: 6191-5605
Distritos: Moóca / Vila Formosa / Vila Maria
- HOSPITAL MUNICIPAL DO JARDIM IVA – DR. BENEDITO MONTENEGRO
Av. Antonio Lázaro, nº 226 Jardim Iva
Fones: 6721-8763
Fax: 6721-8454 Ramal. 102
Distritos: Sapopemba / São Mateus
- HOSPITAL MUNICIPAL DE SÃO MIGUEL PAULISTA – TIDE SETUBAL
Rua Dr. José Guilherme Eiras, nº 123 – São Miguel Paulista
Fones: 6297-0022 / 6297-0216
Fax: 6297-0550 / 6956-8045
Distrito: São Miguel Paulista / Vila Jacui

EMERGÊNCIAS COM ENFERMARIAS PSIQUIÁTRICAS

REFERÊNCIA DE EMERGÊNCIA E ENFERMARIAS PSIQUIÁTRICAS
- HOSPITAL PSIQUIÁTRICO VILA MARIANA

Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
Rua Major Maragliano, nº 241 – Vila Mariana
Fones: 5087-7000 – 5084-6711
Distritos: Vila Mariana / Sé / Santa Cecília
- COMPLEXO HOSPITALAR DO MANDAQUI
Av. Voluntários da Pátria, nº 4301 – Mandaqui
Fones: 6959-3611 / 6950-1717
Distritos: Santana / Tremembé / Jaçanã
- HOSPITAL SANTA MARCELINA ITAIM PAULISTA
Av. Marechal Tito, nº 6035 – Itaim Paulista
Fone: 6963-1255
Distritos: Itaim Paulista / Vila Curuça
- HOSPITAL GERAL DE GUAIANASES – JESUS TEIXEIRA DA COSTA
Rua Otelo Augusto Ribeiro, nº 899 – Guaianases
Fones: 6557-2010 / 6557-5200
Distritos: Guainazes / Cidade Tiradentes
- HOSPITAL MUNICIPAL DE ERMELINO MATARAZZO – DR. ALÍPIO CORREA NETO
Alameda Rodrigo de Brumn, nº 1989 – Ermelino Matarazzo
Fones: 6943-9944
Fax: 6943-9944 Ramal: 4227
Distritos: Ermelino Matarazzo / Penha / Vila Matilde
- HOSPITAL MUNICIPAL DE ITAQUERA – DR. WALDOMIRO DE PAULA
R. Augusto Carlos Baumam, nº 1074 – Itaquera
Fones: 6944-6355 / 6286-6391 D
Fax: 205-7682
Distritos: Itaquera / Cidade Lider
- HOSPITAL MUNICIPAL DE CAMPO LIMPO – DR. FERNANDO MAURO PIRES ROCHA
Estrada de Itapecerica da Serra, nº 1661 – Campo Limpo
Fones: 5512-7650 / 5512-7651 / 5519-5828 D
FAX: 55117220
Distritos: Campo Limpo / Capão Redondo / Jardim São Luiz / Jardim Ângela
- HOSPITAL SÃO PAULO
Rua Napoleão de Barros, nº 715 – Vila Clementino
Fones: 5576-4033 / 5571-2098
Distritos: Ipiranga / Sacomã / Vila Prudente.



Até!






segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A imposição dos padrões da sociedade como agravantes de ansiedade e depressão



Olá, terráqueos!

Estive ouvindo histórias de diversas pessoas, dentro e fora do meu convívio, sobre como seus familiares, amigos e até seus terapeutas lidam com ansiedade e depressão e notei um certo padrão, um padrão ridículo e uma imposição na maioria das vezes escancarada da sociedade, que causa mais pressão e funciona como um retrocesso na melhora.

Quem já teve depressão provavelmente sabe do que estou falando. As pessoas, além de diminuir seu sofrimento, colocando em questão bombardeios na Síria, fome na África e pessoas com câncer ou deficientes, atribuem o transtorno a causas tão esdrúxulas e sem sentido que, muitas vezes, mesmo não sendo a causa, a pessoa que está com depressão se sente tão pressionada e tão mal por estar nessa situação, que acaba também associando.

Compreendem do que eu estou falando? Da pressão da sociedade. Se a pessoa está sozinha, atribuem a depressão à falta de um(a) companheiro(a). Se a pessoa está casada, atribuem à falta de um filho. Se a pessoa está desempregada, atribuem à falta de um emprego. E assim sucessivamente. "Mas, Natália, então só é feliz quem é casado, tem filhos e um emprego?" Bom, em tese, esse seria o modelo. E quem tiver todas essas coisas (mais saúde, saúde física, porque a saúde mental que se foda) não pode reclamar de nada, porque, oras, na Etiópia as crianças morrem de fome e na Síria são bombardeadas. 

