Mostrando postagens com marcador escitalopram. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escitalopram. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de março de 2019

É hora de voltar



Olá, ansiosos. Demorei, mas voltei. 

Voltei porque achei que devia, são tantas pessoas que continuam entrando em contato comigo por aqui, que seria até deselegante da minha parte sumir de vez. Mas é que, como eu disse, é muito difícil escrever quando estou em crise ou com muita ansiedade. E o ano de 2018 e o começo de 2019, para mim, foram muito difíceis. É muito difícil reunir forças para dizer o que sente e escrever sobre quando existe um misto de sentimentos inexplicáveis. Eu não sou boa com emoções. 

Era hora de voltar.

Vou escrever isso hoje (27/02), mas não sei quando terei vontade de postar. 

Em resumo: Minha vó, a pessoa da minha vida, faleceu na virada de 2017 para 2018. E, quando eu estava quase entrando nos eixos, descobri que tinha um tumor no ovário potencialmente maligno, tive que tirar (junto com ovário e trompa), não precisei de quimioterapia porque não tinha se espalhado. Depois desse ano intenso e pesado, perdi a Cherzinha (minha cachorrinha tão especial) no segundo dia de 2019. Como se não bastasse tudo que aconteceu, decidi por um ponto final em uma relação de cinco anos por incompatibilidade de ideias e mais outras coisinhas que nem cabem ser explanadas aqui. Fiquei, por fim, sozinha, como gosto, como quero, como sempre quis. Mas, nesse caso, não é um sozinha tão feliz, porque perdi as pessoas da pior forma. No entanto, de qualquer forma, como sempre, eu me basto, eu me autocompleto, eu e meu ego, às vezes gigante.

Estou tendo crises constantes desde o início de janeiro, depois que Cherzinha morreu. Até então, não achei que isso fosse me afetar de alguma forma, já que sempre tive crises, sempre consegui superar, sempre passei pelos momentos difíceis da vida ressurgindo das cinzas como uma fênix.

Mas dessa vez precisei de ajuda. Precisei voltar ao Psiquiatra e recorrer a outros remédios. Precisei reequilibrar meu lado espiritual, precisei de rituais de energização e limpeza. Eu acredito muito em energias negativas e positivas e sou supersticiosa. Não vou dizer que tudo isso melhorou meu estado, mas tem reduzido minhas crises. Agora, além do Escitalopram e da Buspirona, eu tomo também Zolpidem para dormir e Desvenlafaxina. O Zolpidem me faz cócegas, disseram que eu ia delirar, capotar de sono. Tomo e parece que tomei uma dose de energético. Eu não durmo uma noite inteira em paz há anos, mas agora eu acordo de hora em hora, às vezes fico durante horas acordada e vejo o Sol nascer. É lindo, por sinal, mas só aparece para lembrar que, mais uma vez, não dormi.

Eu magoei muitas pessoas estando nesse estado e tenho consciência de que, uma vez ditas, as palavras não podem ser retiradas. Mas eu não vou desdizer nada, não vou retirar nada do que disse porque se eu disse, ainda que na raiva ou em crise, significam algo, mesmo que pesado ou duro demais. Mesmo que refletindo todas as coisas ruins que habitam meu interior. Apesar de tudo, eu não sou uma pessoa totalmente negativa e fico feliz com as pequenas coisas, coisas ridículas do dia a dia. Coisas como comprar um produto novo de limpeza, ajudar alguém na rua, comprar almoço a alguém que precisa, ver o sol se por, comer um doce que gosto muito. Eu sou dessas pessoas fáceis de agradar e que gosta de agradar as pessoas com coisas simples. E esse é um dos prazeres que a ansiedade me tira: eu perco a vontade ajudar, eu perco o ânimo que tenho com as coisas pequeninas que tanto me fazem feliz. 

É uma luta diária, não vou mentir. Mas só posso dar um passo de cada vez. Alguns dias são mais difíceis do que outros e fico sem perspectiva. Eu sei que o azul do céu tá lá, mas eu não consigo enxergar, eu não consigo apreciar, eu não consigo ver. E, em dias bons, mesmo o céu estando cinza, eu penso "puxa, que dia bonito, cinza, eu adoro cinza".

