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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Sobre os sintomas da ansiedade


Olá, classe.

Hoje eu tô aqui para falar novamente sobre os sintomas que eu tenho quando estou em crise de ansiedade (porque ansiosa eu estou o tempo inteiro). Eu já falei sobre esse assunto aqui mais de uma vez, mas queria falar novamente, porque sempre é bom mostrar para que as pessoas se identifiquem.

Falta de ar: Esse é meu primeiro sintoma, eu tenho muita falta de ar, começo hiperventilar, respirar curto ou fazer muita força para respirar fundo. Parece que meus pulmões estão entrando em colapso. Geralmente, quando o médico mede o oxigênio, está bom e o pulmão não tem chiado. Isso é um sinal que a falta de ar é consequência da ansiedade.

Suor: Suor, frio de preferência. Acompanhado daquela quentura que vai dos pés à cabeça.

Tremor: Mãos e pernas tremendo, pernas desobedecendo, sensação de fraqueza.

Pontadas: Pontadas e alfinetadas em várias partes do corpo. Pernas, braços, barriga. 

Tontura: Sensação de estar flutuando, como se tivesse pisando em nuvens.

Visão turva: Sensação de que não estou enxergando, como se tivesse algo embaçando minha visão.

Coração acelerado: A milhão mesmo, como se fosse sair da boca.

Formigamento: Nos braços, nas mãos e pernas. Às vezes no rosto.

Dor na barriga: Como uma cólica, junto com um enjoo.

Falta de fome: Quando estou ansiosa não consigo comer nada. Posso ficar assim por dias. Antigamente, quando era bem mais magra, virava um palito.

Insônia: Dormir? Impossível. Quando durmo, tenho pesadelos ou paralisia do sono.

Moscas volantes: Aqueles pontinhos pretos na visão, sabe? Em períodos de mais ansiedade, eles são mais aparentes. Ah, estão em um olho só, sabe-se lá por quê.

Tremor nas pálpebras: Espasmos nos olhos. Às vezes só em um, às vezes nos dois. Às vezes até no nariz e na boca. 

Sensação de estar sumindo: Como se um buraco estivesse aberto e você estivesse entrando nele, tudo ficando escuro e você estivesse sumindo.

Tristeza e vontade de chorar sem motivo aparente: Tudo está ok. Mas eu choro muito, sem necessariamente precisar de algo concreto.

Essas são algumas coisas principais que consigo lembrar. E você, quais são os seus sintomas? 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Diário dos 40 dias de Escitalopram e Buspirona

Olá, terráqueos!

Ontem fui buscar mais 60 cápsulas de Buspirona (15mg) e Escitalopram (15mg). Acabei de tomar 40 cápsulas. Parece que o período mais difícil já passou. Mas vou contar aqui um pouco do que ocorreu nesses 40 dias de remédio. 

Na semana que antecedeu a consulta ao psiquiatra

Estava passando muito mal, pernas duras, pontadas pelo corpo, moscas volantes, visão embaçada, tonturas, falta de ar. Para chegar à consulta foi um martírio, andava e parecia que estava flutuando. Consulta feita e o veredito: antidepressivo e ansiolítico. Oxalato de Escitalopram, 15mg, dose relativamente alta para quem nunca usou esse tipo de medicação. 

Primeira Semana

A primeira semana foi, certamente, a mais difícil. Muitos, muitos efeitos colaterais. Conheci pessoas que tomavam a mesma medicação sem ter tido nenhum dos efeitos que eu tinha e também muita gente que teve efeitos iguais ou até mais severos. Os sintomas, que combinados com os que eu já tinha, ficaram mais intensos. Muita tontura, visão turva, tremores nas mãos, fome nenhuma, não conseguia dormir, se deitava na cama, queria levantar, se levantava não sabia o que fazer, se deitava, se andava de um lado para o outro, era uma sensação de impotência, estava perdida e não sabia o que fazer. Tive crises de pânico, boca muito seca, pupilas dilatadas, tremores e mais tremores, muita falta de ar, fui parar no Pronto Socorro mais de uma vez. Pensei em parar de tomar o remédio.