As pessoas, muitas vezes, estão bem resolvidas sozinhas, mas sentem-se pressionadas por outras a arranjar alguém e acabam ficando piores do que já estavam quando transformam o fato de estarem sozinhas porque querem ou porque não encontraram alguém que fizessem ter vontade de não estarem mais sozinhas em simplesmente "Estou sozinho(a) porque ninguém me quer e assim morrerei". E transformam isso em uma necessidade. A necessidade de ter uma companhia, jogando o peso da responsabilidade em uma possibilidade e se decepcionando mais e mais cada vez que algo der errado.

Ouvi relatos de pessoas que ouviram de seus psicólogos em sessões de terapia que o que falta em suas vidas é um(a) namorado(a). Quão absurdo é isso? Não é qualquer pessoa que está falando isso, é o psicólogo. A pessoa que deveria supostamente AJUDAR. E as mulheres que sofrem pressão para ser mães? "Um filho irá salvar seu casamento!" Oi? E se ela não consegue engravidar, como fica? Não fica. Só piora.

A sociedade, por si só, já impõe padrões, já nos faz sentir como um quebra-cabeça com peças faltando. Imagina para quem tem um transtorno? A tendência é só afundar mais e mais. 

Portanto, aqui vai um conselho: não imponha o que você considera bom para você a outra pessoa. Por mais que o conselho tenha boas intenções, dizer a uma pessoa com depressão que ela PRECISA arranjar alguém para tirá-la desse estado é condicionar sua doença a uma possibilidade que você não sabe quando vai existir e provavelmente não será a cura para os problemas. Isso é muito mais perigoso do que parece. Mesmo porque, ninguém precisa de ninguém para ser feliz. E fazer alguém pensar isso, influenciar de alguma forma, é aumentar um transtorno e torná-lo dependente de algo que não irá necessariamente melhorá-lo.

Tenha consciência, tenha respeito e, principalmente, TENHA EMPATIA: coloque-se no lugar do outro.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ansiedade, ansiedade, ansiedade...


Aqui estou mais um dia, sob o olhar sanguinário do vigia...

Essa noite acordei sufocada. Com muita falta de ar, achei que iria morrer. "Não tô conseguindo respirar", pensei comigo. E fiquei virando de um lado a outro da cama. Comecei a pensar em outras coisas aleatórias, minha respiração foi se acalmando e aos poucos eu consegui voltar a dormir. Ansiedade. Tenho uma coleção de "chapas" do pulmão aqui. Dá para fazer barulho de trovão em peça nos próximos 200 anos. 

Aí vêm as perguntas de pessoas que, obviamente, não veem a ansiedade como um transtorno.

"Mas, Natália, existe algum motivo específico que gere tanta ansiedade?"

Se existisse um motivo e todo mundo descobrisse, para quê psiquiatria? A verdade é que não tem um motivo sólido, às vezes algum motivo piora as crises, mas no geral, são pequenos motivos juntos e às vezes não tem nada que esteja incomodando a gente genuinamente.

"Mas, se não tem motivo, é só você se distrair que passa!"

Não necessariamente. O x da questão é exatamente esse. Não é simples pensar em outras coisas, distrair, desligar. Às vezes os sintomas chegam sem que estejamos em momentos de tensão, somos pegos de surpresa, como no meio da noite. Como já estou bem treinada, eu às vezes consigo me controlar – mas também estou medicada com a dose máxima de escitalopram e buspirona, o que francamente ajuda.

"Mas você já tomou chá de Camomila?"

Nem vou responder.

"Mas você já tentou calmante natural?"

...

É por causa dessa banalização dos transtornos psiquiátricos, que são tratados como momentâneos ou como "frescura" que as pessoas que sofrem de ansiedade acabam piorando, mergulhadas em dúvidas como "Mas se é tão simples, por que não consigo sair desse lugar?". 

Primeiro: Não é simples. A primeira consciência é essa. O que em partes me tranquiliza, como hipocondríaca diagnosticada e portadora de TOC, pelo menos não tenho nenhuma doença física terminal. Mas que em partes me aflige, porque eu fico sem saber quando esse pesadelo termina. Tem dias que não sinto nada. Tem dias que desde cedo aparecem as pontadas no corpo, falta de ar, visão turva. "Não estou enxergando hoje" penso. E a nossa mente é tão traiçoeira, que, mesmo enxergando, estando consciente de que estou vendo, eu continuo achando que não estou enxergando.

Compreendem? 

Não é uma neura. É um pensamento fixo obsessivo que simplesmente não vai embora.

Ter ansiedade é como perder as forças para as coisas, estar no fundo de um poço escuro cuja escada aparece e desaparece sem que você tenha chance de subir. Como se seu corpo estivesse preso sem que você consiga se mexer. Assim como acontece na paralisia do sono. Você grita, a voz não sai, você tenta correr, as pernas não andam. Você fecha os olhos desejando que seja um sonho. 