Mas, assim como os dias bons correm, os dias ruins também passam. Então, é hora de voltar. Então eu revivo, ressuscito e renasço, das cinzas, como uma fênix, mais forte, mais intensa, mais sábia e as pancadas ficam cada vez mais indolores. Amadurecimento. Aprendizado. Não me arrependo de nada. De nenhuma loucura que fiz nos meus momentos de impulsividade. Lamento, contudo, as pessoas que magoei com minha inconstância e minha falta de pulso firme para resolver situações. Porque a verdade é que eu não sei, queria saber, mas não sei. Eu não consegui decifrar nem metade do que sou, quem dirá entender o que sinto. Eu me desdobro para que minha energia ruim não passe para as pessoas, então, mesmo nos meus piores dias, não deixo transparecer e, se deixo, é porque realmente é um dia muito, muito ruim ou é uma pessoa que, por algum motivo que não sei explicar, me faz sentir à vontade para soltar meus demônios. Depois de voltar das cinzas, mais uma vez, nada mais pode me parar.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O limite da paciência


O psiquiatra receitou mais 4 meses de escitalopram + buspirona (dose máxima). Eu melhorei em relação a algumas coisas, outras continuam intactas, meu desespero é o mesmo diante das coisas que eu tenho para fazer, por exemplo. Mas eu fico me perguntando quando esse pesadelo irá acabar se é que vai. O remédio me ajuda, não queria precisar tomar, mas o medo de parar acarreta ainda mais crises de ansiedade.
Semana passada melhorei um pouco, mas voltei ao estresse no limite, porque eu simplesmente não aguento as cobranças e, quando as pessoas para de me cobrar coisas, eu acho que a cobrança fica implícita e eu me cobro. Isso me desgasta muito. 
Eu ando na rua querendo trucidar as pessoas na minha frente, jogá-las na linha do trem, eu não aguento lerdeza e parece que o mundo é lerdo: para andar, para fazer um trabalho, para responder a uma pergunta simples, para registrar um pedido no caixa, entre outras coisas que eu poderia ficar infinitamente citando. Elevadores me irritam, quando vejo que tenho companhia, sinto vontade de subir 9 andares de escada. No prédio onde moro, dá para ver as pessoas que chegam da rua de lá da área do elevador e é educado esperá-las quando o elevador chega, não tenho muita escolha, minha vontade é de subir correndo e deixar a pessoa lá embaixo, fingir que não vi, mas ainda tenho um pouco de bom senso, tento respirar fundo e pensar "não custa nada atrasar 30 segundos", mas eu subo desgostosa se a pessoa vai descer um andar antes de mim, porque, claro, vai demorar mais se o elevador fizer uma parada antes do meu andar. Eu estou sempre acelerada, como se não fosse dar tempo de fazer nada, com raiva de gente preguiçosa, que dorme demais, que tá sempre cansada, sempre querendo dormir, acha que andar 5 metros cansa, eu até tento ter empatia, porque né, eu preciso dela, mas não consigo, eu simplesmente não consigo!
A academia é um estresse à parte. Eu chego querendo matar as pessoas e saio de lá com um plano de eliminação em massa. Eu só cumprimento algumas pessoas por obrigação, para, sei lá, não acharem que eu me acho melhor que elas, porque na verdade não é isso, eu só não suporto pessoas e, em lugares com dezenas delas, eu fico mais acuada, querendo sumir, principalmente quando tenho que interagir. A academia tem 3 andares nos quais você pode malhar, sendo que dois deles possuem os mesmos aparelhos, mas, como eu me acostumei a malhar no último andar, eu não consigo simplesmente mudar, se tivesse que fazer isso, seria um processo e talvez não teria volta. Eu preciso dessas rotinas para sobreviver na sociedade, preciso ter algumas certezas, controlar algumas coisas, ser metódica. E aí, quando alguém senta no aparelho que eu queria usar, eu fico desolada, porque as pessoas, ELAS SÃO LERDAS, não sei se já disse isso (tsc). Sem contar que elas suam e eu tenho nojo até de passar o álcool gel para limpar os aparelhos antes de usar, porque, sério, aquele paninho, urgh!
O mercado é um teste de paciência. As pessoas para os carrinhos NO MEIO do corredor, eu tenho vontade de tomar distância e acertar correndo o carrinho delas com o meu, pra ver se capota, causa um estrago. Derrubar umas latas na cabeça delas pra ver se acordam e o cérebro funciona. A fila é um espetáculo isolado, eu entro em transe de tanto ódio de gente tirando muita dúvida inútil, batendo papo, sendo lerda para procurar cartão, embalar as compras! Olha, não é fácil.
Mas o metrô é o lugar diário onde mais tento relevar, porque aquela terra de ninguém é uma ameaça à saúde cardíaca. As pessoas são muito mal educadas e com a má educação vem a lerdeza. Sabe? A LERDEZA! Elas deixam para procurar o bilhete na catraca. Elas param na porta sendo que não vão descer. Elas entram no metrô LENTAMENTE enquanto tem um monte de gente atrás querendo entrar também. Eu quero matar essas pessoas. Às vezes alguns pensamentos agressivos passam pela minha mente, olho praquela pessoa estacionada deliberadamente no meio da porta, interrompendo a passagem, com espaços dentro do trem, sendo que não vai descer e me imagino puxando cabelo, socando a cara, entre outras coisas.
Eu queria mesmo ser uma pessoa melhor, mas eu não consigo. Não consigo porque tudo que preciso fazer envolve algum tipo de interação humana e isso me dá nos nervos. A única coisa que me acalma é quando encontro algum animal na rua, brinco, converso, passo a mão, que infelizmente onde moro não é permitido ter animais, mas as minhas plantas também me acalmam. Mas é só. SÓ ISSO. Até para ver série tenho me estressado, com os personagens, inclusive, até sonho com eles.
Não faço nada por mal ou tenho uma implicância gratuita com o mundo. Eu sou muito ANSIOSA e as pessoas me parecem todas tranquilas demais e eu começo a odiar essa tranquilidade, porque eu não consigo imaginar como ela existe. "Mas você não tem empatia e quer empatia?", olha, empatia, no momento, é uma coisa que não tá dando pra ter. 
E, por fim, em relação aos amigos, eu simplesmente não aguento mais. Assim, estou esgotada, não quero sair, não quero que venham em casa, não tenho vontade de ouvir seus problemas, nem de contar os meus, porque eu não tenho vontade de conversar com eles. Acho que se eu não morasse com meu namorado, existiriam momentos assim também na hora da comunicação. É muito complicado, as pessoas ficam chateadas, mas eu não consigo, eu começo a ficar com raiva delas quando elas são insistentes, egocêntricas e começam a falar da vida delas (que na verdade é uma coisa normal que as pessoas fazem, é o que estou fazendo aqui), mas eu não consigo ouvir/ ler "eu fui", "eu fiz", "eu tô assim", "eu tô assado", que eu começo a sentir pontadas, ficar com falta de ar, me dá nervoso, eu não aguento as pessoas, eu tento repelir, mas parece que atraio mais!