Segunda Semana

Na segunda semana, os sintomas continuaram, mas menos intensos. Não tive mais crises de pânico. Ainda tinha a sensação de estar flutuando, com muitas dores nas articulações e sensações de queimação na pele. Muito enjoo e nada de sentir fome. A depressão também melhorou, já não sentia constantemente aquela angústia sufocante. Ao final da segunda semana, tudo começou a melhorar.

Terceira Semana

A terceira semana começou melhor, parei de ir ao PS. Os sintomas amenizaram, fui a uma consulta no neurologista, que só me fez crer que tudo que eu tinha era mesmo ansiedade. Foi quando decidi criar o blog. As pontadas no corpo diminuíram significativamente e a tontura simplesmente sumiu. As dores nas pernas ainda surgiam de vez em quando, mas começaram a reduzir também. As moscas volantes continuavam incomodando, mas, após ir ao oftalmologista, fazer diversos exames acabei descobrindo que era um problema mais comum do que eu imaginava, que poderia se tornar incômodo a quem sofre de estresse, depressão ou ansiedade. 

Quarta Semana

Quase nenhum sintoma, algumas cismas. Parei de pesquisar na internet. Pontadas raramente, uns dias melhores que os outros. Visão melhorou. Tontura não apareceu mais. Porém, notei um pouco de hiperatividade. Não conseguia desligar. Ficar parada assistindo a um programa ou sentar para fazer algo mais monótono. Muita, muita energia, mesmo quando estava moída de cansaço. Porém, o humor estava melhor, não chorei, nem me senti tão angustiada. Alguns pensamentos pessimistas, mas não constantemente e durante o dia MUITO SONO, muito sono mesmo que tivesse dormido a noite toda.

Quinta Semana

Praticamente nenhum sintoma. Nunca mais pesquisei nada. Moscas volantes reduziram um pouco. Pontadas também. Aparecem alguns sintomas nos dias que estou mais ansiosa. Tontura não senti mais, falta de ar praticamente sumiu. Dores nas pernas melhoraram muito, agora só dói quando faço exercícios pesados, como qualquer pessoa normal. Muito ânimo e humor melhor. Não choro ou me desespero há pelo menos 3 semanas. Ainda tenho pesadelos e sensações ruins, mas não posso querer tudo de uma vez.

Hoje

Hoje começo mais 60 cápsulas. Mais 60 passos. Um atrás do outro, sem me precipitar. Vivendo um dia de cada vez. O processo é lento, mas o resultado é inexplicável. Lembro-me de algo que o psiquiatra disse na minha primeira consulta, eu não conseguia parar de tremer as pernas e suava muito. "Você só vai entender quando fizer efeito e você começar a melhorar, mas isso só acontece, pelo menos, depois de 20 dias". 

Aqui estou compartilhando mais uma etapa com vocês. Levei anos com sintomas indo e vindo e seis meses de uma sensação horrível inexplicável para procurar um profissional que trata de saúde mental. Não devemos deixar de lado só porque "é coisa da nossa cabeça", porque o cérebro é algo maravilhoso, mas muitas vezes difícil de lidar, pois comanda todo nosso corpo e nos prega muitas peças. O importante é não sentir vergonha do que sente, buscar ajuda onde conseguir, amigos, familiares, namorado(a), trabalho, animais de estimação, mas, principalmente, quando fugir do controle, ajuda profissional. 

Estou à disposição para quem quiser contar o relato, anonimamente, reservadamente, ou quiser apenas conversar sobre.

Mais um dia.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Boas vindas da ansiosa criadora deste blog :)

Meu nome é Natália, sou revisora, trabalho em horário comercial, levo muitos freelas para casa e adoro o que faço. 