Mas tem horas que não é.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Terceiro relato anônimo



Acho que eu já tinha crises de Ansiedade desde criança e não sabia exatamente o que era. Lembro de algumas vezes em que dormi no sofá e, quando meus pais me acordavam pra ir pra cama, eu sentir uma tremedeira, moleza nas pernas, coração disparado e vontade de sair correndo. Sair dali e ir a um lugar que estivesse no tempo e espaço para relaxar minhas pernas adormecidas.
A Ciência explica que a ansiedade nada mais é do que um estado natural do corpo. E, como quase tudo que ainda nos é intrínseco, herdamos da época das cavernas. Afinal, taquicardia nada mais é do que o coração bombeando mais sangue para as suas extremidades (lembra da tremedeira nas pernas?), e o suor já antecipam o resfriamento do nosso corpo quente de tanto esforço físico. Naquela época, corríamos de predadores, saíamos na porrada com outros homens, fugíamos de desastres naturais. Hoje, vivemos em uma selva, diferente e igual em muitos aspectos. E a Ansiedade aparece, deste jeitinho sorrateiro, o que faz com que ela tenha nome de gente pra mim, com primeira letra maiúscula e personalidade. Tem vezes que ela dá sinais que vai aparecer e noutras surge de supetão. 
Já cheguei a sentar na calçada durante uma crise de Ansiedade em público e ter de esperar passar. Já fingi que estava tudo bem, respirei fundo e voltei a trabalhar (porque Ansiedade, psicólogo e psiquiatra "são coisas de gente louca"). Já desembestei a comer três sorvetes, duas barras de chocolate e um litro de achocolatado em menos de cinco minutos. Mas, apesar de tudo isso, já procurei relaxar muitas utras tantas e esperei passar. Porque a gente sabe que ela vai embora. 
Nunca fui a psiquiatras. Nem na época da depressão forte. Quis atingir meu limite e tentar sair por conta própria. Me testei, descobri que o fundo do poço tem subsolo e que dali de dentro, só tem um jeito de sair: voltando à superfície. Descobri a razão da minha depressão; já a da minha Ansiedade estou esperando a resposta até hoje. 
Mas a vida segue, independente de tantos apesares. 'Rabbit Hole', escrito por David Lindsay-Abaire, me ensinou que as mazelas da vida são como tijolos que a gente leva nos bolsos: pesam, uns dias mais e noutros menos, mas não nos impedem de continuar a caminhada. 
Somos uma geração ansiosa, onde a pressão para ter sucesso em todas as áreas da vida é muito forte: carreira, família, vida amorosa, amigos, aparência, inteligência e ________________ (adicione a sua 'preferida' aqui). 
Para tratar minhas crises, então, recorri à Passiflora. Amigos já disseram que "nem me fez cócegas de tão fraco", enquanto outros agradeceram a dica. Fitoterápica, de baixíssimo custo e, no meu caso, resolveu. Três comprimidos ao dia e, conforme as crises foram diminuindo no decorrer das semanas, também foram reduzidas as doses. Hoje em dia - e isso já faz uns três anos - as crises são raríssimas. Talvez duas ou três ao ano. E geralmente dão sinais, então sempre tenho Passiflora aqui pra já expulsar a Ansiedade quando ela toca no meu interfone. Porém, acho super válido ir atrás de ajuda profissional se você ainda não encontrou sua calmaria. 
Certo dia, um amigo me disse que cerca de 30% do que acontece na vida permite nossa intervenção. Os outros 70%, diz ele, "a gente joga pro Universo". Tomei como lema. Faço a minha parte e deixo o resto fluir. 
A vida segue. E o tempo, maturidade e experiência fazem o que lhes cabem para que possamos viver toda essa loucura com o mínimo de sanidade.  

L.F., sexo masculino.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A nossa mudança é intrínseca

Sumi por conta de trabalho e mais trabalho, pensei em mil coisas, mas decidi começar por esta: o autoconhecimento.