Fica aqui esse desabafo de uma ansiosa dominada por sua ansiedade que não consegue aceitar a vida em sociedade e o fato de que, infelizmente, tenho que (con)viver no mesmo espaço que outras pessoas. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A ansiedade depois de um ano de Escitalopram e Buspirona


No dia 14 de setembro de 2015, tomei meu primeiro ansiolítico, uma dose manipulada composta de 15mg de escitalopram e 15mg de buspirona. O primeiro efeito colateral foi a dilatação das pupilas. Fui ao banheiro e, ao me olhar no espelho, logo notei algo estranho com meus olhos. Como ansiosa, a tendência é reparar em cada mínimo detalhe, cada mudança quase imperceptível do corpo. Com isso, fiquei preocupada.
Em seguida, vieram mais sintomas. Tontura, enjoo, formigamento, queimação nos membros inferiores e nas mãos, tremores, boca seca. Na mesma noite, acordei com uma crise de pânico e fui parar no hospital. Bom, o resto vocês já sabem, contei por aqui. 

Mas queria fazer um balanço desse primeiro ano tomando ansiolítico.

Obviamente, o início foi o mais difícil. Noites sem dormir, efeitos colaterais severos. Acentuação da ansiedade. Eu tive uma melhora drástica no primeiro mês. Depois de cerca de 40 dias tomando o remédio, eu era outra pessoa. Tinha parado de pesquisar doenças, estava menos ansiosa, mas mais acelerada. Sempre fui acelerada, mas eu adquiri uma inquietude que não é normal. Eu simplesmente não consigo ficar parada. Se deito, quero levantar, se levanto, fico para lá e para cá, sem conseguir parar de fazer serviço. Adquiri, também, uma estranha obsessão por limpeza. Limpar me torna plena, parece que as coisas só vão para o lugar depois de fazer algum tipo de arrumação ou limpeza. 

Tive dias muito difíceis, cismas, pensamentos ruins, nos primeiros meses muitos pesadelos estranhíssimos, surreais. A desconfiança com doenças não passou. Melhorou, mas não passou. Dei a mim o benefício da dúvida, resolvendo checar antes as informações sem ficar tão paranoica. Lógico que fiquei paranoica muitas vezes sim, sem dormir e achando que iria morrer. Mas são dias e dias e a gente vai vivendo um por vez. Confesso que tenho um certo medo de parar de tomar o remédio e voltar à estaca zero, àqueles dias de terror e angústia.

Mas, no geral, eu melhorei sim. Apesar das manias adquiridas, eu estou menos obcecada. Não posso dizer preocupada, porque preocupada eu estou sempre. Os pensamentos pessimistas não desocupam a minha mente. Eu imagino as piores tragédias com as pessoas que gosto, os piores acontecimentos comigo em situações diversas do cotidiano e, claro, as piores doenças. 