Criei este blog no intuito de ajudar pessoas que sofrem dos mais diversos transtornos e, principalmente, ansiedade. Ia fazer um post de introdução, mas preferi começar com um relato.
Eu estou em processo de adaptação do meu remédio, ainda, que tomo há 3 semanas. Em vista do jeito que estava, agora estou bem melhor.

Meu primeiro sintoma foi a falta de ar. Já tinha tido diversos episódios de falta de ar, acompanhada de uma "tontura flutuante". Cheguei a fazer teste para labirintite, foi constatada hiperinsulinemia. Mas, com essa constatação, o fato de que eu só deveria me sentir dessa forma caso estivesse com a glicose baixa, o que não era o caso. Eu me sentia assim o tempo todo e a glicose estava normal na maior parte do tempo.
Depois da falta de ar, veio a visão turva. Parecia que eu não enxergava. Mas só que eu enxergava, era uma impressão de estar em outro plano, diferente do das pessoas ao meu redor.
Como estava tomando isotretinoína na época, muita dor nas pernas, que melhorou com o tempo. Mas, como eu estava viciada em buscar sintomas, qualquer dor que eu sentia, era uma terrível constatação.
Estava certa de que tinha alguma doença grave incurável. 
Depois de tanto procurar sintomas, comecei a ter os mais diversos. Pontadas por todo o corpo, o dia todo. Moscas volantes, ah as malditas moscas volantes! Pontinhos flutuando pelos olhos, principalmente o esquerdo. Coincidentemente, o olho que eu achava que estava enxergando menos.
Ferrou. Idas a hospitais e médicos. Exame de fundo de olho. Mapeamento de retina: nada. Dor no peito. Eletrocardiograma, raio-X: nada. Hemograma: nada. Exames hormonais, do fígado, pâncreas, tireoide, doenças infecciosas. Exames para detectar coágulos, doenças autoimunes: nada. Colesterol? Excelente.
Os médicos diziam "Esses sintomas não se encaixam em nenhuma doença, porque são muito diversos". E eu pensava: e se eu tiver ansiedade E A DOENÇA?
Mais horas em frente ao computador pesquisando, pesquisando, pesquisando. Phd em neuro, cardio e oncologia. 
Depois de relutar e perder a essência de viver, achando que, se dormisse, não mais acordaria, decidi ir ao Psiquiatra. O decreto foi: transtorno de ansiedade generalizada e transtorno obsessivo compulsivo. E a pena: 15mg de escitalopram, 15mg de buspirona e, ocasionalmente, 5mg de diazepam (o Valium). 
O começo foi horrível. Os sintomas pioraram. Crises de pânico.
E sabe o que é pior? As pessoas me dizendo "Você tem que se distrair", "Você tem que não pensar nisso", "Você tem que sair para esfriar a cabeça, fazer algo que você goste". Não me entendam mal, sei que querem ajudar: mas se isso está fora do MEU alcance, quem dirá do de vocês? Não existe palavra possível que possa nos arrancar essa angústia, esse gosto amargo na boca, essa preocupação excessiva.
Os passos são pequenos. A cada coisa que acho no meu corpo, penso ainda estar sofrendo de alguma doença. Manchas roxas, quando minhas pernas doem, desconsiderando que pego muito peso na academia sem esforço, eu ainda acho que existe um motivo diferente, que não este, ou o cansaço (porque não paro 24h) para uma dorzinha. 
Mas, estou caminhando para frente. Já consigo passar parte do dia sem pesquisar nada. Já cheguei a ficar 5 horas seguidas pesquisando e lendo sintomas e, como se não bastasse revirar todo o Google em Português, comecei também a pesquisar em Inglês. 

Tenho muitos relatos sobre mim, sobre minha infância, meus traumas (e a ausência deles). Mas vou aos poucos. Primeiro quero dar boas vindas a todos. Esse espaço é para todo mundo e espero que todos aproveitem. Espero também conseguir ajudar, na medida do possível, aqueles que passaram e passam por situações semelhantes. 

Bem-vindos.