O processo de autoconhecimento é interminável, mas é necessário que tenhamos essa consciência. Conhecer a si mesmo e seu próprio corpo é essencial para a melhora progressiva de doenças psicológicas, transtornos mentais e afins. A verdade é que, embora o exterior contribua para nossa melhora ou piora, somente nós mesmos podemos melhorar efetivamente. Porque é através do nosso interior que enxergamos o mundo e a ele damos nossa impressão. O primeiro passo para a melhora é tentar, aos poucos, tornar-se independente do exterior, do que ocorre a você, das pessoas que te cercam. Tornar-se independente não significa tornar-se insensível. Significa ser feliz apesar de, sem depender de um fato específico, uma palavra, um ato, um acontecimento. E isso só alcançamos quando atingirmos a plenitude dentro de nós mesmos. Isso não significa que ficaremos blindados a fatos externos, mas que saberemos lidar muito melhor com as adversidades. 
Uma prova de que a nossa mudança é intrínseca é como as coisas que mais gostamos ficam sem graça quando temos depressão. As pessoas, que usualmente são apegadas a circunstâncias e coisas, sugerem que saiamos, encontremos alguém para nos relacionarmos, façamos algo que gostemos, mas não é simples assim. Não é simples porque o processo é interno e não externo e, a partir do processo de conhecimento, começamos a entender que a mudança depende de nós mesmos. E, sendo assim, o exterior só irá ser uma soma ao conhecimento, sem fazer com que pioremos de forma drástica. 
Quem tem depressão e já ouviu ou leu coisas do tipo: "É frescura!", "Mas você tem tudo", "O que te falta?" e, na sede de preencher essas lacunas, as pessoas jogam mais coisas nas nossas costas: um relacionamento, um emprego, um filho, um casamento, uma mudança de visual. Coisas que elas consideram imprescindíveis para a felicidade mas que nada são se estivermos mal por dentro. Então, a primeira coisa que devemos tomar consciência é de que é necessário tentar nos conhecermos, é necessária uma constante evolução, porque não existe um ponto final: pronto, cheguei aqui e agora sou 100%, porque ninguém é 100%. É uma busca incessante, muitas vezes dolorosa, mas extremamente necessária. 
Terapia é uma boa opção, caso você se sinta muito confuso. Ajuda é sempre bem-vinda. 
Muitas vezes as pessoas falam coisas que nos afetam de forma profunda e às vezes nem sabemos por quê. Essas coisas levam ao agravamento da depressão, da ansiedade e de outros transtornos. Ao nos conhecermos melhor, esse obstáculo é ultrapassado com mais facilidade, porque conhecimento leva à segurança, à perda do medo. 
Não deixe que fatores externos interfiram negativamente no seu interior, confie em você. Sempre.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A prescrição inconsequente de ansiolíticos e antidepressivos

"Segundo a Anvisa, o consumo brasileiro do princípio ativo do Rivotril, o clonazepam, em 2007 era de 29 mil caixas por ano. Em 2015, este número atingiu os 23 milhões, de acordo com a IMS Health. O crescimento significativo em pouco tempo desperta as suspeitas de uso excessivo e desnecessário por parte de especialistas."

Carta Capital, novembro/2015

Sabe-se que o índice de pessoas que apresentam transtornos como o de ansiedade ou o depressivo aumentou progressivamente ao longo dos anos, principalmente nas grandes cidades. O que consequentemente aumentou o uso de ansiolíticos, especialmente benzodiazepínicos, como Clonazepam (Rivotril®), Diazepam (Valium®), Alprazolam (Frontal®), Bromazepam (Lexotan®) entre outros. Esses tranquilizantes são conhecidos por causarem dependência. Hoje, existem no mercado drogas eficazes para o tratamento dos mesmos tipos de transtorno com menos efeitos colaterais e resultados satisfatórios e com pouca ou quase nenhuma dependência. Ainda assim, é preciso ficar alerta e, muitas vezes, procurar mais de um especialista até se ter certeza de que é realmente necessário o uso de antidepressivos, ansiolíticos e afins. 
Como hoje se tornou comum ver pessoas ansiosas, com transtornos de ansiedade ou não, profissionais de saúde têm receitado indeliberadamente remédios controlados, que, se forem prescritos sem uma análise mais profunda do caso, podem até prejudicar o paciente. 
Psicólogos defendem que muitos desses transtornos podem ser tratados, embora a longo prazo, com a correta terapia. Mas, em entrevista com uma psicóloga, ela disse garantir resultados, ainda que amenos, no primeiro mês de tratamento. Contudo, a terapia, sozinha, parece não se mostrar eficaz em algumas pessoas, principalmente naquelas em que o transtorno já persiste há muito tempo. A indicação, para esses casos, é unir ambas terapias, tendo cautela com a terapia medicamentosa.
Um dos medicamentos mais prescritos para ansiedade é a Fluoxetina (Prozac®), que causa dependência moderada, ficando o paciente sujeito a sintomas desagradáveis no desmame. Um concorrente, a Sertralina (Zoloft®), causa menos dependência, e efeitos semelhantes. Drogas mais recentes no mercado como Citalopram (Procimax®) e Escitalopram (Lexapro®) são conhecidas por causarem menos efeitos colaterais e dependência mínima, contudo, muitos pacientes têm experiência de diversos sintomas colaterais, principalmente no início do tratamento e quando o tratamento é interrompido.
Portanto, não existe droga 100% segura. É necessário testar as diversas abordagens antes de partir para a terapia medicamentosa, que é recomendada em último caso, quando mais nada pareceu fazer algum efeito. A terapia medicamentosa mostra-se muitas vezes eficiente, promovendo a cura definitiva e melhora de qualidade de vida do paciente durante e após o final do tratamento. Contudo, em se tratando de drogas que afetam o sistema nervoso, é preciso ter cuidado ao utilizá-las indeliberadamente.
Não deixe que profissionais que não tratam de saúde mental prescrevam medicamentos ou deem diagnósticos de transtornos, como o de ansiedade. Clínicos Gerais, Plantonistas e Emergencistas NÃO podem dar diagnósticos definitivos sobre a sua saúde mental. Endocrinologistas tratam de transtornos HORMONAIS e não podem dar diagnósticos definitivos. Assim que profissionais de outras áreas sugerirem que você tem ansiedade ou depressão procure um PSICÓLOGO e um PSIQUIATRA. E o mais importante: NÃO SE AUTOMEDIQUE. Se um medicamento não funcionar (é necessário esperar, ao menos, 20 dias para que faça algum efeito), o profissional adequado escolherá outra terapia ou outro medicamento mais condizente com o seu problema. NÃO PARE DE TOMAR POR CONTA PRÓPRIA. Medicamentos para saúde mental podem causar efeitos colaterais por todo o corpo, crises de pânico, ansiedade, parestesias, tremores e tonturas. 