Notei também que tenho picos de paciência e impaciência. Consigo me controlar em algumas situações, coisa que não ocorria antes. Contudo, eu explodo de maneira muito pior, descontrolada, como se o mundo estivesse desabando ao meu redor, é horrível. É um impulso que não sei dizer de onde vem nem como controlar, eu só preciso explodir, gritar, xingar, qualquer coisa. Eu até tento trabalhar na ideia de "ser um ser humano melhor", mas é um esforço que não consigo fazer no momento.

Eu estou há dois anos sem férias, vou tirar férias em outubro (agora). Confesso que estou muito cansada, mais mentalmente. Contudo, já estou preocupada com o que vou fazer, porque eu simplesmente desaprendi a descansar. Eu ando tão acelerada quanto uma criança hiperativa sem ritalina. Espero que eu consiga dormir pelo menos 8 horas, deitar e assistir televisão sem pensar nas mil coisas que assombram a minha mente.

A ansiedade é como uma sombra e, algumas vezes, está à nossa frente. Não conseguimos nos livrar porque, para nos livrar, é necessário andar na direção oposta. Mas quem consegue? Quem está disposto a andar na direção oposta de forma drástica? A ansiedade é tão implacável que, quando decidimos fazer algo a respeito, ela já tomou conta de todas as horas do dia, até aquelas poucas de sono. 

Ser ansioso é como estar em um pesadelo em que as pernas não correspondem. É como ficar submerso, sem ar e, ao tentar retornar à superfície, encontrar uma camada de gelo espessa. Você até conseguiria quebrar, mas não tem forças porque ficou muito tempo sem ar.

De todas as coisas, a pior é ficar sem ar. Visão turva, pápebras tremendo, moscas volantes, tontura, dores nas pernas, formigamento, tudo isso é muito ruim. Mas quando o ar não vem, eu só fico tentando desesperadamente respirar fundo, mas só piora. E, até ter consciência de que na verdade é minha cabeça que precisa de ajuda, eu já estou sufocada. 

Literalmente e metaforicamente.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ansiedade, ansiedade, ansiedade...


Aqui estou mais um dia, sob o olhar sanguinário do vigia...

Essa noite acordei sufocada. Com muita falta de ar, achei que iria morrer. "Não tô conseguindo respirar", pensei comigo. E fiquei virando de um lado a outro da cama. Comecei a pensar em outras coisas aleatórias, minha respiração foi se acalmando e aos poucos eu consegui voltar a dormir. Ansiedade. Tenho uma coleção de "chapas" do pulmão aqui. Dá para fazer barulho de trovão em peça nos próximos 200 anos. 

Aí vêm as perguntas de pessoas que, obviamente, não veem a ansiedade como um transtorno.

"Mas, Natália, existe algum motivo específico que gere tanta ansiedade?"

Se existisse um motivo e todo mundo descobrisse, para quê psiquiatria? A verdade é que não tem um motivo sólido, às vezes algum motivo piora as crises, mas no geral, são pequenos motivos juntos e às vezes não tem nada que esteja incomodando a gente genuinamente.

"Mas, se não tem motivo, é só você se distrair que passa!"

Não necessariamente. O x da questão é exatamente esse. Não é simples pensar em outras coisas, distrair, desligar. Às vezes os sintomas chegam sem que estejamos em momentos de tensão, somos pegos de surpresa, como no meio da noite. Como já estou bem treinada, eu às vezes consigo me controlar – mas também estou medicada com a dose máxima de escitalopram e buspirona, o que francamente ajuda.

"Mas você já tomou chá de Camomila?"

Nem vou responder.

"Mas você já tentou calmante natural?"

...

É por causa dessa banalização dos transtornos psiquiátricos, que são tratados como momentâneos ou como "frescura" que as pessoas que sofrem de ansiedade acabam piorando, mergulhadas em dúvidas como "Mas se é tão simples, por que não consigo sair desse lugar?". 

Primeiro: Não é simples. A primeira consciência é essa. O que em partes me tranquiliza, como hipocondríaca diagnosticada e portadora de TOC, pelo menos não tenho nenhuma doença física terminal. Mas que em partes me aflige, porque eu fico sem saber quando esse pesadelo termina. Tem dias que não sinto nada. Tem dias que desde cedo aparecem as pontadas no corpo, falta de ar, visão turva. "Não estou enxergando hoje" penso. E a nossa mente é tão traiçoeira, que, mesmo enxergando, estando consciente de que estou vendo, eu continuo achando que não estou enxergando.

Compreendem? 

Não é uma neura. É um pensamento fixo obsessivo que simplesmente não vai embora.

Ter ansiedade é como perder as forças para as coisas, estar no fundo de um poço escuro cuja escada aparece e desaparece sem que você tenha chance de subir. Como se seu corpo estivesse preso sem que você consiga se mexer. Assim como acontece na paralisia do sono. Você grita, a voz não sai, você tenta correr, as pernas não andam. Você fecha os olhos desejando que seja um sonho. 

Mas tem horas que não é.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O bom e velho pessimismo

Sensação de raio iminente.




Fiquei quase um mês sem postar pela falta de tempo mesmo, continuo disposta a publicar relatos caso alguém quiser compartilhar a experiência.

Primeiro: Feliz Ano Novo!

Faz 4 meses que estou tomando Escitalopram e Buspirona e posso afirmar que estou bem, apesar dos efeitos colaterais que vão e voltam. 

Então, qual o problema? O problema é exatamente esse. Na medida do possível, tudo está bem. Porque quando está ruim, está ruim, você não espera mais nada. Mas quando está tudo bem, fica aquela sensação de raio iminente. Que a qualquer momento tudo vai desabar e vai acontecer uma catástrofe. Seja no trabalho, na vida pessoal, na saúde...

Sabe, aquele pessimismo clássico de quem é ansioso. Eu até comemoro quando alguma coisa relativamente insignificante dá errado e penso "ufa, algo deu errado hoje". Mas eu carrego comigo essa constante agonia de que algo ruim irá acontecer a qualquer momento. Vou ser atropelada. Vão me assaltar. Vão fazer algo com minha família. Alguém que conheço vai cair na linha do trem. O prédio vai desabar, entre outras coisas (absurdas ou possíveis ou absurdas, mas possíveis) rondam a minha mente quando o silêncio bate.

Não levem a mal, o remédio me ajuda a parar com pensamentos obsessivos sobre as doenças que eu achava que tinha, ajuda a me controlar melhor diante de situações que causariam normalmente mais ansiedade. Só que eu continuo com um contante medo não-sei-de-quê, bom, na verdade de tudo.

Sem contar as coisas que eu vislumbro daqui a meses, que nem são certas ainda, e eu já me preocupo, descabelo, desanimo. 

Recebo os trabalhos e não consigo ficar um dia sem mexer nos freelas e descansar. Com o prazo de um mês de antecedência entrego as coisas da faculdade porque simplesmente não consigo ter nada pendente e viver ao mesmo tempo. Se tenho qualquer coisa pendente para fazer, começo a enlouquecer, me perder. Continuo acelerada, sem conseguir ficar parada ou descansando e pior: quem não faz isso me irrita. As pessoas paradas me irritam, as pessoas lentas me irritam mais do que o normal, qualquer coisa em ritmo normal já me irrita, imagina em ritmo lento? Enfim, espero trabalhar isso melhor.

Foi só um post de volta. E por aí, como estão as coisas?

Até mais um post ansioso!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A prescrição inconsequente de ansiolíticos e antidepressivos

"Segundo a Anvisa, o consumo brasileiro do princípio ativo do Rivotril, o clonazepam, em 2007 era de 29 mil caixas por ano. Em 2015, este número atingiu os 23 milhões, de acordo com a IMS Health. O crescimento significativo em pouco tempo desperta as suspeitas de uso excessivo e desnecessário por parte de especialistas."