sábado, 7 de novembro de 2015

O lado bom da vida

Eu sei, é difícil.

As coisas passam tão rápido. A cada dia uma coisa nova. Ruim. Tantas adversidades que a chamamos de lunático quem opta por ver o lado bom das coisas, porque na maioria das vezes não conseguimos enxergar. A quem tem algum transtorno, então, como depressão ou ansiedade (ou os dois) essa prática é dada como impossível. A solidão passa a ser nossa melhor companheira, ainda que tenhamos pessoas nos apoiando, mostrando que estão lá para nós, nos sentimos sozinhos e, muitas vezes, por opção, por desanimarmos quando as pessoas parecem simplesmente não entender que a depressão não depende de coisas extrínsecas, que, apesar de ficarmos piores quando coisas ruins acontecem, não significa que as coisas boas nos trarão à tona.

Mas gostaria de propor algo diferente. Apesar de ser realista de natureza, pessimista de nascença e gostar de causar choques de realidade nas pessoas, para que elas enxerguem que ao final do arco-íris não há potes de ouro, hoje quero fazer outro choque de realidade. Em tempos de tantas tragédias, guerras, fome, injustiça, violência, tristeza, coletiva, individual, é preciso enxergar com olhos especiais. Há pessoas com problemas maiores, há pessoas com problemas menores, mas somente quem veste a situação sabe o que é estar nela, essa é a beleza da relatividade. Somos diferentes. Sofremos. Mas o bom e velho Adoniran já dizia algo que, como incrédula, agnóstica, pego como metáfora: "Deus dá o frio conforme o cobertor". As forças surgem de onde menos esperamos e quando mais precisamos. Caímos e levantamos quantas vezes for preciso. 

Portanto, hoje queria despertar esse enxergar especial em todos que tiveram anos, meses, semanas, dias difíceis. A todos que optaram por tentar ver o lado bom da vida. A todos que não conseguem ver esse lado. 

Helen Keller (deficiente visual e auditiva desde a infância, escritora e advogada) fez um texto dizendo o que faria se pudesse ter três dias para ver. O texto retrata tudo que precisamos. O que fazer se tivéssemos isso ou aquilo? Sonhos. Mas e o que fazemos com o que temos agora? Escrevemos nossa história e deixamos essa parte, da Helen Keller, para a hora que deitamos no travesseiro antes de dormir. E, se for algo palpável, possível, lutamos por essa coisa, mas sem, claro, nos desviarmos do nosso objetivo, que não chamo de conformista, chamo de otimista: que é simplesmente ver o lado bom de cada coisa que temos.



Toalhas quentinhas, recém passadas, com cheiro de amaciante.
Um passeio no parque, ao final da tarde.
Cachorros correndo e brincando.
Crianças sorrindo pra você.


Crianças curadas do câncer.
Quando compramos uma roupa nova que cai bem.
Um filme que você já viu tantas vezes que decorou todo o roteiro.


Abraço de vó.
Pegar o elevador vazio.
Chegar cedo em casa e pegar um pedaço de um programa que você adora.
Comida quentinha, fresca, quando você está com fome.
Ajudar alguém que precisa muito.
Lembranças da infância.



A lembrança de um momento bom, que ressurge com uma música, um cheiro, um lugar.
Rir até doer a barriga.
Dançar até não sentir as pernas.
A satisfação de terminar um trabalho.
Conversar com velhos amigos.
Uma cena engraçada de um filme que você ri sempre.


Destravar o celular e ver que tem mensagem de quem você gosta.
Sexta-feira.
Sábados ensolarados.
Sábados chuvosos.
Sábados.
Desenhos da infância.


Ganhar um presente.
Surpreender-se de uma maneira boa com alguém que você não esperava.
Água, quando você está com muita sede.
Um doce depois do almoço.
Brigadeiro.


Matar a saudade de alguém.
Ter alguém que se importa com você.
Ouvir sua música favorita tocar na rádio.
Tirar os sapatos ao chegar em casa, após uma noite badalada.
Cheiro de chuva.