Carta Capital, novembro/2015

Sabe-se que o índice de pessoas que apresentam transtornos como o de ansiedade ou o depressivo aumentou progressivamente ao longo dos anos, principalmente nas grandes cidades. O que consequentemente aumentou o uso de ansiolíticos, especialmente benzodiazepínicos, como Clonazepam (Rivotril®), Diazepam (Valium®), Alprazolam (Frontal®), Bromazepam (Lexotan®) entre outros. Esses tranquilizantes são conhecidos por causarem dependência. Hoje, existem no mercado drogas eficazes para o tratamento dos mesmos tipos de transtorno com menos efeitos colaterais e resultados satisfatórios e com pouca ou quase nenhuma dependência. Ainda assim, é preciso ficar alerta e, muitas vezes, procurar mais de um especialista até se ter certeza de que é realmente necessário o uso de antidepressivos, ansiolíticos e afins. 
Como hoje se tornou comum ver pessoas ansiosas, com transtornos de ansiedade ou não, profissionais de saúde têm receitado indeliberadamente remédios controlados, que, se forem prescritos sem uma análise mais profunda do caso, podem até prejudicar o paciente. 
Psicólogos defendem que muitos desses transtornos podem ser tratados, embora a longo prazo, com a correta terapia. Mas, em entrevista com uma psicóloga, ela disse garantir resultados, ainda que amenos, no primeiro mês de tratamento. Contudo, a terapia, sozinha, parece não se mostrar eficaz em algumas pessoas, principalmente naquelas em que o transtorno já persiste há muito tempo. A indicação, para esses casos, é unir ambas terapias, tendo cautela com a terapia medicamentosa.
Um dos medicamentos mais prescritos para ansiedade é a Fluoxetina (Prozac®), que causa dependência moderada, ficando o paciente sujeito a sintomas desagradáveis no desmame. Um concorrente, a Sertralina (Zoloft®), causa menos dependência, e efeitos semelhantes. Drogas mais recentes no mercado como Citalopram (Procimax®) e Escitalopram (Lexapro®) são conhecidas por causarem menos efeitos colaterais e dependência mínima, contudo, muitos pacientes têm experiência de diversos sintomas colaterais, principalmente no início do tratamento e quando o tratamento é interrompido.
Portanto, não existe droga 100% segura. É necessário testar as diversas abordagens antes de partir para a terapia medicamentosa, que é recomendada em último caso, quando mais nada pareceu fazer algum efeito. A terapia medicamentosa mostra-se muitas vezes eficiente, promovendo a cura definitiva e melhora de qualidade de vida do paciente durante e após o final do tratamento. Contudo, em se tratando de drogas que afetam o sistema nervoso, é preciso ter cuidado ao utilizá-las indeliberadamente.
Não deixe que profissionais que não tratam de saúde mental prescrevam medicamentos ou deem diagnósticos de transtornos, como o de ansiedade. Clínicos Gerais, Plantonistas e Emergencistas NÃO podem dar diagnósticos definitivos sobre a sua saúde mental. Endocrinologistas tratam de transtornos HORMONAIS e não podem dar diagnósticos definitivos. Assim que profissionais de outras áreas sugerirem que você tem ansiedade ou depressão procure um PSICÓLOGO e um PSIQUIATRA. E o mais importante: NÃO SE AUTOMEDIQUE. Se um medicamento não funcionar (é necessário esperar, ao menos, 20 dias para que faça algum efeito), o profissional adequado escolherá outra terapia ou outro medicamento mais condizente com o seu problema. NÃO PARE DE TOMAR POR CONTA PRÓPRIA. Medicamentos para saúde mental podem causar efeitos colaterais por todo o corpo, crises de pânico, ansiedade, parestesias, tremores e tonturas. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Diário dos 40 dias de Escitalopram e Buspirona

Olá, terráqueos!

Ontem fui buscar mais 60 cápsulas de Buspirona (15mg) e Escitalopram (15mg). Acabei de tomar 40 cápsulas. Parece que o período mais difícil já passou. Mas vou contar aqui um pouco do que ocorreu nesses 40 dias de remédio. 

Na semana que antecedeu a consulta ao psiquiatra

Estava passando muito mal, pernas duras, pontadas pelo corpo, moscas volantes, visão embaçada, tonturas, falta de ar. Para chegar à consulta foi um martírio, andava e parecia que estava flutuando. Consulta feita e o veredito: antidepressivo e ansiolítico. Oxalato de Escitalopram, 15mg, dose relativamente alta para quem nunca usou esse tipo de medicação. 

Primeira Semana

A primeira semana foi, certamente, a mais difícil. Muitos, muitos efeitos colaterais. Conheci pessoas que tomavam a mesma medicação sem ter tido nenhum dos efeitos que eu tinha e também muita gente que teve efeitos iguais ou até mais severos. Os sintomas, que combinados com os que eu já tinha, ficaram mais intensos. Muita tontura, visão turva, tremores nas mãos, fome nenhuma, não conseguia dormir, se deitava na cama, queria levantar, se levantava não sabia o que fazer, se deitava, se andava de um lado para o outro, era uma sensação de impotência, estava perdida e não sabia o que fazer. Tive crises de pânico, boca muito seca, pupilas dilatadas, tremores e mais tremores, muita falta de ar, fui parar no Pronto Socorro mais de uma vez. Pensei em parar de tomar o remédio.

Segunda Semana

Na segunda semana, os sintomas continuaram, mas menos intensos. Não tive mais crises de pânico. Ainda tinha a sensação de estar flutuando, com muitas dores nas articulações e sensações de queimação na pele. Muito enjoo e nada de sentir fome. A depressão também melhorou, já não sentia constantemente aquela angústia sufocante. Ao final da segunda semana, tudo começou a melhorar.