Olhar as luzes acesas das casas e imaginar como a casa é por dentro.
Viajar à noite, pela estrada só ouvindo o barulho do vento e a lua acompanhando o carro.
Assistir suas séries preferidas.
Enfeites de Natal.



A ligação que você tem com personagens ao acabar um filme, um livro, uma série.
Reencontrar amigos após muito tempo e tudo parecer igual.
Quando você vê que alguém passou por um período muito ruim e superou.
Quando você vê que passou por um momento muito difícil e superou.

E, apesar de todas as adversidades, sabe que pode sempre contar com alguém.
Sabe que pode contar sempre comigo.

I don't believe in many things, but in you I do. <3





sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Segundo relato anônimo


Depressão A tristeza é um sentimento que se faz presente na vida de todos, mas comigo começou a ficar cada vez mais frequente e ela trouxe sua amiga angústia pra me apresentar. Lembro que tudo começou em um período de tempo que eu acumulava tarefas e as pessoas cobravam bastante de mim porque acreditavam na minha capacidade. Então tive problemas na família e tudo convergiu de tal modo que não pude suportar. Lembro do medo estampado na cara dos meus pais quando disse que não aguentava mais e, em prantos, afirmei que não iria conseguir sozinha. O início do tratamento foi difícil. Sentia muito sono e não conseguia me concentrar. Parei o hábito da leitura, não via mais filmes e nem seriados e não tinha muitos recursos para me distrair com meus amigos. Tive uma reação assustadora ao meu primeiro remédio, meu pescoço e rosto entortaram de tal modo que mal conseguia falar. Hoje, depois de ter parado a medicação e a terapia e ficado bem, sinto que piorei novamente e a dificuldade de me concentrar veio com força. O último ano da graduação foi tão complicado que criei uma imensa barreira com relação aos estudos futuros que luto para quebrar. Mesmo assim acredito que o segredo para a melhora é assumir que, quando enfrentar a vida é difícil demais, existe um problema e não é possível vencê-lo sozinho e que, se acontecer mais de uma vez, não é vergonha nenhuma pedir ajuda novamente. Terapia é muito benéfica e medicamentos, por mais que tenham efeitos negativos, muitas vezes se fazem necessários, mas acima de tudo, todos aqueles que amamos farão de tudo para não nos deixar cair e, caso a gente insista em desabar, estarão sempre ali para nos amparar e mostrar o valor que a depressão não nos deixa enxergar. Troquei de medicamento e tudo foi melhorando aos poucos, porém até hoje tento digerir meu último ano de faculdade e rostos e vozes dos docentes mais queridos me perguntando o que tinha acontecido comigo e o motivo do meu rendimento ter caído tanto.

L.S., sexo feminino.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Depressão não é "frescura"


Muitas pessoas tratam as patologias psiquiátricas e psicológicas como "frescura". Mas, claro, para elas, algo que não aparenta ser físico só pode ser uma invenção da cabeça.

Mas não é bem assim.

Depressão não é "frescura". Não é uma tristeza momentânea por um determinado acontecimento. Não é aquele vazio que normalmente sentimos em finais de tarde, a preguiça de levantar cedo na segunda-feira ou a falta de dinheiro no final do mês. A depressão não tem necessariamente uma causa específica, pode ser agravada por acontecimentos, palavras e até pelo descaso das outras pessoas, mas esses fatores podem ou não ser determinantes e isso varia de pessoa para pessoa. A depressão não atinge só quem passa por momentos de dificuldade financeira, morte de entes queridos, animais, decepções amorosas ou no trabalho, como todo mundo pensa que é. A depressão pode atingir qualquer pessoa e não precisa existir um motivo concreto. Assim como diversas doenças.

Portanto, para você que não tem depressão, vai aqui uma lista de coisas que você precisa saber.

1. A depressão não é algo que pode ser controlado por vontade própria

Não adianta falar para alguém que tem depressão que ela deve "pensar positivo", "parar de ser triste", "sair e se distrair". A depressão é um lugar escuro. E a luz está longe de ser alguma dessas frases prontas que se diz a alguém que terminou com o namorado ou perdeu o emprego. Tome muito cuidado com as palavras.

2. A depressão atinge qualquer faixa etária ou classe social

Não é porque a pessoa tem uma vida aparentemente "boa" que ela está livre de ter depressão. Primeiro, porque sabemos que a visão que temos da vida alheia é bem diferente do que ela realmente é. Segundo, porque problemas são subjetivos, somente quem passa por eles sabe a dimensão. Então não faça comparações esdrúxulas, como: "Tantas crianças passando fome na África e você que tem o que comer não levanta da cama", "Veja, ela não tem um braço e é feliz. Você com os dois fica nessa depressão". Isso é um retrocesso para a pessoa que está em depressão, em vez de ajudá-la, você pode até prejudicar e fazê-la regredir no tratamento.

3. Não se deve minimizar a dor de quem tem depressão

Complementando o tópico anterior, tratar a depressão como algo que 1. pode ser controlado; 2. sem importância, pois crianças na África têm fome; 3. que tem uma causa específica e a pessoa está exagerando é algo que pode prejudicar quem passa por esse processo. A pessoa, que não consegue entender por que está naquele lugar, começa a achar que nunca sairá de lá, pois ela mesma não compreende o que a levou até lá e se as pessoas à sua volta não conseguem compreender o mínimo, ela sentirá que está sozinha, isolando-se ainda mais de tudo.

4. A depressão não tem uma causa específica, mas pode ter agravantes

A pessoa pode estar em depressão por diversas causas, conjuntas, por uma causa específica, por um assunto mal terminado ou simplesmente sem nenhuma causa. Por isso, é imprescindível que quem deseja ajudar quem está deprimido saiba algumas coisas:

a.) não se deve julgar quem está em depressão (principalmente minimizando a dor e fazendo comparações esdrúxulas).
b.) deve-se evitar dar conselhos, conselhos só vão atrapalhar e fazer com que a pessoa se sinta ainda mais sozinha.
c.) não meça ninguém com a própria régua, se alguém com depressão pode não conseguir compreender outra pessoa no mesmo estado, você, que não se encontra nesse estado, pode, menos ainda, compreender a dor do outro. Apenas respeite.
d.) não empurre religião em alguém que não tem costume de ser religioso. Se a pessoa está aberta a isso, tudo bem fazer orações. Mas se a pessoa não tem esse costume, tentar empurrar rezas goela abaixo só vai fazer com que ela se sinta pior ainda, primeiro por não conseguir melhorar efetivamente com isso, segundo por não se sentir bem e terceiro porque cada ser é distinto do outro, então respeite a escolha de cada um. Falar em Deus não ajuda quem não quer ouvir, é um conceito básico.

5. Coisas que podem ser feitas para ajudar alguém próximo com depressão

a.) Ser paciente. Tenha paciência. Vão existira altos e baixos, dias ruins e dias ruins e, quem sabe, dias melhores. Mas nenhum deles será regra, não é algo que se pode prever. Então, tenha cautela e muita paciência.
b.) Estar presente. Mostrar-se presente, com gestos e atitudes, não apenas com palavras. As palavras entram e saem pelo ouvido de quem tem depressão e, acredite, alguém com depressão pode transformar qualquer conselho em algo ruim. Trata-se de algo intrínseco, que distorce a visão externa.
c.) Ouvir mais do que falar. Muitas vezes, as pessoas querem tentar expor o que sentem, mas têm vergonha ou receio de julgamentos precipitados, discursos prontos de como elas deveriam sair e distrair, ver coisas alegres, acreditar em Deus etc. Cansadas das mesmas coisas, acabam se isolando e se calando.
d.) Respeitar a dor alheia. Respeito é bom e todo mundo gosta. Cada um tem seu infinito particular, seu pedaço de mundo. Por isso, é importante não invadir esse espaço. Se a pessoa quiser falar, ouça. Se não quiser, não insista a ponto de piorar as coisas.
e.) Perguntar se está tudo bem ou se a pessoa precisa de algo. Tentar ajudar de uma forma honesta, sem precipitações, vendo primeiro o que a pessoa quer antes de qualquer coisa.
f.) Aprender sobre a depressão. Ler e procurar saber sobre antes de soltar qualquer frase pronta, clichê e absurdos do senso comum que só fazem piorar o estado de quem está depressivo.

6. Não banalize o transtorno

Muitas pessoas banalizam os transtornos, como se fossem estados de humor que podem ser mudados com um sorvete de chocolate. "Ai, hoje tô deprê", "Eu sou muito bipolar, de manhã tô brava e de tarde tô alegre", "Eu tenho TOC com isso".

BIPOLAR é um tipo de transtorno. É um transtorno GRAVE. Não é porque você tem modificações do seu humor mimado que você é bipolar. Se você tá bravinha de manhã e feliz à tarde não significa que você tem um transtorno. Seja responsável e não transforme a dor do outro em mais uma futilidade sua.

DEPRESSÃO é um transtorno. Não é porque você tá triste porque sua série foi cancelada que você está "deprê". Depressão tem tratamento e só é tratada como frescura por conta de banalizações como essa.

TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (TOC) atrapalha a vida de muitas pessoas. Não é porque você gosta de linhas simétricas que você tem TOC. TOC precisa de tratamento, acompanhamento e é um TRANSTORNO, não uma brincadeira da internet.

Ficou claro?

DEPRESSÃO NÃO É FRESCURA.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O poder das palavras

A palavra tem um poder imensurável.

Pelo menos na cabeça das pessoas. Dizer que não se importa todo mundo diz, mas no fundo é bem diferente.