Terceira Semana

A terceira semana começou melhor, parei de ir ao PS. Os sintomas amenizaram, fui a uma consulta no neurologista, que só me fez crer que tudo que eu tinha era mesmo ansiedade. Foi quando decidi criar o blog. As pontadas no corpo diminuíram significativamente e a tontura simplesmente sumiu. As dores nas pernas ainda surgiam de vez em quando, mas começaram a reduzir também. As moscas volantes continuavam incomodando, mas, após ir ao oftalmologista, fazer diversos exames acabei descobrindo que era um problema mais comum do que eu imaginava, que poderia se tornar incômodo a quem sofre de estresse, depressão ou ansiedade. 

Quarta Semana

Quase nenhum sintoma, algumas cismas. Parei de pesquisar na internet. Pontadas raramente, uns dias melhores que os outros. Visão melhorou. Tontura não apareceu mais. Porém, notei um pouco de hiperatividade. Não conseguia desligar. Ficar parada assistindo a um programa ou sentar para fazer algo mais monótono. Muita, muita energia, mesmo quando estava moída de cansaço. Porém, o humor estava melhor, não chorei, nem me senti tão angustiada. Alguns pensamentos pessimistas, mas não constantemente e durante o dia MUITO SONO, muito sono mesmo que tivesse dormido a noite toda.

Quinta Semana

Praticamente nenhum sintoma. Nunca mais pesquisei nada. Moscas volantes reduziram um pouco. Pontadas também. Aparecem alguns sintomas nos dias que estou mais ansiosa. Tontura não senti mais, falta de ar praticamente sumiu. Dores nas pernas melhoraram muito, agora só dói quando faço exercícios pesados, como qualquer pessoa normal. Muito ânimo e humor melhor. Não choro ou me desespero há pelo menos 3 semanas. Ainda tenho pesadelos e sensações ruins, mas não posso querer tudo de uma vez.

Hoje

Hoje começo mais 60 cápsulas. Mais 60 passos. Um atrás do outro, sem me precipitar. Vivendo um dia de cada vez. O processo é lento, mas o resultado é inexplicável. Lembro-me de algo que o psiquiatra disse na minha primeira consulta, eu não conseguia parar de tremer as pernas e suava muito. "Você só vai entender quando fizer efeito e você começar a melhorar, mas isso só acontece, pelo menos, depois de 20 dias". 

Aqui estou compartilhando mais uma etapa com vocês. Levei anos com sintomas indo e vindo e seis meses de uma sensação horrível inexplicável para procurar um profissional que trata de saúde mental. Não devemos deixar de lado só porque "é coisa da nossa cabeça", porque o cérebro é algo maravilhoso, mas muitas vezes difícil de lidar, pois comanda todo nosso corpo e nos prega muitas peças. O importante é não sentir vergonha do que sente, buscar ajuda onde conseguir, amigos, familiares, namorado(a), trabalho, animais de estimação, mas, principalmente, quando fugir do controle, ajuda profissional. 

Estou à disposição para quem quiser contar o relato, anonimamente, reservadamente, ou quiser apenas conversar sobre.

Mais um dia.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O retorno ao Psiquiatra

Eu já tinha ido duas vezes ao psiquiatra. Na segunda vez, foi porque me desesperei com os efeitos colaterais do remédio e achava que iria morrer. 

Não morri.

E hoje fez um mês de escitalopram e buspirona. Fiquei o dia inteiro apreensiva. Vai que eu chego lá e tem uma camisa de força me esperando. Ou que eu sou atropelada no caminho. Ou roubam minha bolsa. Ou pior: eu tenho um colapso e morro na calçada com meu celular destravado.

Esses pensamentos maravilhosos de quem é ansioso. E pessimista.

Cheguei lá, tinha um paciente na portaria do prédio que ia para o mesmo andar. Quando falei o nome do médico, ele virou e disse "Você também é bancária? Ele atende muito bancários que ficaram loucos."

Quê? Já me deu um calafrio. Respondi: "Não sou não". "É professora, então?" É tão óbvio assim?
Respondi que era só revisora. Céus, dez andares intermináveis.

Cheguei lá, consultório vazio. Será que eu teria que ficar na sala com aquele bancário (sei lá) estranho que não calava a boca? 

Ele assinou a ficha e logo foi chamado. Eu, distraída, assinei no lugar errado para variar. Só para variar.

Entrei apreensiva esperando o pior. Só de olhar para a minha cara ele poderia decretar uma sentença de morte ou sei lá. O fato é que do caminho do trabalho até o consultório, que não dá meia hora, eu pensei em tudo isso e mais um pouco.

"E aí, dona Natália?" Gelei. Respondi que estava melhor, mas que ainda tinha alguns sintomas. Ele brincou. Fez umas perguntas, conversou um pouco. Fiquei mais calma. Receitou remédio para mais dois meses.