As palavras afetam sim, principalmente, pessoas que estão vulneráveis, em guerra com a depressão, ansiedade e inseguras. E pior: as pessoas maltratam as outras a troco de nada. Nada mesmo. Porque não gostaram do jeito, do cabelo, da roupa e até de uma coisa que outra falou em um determinado momento e jamais foi confrontada. Não faça isso. Você não sabe pelo que a pessoa está passando. Você não sabe o quanto pode influenciar uma pessoa que tem tendência a ficar deprimida, a entrar em modo de autodestruição, que tem baixa autoestima. E esse é um dos motivos pelos quais as pessoas que estão nessas situações permanecem nelas por muitos anos, mesmo com terapia, mesmo com medicação, mesmo com pessoas que as amam ao seu redor. Porque uma crítica infundada e desnecessária, uma palavra mal utilizada, em tom de deboche, tem um peso muito maior do que mil elogios.

Os transtornos que envolvem a mente não são levados a sério como deveriam. São tratados como frescura, falta do que fazer, falta de um namorado, falta de um emprego ou qualquer coisa que justifique o abismo que a pessoa está prestes a pular, o fundo do poço no qual se encontra, sem nem ela mesma entender por quê. Mas a verdade é que não são necessários motivos concretos. A única coisa que pode desencadear uma crise é nossa mente e os fatores externos são um agravante. Porque cada um é diferente, cada um é afetado de uma forma, por algo, específico ou por um conjunto de coisas que dentro da cabeça faz muito, muito sentido, ao mesmo tempo que não faz nenhum.

As enfermidades psiquiátricas são as que mais crescem, não só no Brasil, mas no mundo. O mal do século XIX era a tuberculose. Enquanto, hoje, não lutamos contra uma bactéria, mas, sim, contra nossa própria mente. 

Então, se pretende usar a palavra, use-a com responsabilidade. Use-a sem julgar. Use-a para ajudar.

Se não for para isso, então o mais sábio é calar-se.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Primeiro relato anônimo

Tive uma série de problemas familiares, juntou faculdade e trabalho.
Comecei a passar mal no emprego: falta de ar, taquicardia, suor excessivo.
Pânico.
Estava instaurada a minha guerra contra o desconhecido.
Hospital diariamente..
Meus exames estavam ótimos...!
Me perguntava:
Deus, o que eu tenho? Acho que prefiro morrer...
Exames atrás de exames, amizade até com a mocinha da limpeza do hospital Le Forte no morumbi.
Os médicos, já meus íntimos, aparentemente cansados de ver meu rosto, disseram:
S., você tem pânico associado à grave depressão.
Eu imediatamente esbravejei, num tom incrédulo e de certa forma rude:
Vocês estão loucos?? Eu não tenho isso! Eu estou doente fisicamente!
Por pouco eu não disse:
EU NÃO SOU LOUCA, VOCÊS SÃO INCOMPETENTES, CEGOS OU O QUÊ??
Revolta.
Pensei: Eu não vou voltar naquele hospital.. Onde já se viu..?
Baixa hospital no dia seguinte e nas semanas seguintes e no mês seguinte...
Parei com hospital.
Parei com higiene pessoal.
Parei de comer.
Não levantava da cama, sentia meu corpo atrofiando lentamente.
Já não tinha forças...
Certo dia pensei:
- Quer saber? Acho que pode ser que eu tenha isso.. Mas o que é isso?
Eu não entendia...
Volta ao hospital.
- Doutor, como resolve?
- Você precisa de um psiquiatra.
Silêncio....
- Entendi... Vou ter que tomar "remédio de cabeça"?
- Dependendo do diagnóstico do médico, será necessário tomar.. Provavelmente você tem uma falha em algum neurotransmissor ou falta de serotonina.
- Ah, tudo bem. Obrigada Doutor.
Vai ao psiquiatra.
Toma um remédio, não fez bem.
Testa o próximo, não funciona.
O seguinte, efeito reverso.
Piora no quadro.
E outro, outro, outro...
Suicídio.
Três tentativas mal sucedidas. Sempre o salvador da pátria aparecia...
Será que sou um fracasso até para me matar? Nem pra isso sirvo.! Meu Deus, por favor, me leva...
Frustração, outra tentativa... Eu precisava sair daquilo.
Tomo cinquenta comprimidos diversos.
Agora vai.
Não deu.
O salvador chegou.
Hospital.
Enfermeiro sem paciência, mas, a médica que me conhecia chegou, me abraçou e aguardou o procedimento.
Cinco horas de lavagem.
Parei com os remédios, nenhum adiantou.
Ainda luto contra a mente, hoje estou bem melhor, mas, ainda dói.
A gente vai andando, continua aos trancos e barrancos... Finge sorriso, finge paz, finge vida...
Mas, quem sabe se eu continuar fingindo aquilo não vira real?
Continua...

S.R., sexo feminino, 27 anos.