Estou visivelmente melhor, mas ainda bate o desespero, a ansiedade, os pensamentos compulsivos pessimistas que não vão embora. Já tem dias que não pesquiso doenças. E nem sinto vontade. O remédio me ajudou bastante, a não ficar ansiosa 24 horas por dia, por exemplo. Mas algumas situações ainda me levam ao extremo.

É um caminho longo. Mas não tenho outra escolha senão percorrê-lo. 

"Tá tomando remédio de louco, é?" Disseram. 

Achei de mau gosto. Mas respondi que sim.

Ser normal é muito chato.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Boas vindas da ansiosa criadora deste blog :)

Meu nome é Natália, sou revisora, trabalho em horário comercial, levo muitos freelas para casa e adoro o que faço. 

Criei este blog no intuito de ajudar pessoas que sofrem dos mais diversos transtornos e, principalmente, ansiedade. Ia fazer um post de introdução, mas preferi começar com um relato.
Eu estou em processo de adaptação do meu remédio, ainda, que tomo há 3 semanas. Em vista do jeito que estava, agora estou bem melhor.

Meu primeiro sintoma foi a falta de ar. Já tinha tido diversos episódios de falta de ar, acompanhada de uma "tontura flutuante". Cheguei a fazer teste para labirintite, foi constatada hiperinsulinemia. Mas, com essa constatação, o fato de que eu só deveria me sentir dessa forma caso estivesse com a glicose baixa, o que não era o caso. Eu me sentia assim o tempo todo e a glicose estava normal na maior parte do tempo.
Depois da falta de ar, veio a visão turva. Parecia que eu não enxergava. Mas só que eu enxergava, era uma impressão de estar em outro plano, diferente do das pessoas ao meu redor.
Como estava tomando isotretinoína na época, muita dor nas pernas, que melhorou com o tempo. Mas, como eu estava viciada em buscar sintomas, qualquer dor que eu sentia, era uma terrível constatação.
Estava certa de que tinha alguma doença grave incurável. 
Depois de tanto procurar sintomas, comecei a ter os mais diversos. Pontadas por todo o corpo, o dia todo. Moscas volantes, ah as malditas moscas volantes! Pontinhos flutuando pelos olhos, principalmente o esquerdo. Coincidentemente, o olho que eu achava que estava enxergando menos.
Ferrou. Idas a hospitais e médicos. Exame de fundo de olho. Mapeamento de retina: nada. Dor no peito. Eletrocardiograma, raio-X: nada. Hemograma: nada. Exames hormonais, do fígado, pâncreas, tireoide, doenças infecciosas. Exames para detectar coágulos, doenças autoimunes: nada. Colesterol? Excelente.
Os médicos diziam "Esses sintomas não se encaixam em nenhuma doença, porque são muito diversos". E eu pensava: e se eu tiver ansiedade E A DOENÇA?
Mais horas em frente ao computador pesquisando, pesquisando, pesquisando. Phd em neuro, cardio e oncologia. 
Depois de relutar e perder a essência de viver, achando que, se dormisse, não mais acordaria, decidi ir ao Psiquiatra. O decreto foi: transtorno de ansiedade generalizada e transtorno obsessivo compulsivo. E a pena: 15mg de escitalopram, 15mg de buspirona e, ocasionalmente, 5mg de diazepam (o Valium). 
O começo foi horrível. Os sintomas pioraram. Crises de pânico.
E sabe o que é pior? As pessoas me dizendo "Você tem que se distrair", "Você tem que não pensar nisso", "Você tem que sair para esfriar a cabeça, fazer algo que você goste". Não me entendam mal, sei que querem ajudar: mas se isso está fora do MEU alcance, quem dirá do de vocês? Não existe palavra possível que possa nos arrancar essa angústia, esse gosto amargo na boca, essa preocupação excessiva.
Os passos são pequenos. A cada coisa que acho no meu corpo, penso ainda estar sofrendo de alguma doença. Manchas roxas, quando minhas pernas doem, desconsiderando que pego muito peso na academia sem esforço, eu ainda acho que existe um motivo diferente, que não este, ou o cansaço (porque não paro 24h) para uma dorzinha. 
Mas, estou caminhando para frente. Já consigo passar parte do dia sem pesquisar nada. Já cheguei a ficar 5 horas seguidas pesquisando e lendo sintomas e, como se não bastasse revirar todo o Google em Português, comecei também a pesquisar em Inglês. 

Tenho muitos relatos sobre mim, sobre minha infância, meus traumas (e a ausência deles). Mas vou aos poucos. Primeiro quero dar boas vindas a todos. Esse espaço é para todo mundo e espero que todos aproveitem. Espero também conseguir ajudar, na medida do possível, aqueles que passaram e passam por situações semelhantes. 

Bem-vindos.