sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Doenças mentalmente transmissíveis




Sempre que eu vejo alguém com uma doença, eu acho que ou eu também tenho ou posso ter. Mesmo que seja a Febre do Nilo Oriental. Quando leio notícias sobre morte, AVC e trombose causados por anticoncepcionais, eu fico neurótica. Passo dias lendo coisas no Google até me acalmar (o que nunca ocorre por completo). 
Notícias de pessoas jovens que morreram de infarto durante a prática de exercícios também me deixam nervosa. Hoje mesmo vi uma notícia de uma moça que morreu fazendo aula de zumba (eu teria que morrer antes para conseguirem me arrastar para uma aula dessas), mas eu também pratico exercícios físicos e já fiquei encucada. Marquei cardiologista, só tinha para dezembro, quase um mês de espera dolorosa, sintomas estranhos (porque eles vão aparecer, eu já fiquei com falta de ar só de ler a notícia).
A gente não quer olhar no Google, mas enquanto a gente não olhar no Google e não pesquisar a internet INTEIRA, a gente não sossega. É como se fosse um alimento à mente.
Claro, que é importante fazer exames de rotina, se prevenir etc., mas cair na neura de que tem tudo quanto é doença já é um indício de ansiedade fora do comum. Algumas pessoas possuem hipocondria, que é o transtorno na sua forma mais grave e precisa de tratamento. Outras são tomadas pelo pânico ou pela ansiedade generalizada, que são igualmente graves e precisam de tratamento específico. 
Tem dias que eu acordo achando que minha perna não responde aos estímulos do corpo, que esta semiparalisada (porque andar consigo, né), mas que está "estranha", acontece às vezes com a direita, às vezes com a esquerda. Quando minha cabeça dói, duas opções passam pela minha mente: ou é AVC ou é um tumor maligno. E nem é proposital, parece que minha mente está condicionada a pensar esse tipo de coisa. Meu otimismo dura alguns segundos e os pensamentos ruins voltam.
A ansiedade nos faz ter sintomas das mais diversas doenças. Como quando vemos uma cena de um filme em um ambiente claustrofóbico e sentimos aflição. Quando vejo alguém com uma determinada doença, no outro dia eu acordo com os sintomas. Quando, certa vez, em um exame meu constou neutropenia (número baixo de neutrófilos), que depois descobri que foi efeito de um medicamento, eu já corri pesquisar o que era, a principal causa era o uso de certas substâncias (uma delas presente em um medicamento que tomei), mas já comecei a pensar várias coisas. Poderia ser um tipo de leucemia. Sem contar que, com a imunidade baixa, eu poderia adquirir diversas outras doenças, como ebola.
Aliás, na época do surto do ebola, eu tinha medo de usar o transporte público, assim como na época do de H1N1. Moscas volantes? Cegueira, esclerose múltipla, alguma outra doença autoimune, já sei, Lúpus! Dor nas costas, tumor maligno ósseo. Dor de dente, câncer bucal. Queda de cabelo, alopecia. Enjoo qualquer, gravidez. Cansaço, leucemia, esclerose múltipla, doenças autoimunes, doenças cardíacas. Manchas roxas, leucemia. Dor na barriga ou estômago, câncer. Dormência, infarto, esclerose múltipla, AVC. A lista é interminável.

E essa preocupação excessiva está presente em todas as áreas. 
Se alguém não atende telefone: algo muito ruim aconteceu.
Se alguém demora a responder uma mensagem: algo muito ruim aconteceu. 
Se alguém sai e demora a chegar: algo muito ruim aconteceu.
Se alguém vai viajar, penso no pior na estrada/ no voo.

E o pessimismo e a preocupação excessivos são infinitos, possuem vertentes, suas próprias filosofias e me acompanham em todos os lugares, de todas as formas, em todos os assuntos.

Minha vó disse "minha filha, o dia que você tiver que morrer, não vai estar nem pensando nisso". E é por isso que eu penso nisso todos os dias.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O limite da paciência


O psiquiatra receitou mais 4 meses de escitalopram + buspirona (dose máxima). Eu melhorei em relação a algumas coisas, outras continuam intactas, meu desespero é o mesmo diante das coisas que eu tenho para fazer, por exemplo. Mas eu fico me perguntando quando esse pesadelo irá acabar se é que vai. O remédio me ajuda, não queria precisar tomar, mas o medo de parar acarreta ainda mais crises de ansiedade.
Semana passada melhorei um pouco, mas voltei ao estresse no limite, porque eu simplesmente não aguento as cobranças e, quando as pessoas para de me cobrar coisas, eu acho que a cobrança fica implícita e eu me cobro. Isso me desgasta muito. 
Eu ando na rua querendo trucidar as pessoas na minha frente, jogá-las na linha do trem, eu não aguento lerdeza e parece que o mundo é lerdo: para andar, para fazer um trabalho, para responder a uma pergunta simples, para registrar um pedido no caixa, entre outras coisas que eu poderia ficar infinitamente citando. Elevadores me irritam, quando vejo que tenho companhia, sinto vontade de subir 9 andares de escada. No prédio onde moro, dá para ver as pessoas que chegam da rua de lá da área do elevador e é educado esperá-las quando o elevador chega, não tenho muita escolha, minha vontade é de subir correndo e deixar a pessoa lá embaixo, fingir que não vi, mas ainda tenho um pouco de bom senso, tento respirar fundo e pensar "não custa nada atrasar 30 segundos", mas eu subo desgostosa se a pessoa vai descer um andar antes de mim, porque, claro, vai demorar mais se o elevador fizer uma parada antes do meu andar. Eu estou sempre acelerada, como se não fosse dar tempo de fazer nada, com raiva de gente preguiçosa, que dorme demais, que tá sempre cansada, sempre querendo dormir, acha que andar 5 metros cansa, eu até tento ter empatia, porque né, eu preciso dela, mas não consigo, eu simplesmente não consigo!
A academia é um estresse à parte. Eu chego querendo matar as pessoas e saio de lá com um plano de eliminação em massa. Eu só cumprimento algumas pessoas por obrigação, para, sei lá, não acharem que eu me acho melhor que elas, porque na verdade não é isso, eu só não suporto pessoas e, em lugares com dezenas delas, eu fico mais acuada, querendo sumir, principalmente quando tenho que interagir. A academia tem 3 andares nos quais você pode malhar, sendo que dois deles possuem os mesmos aparelhos, mas, como eu me acostumei a malhar no último andar, eu não consigo simplesmente mudar, se tivesse que fazer isso, seria um processo e talvez não teria volta. Eu preciso dessas rotinas para sobreviver na sociedade, preciso ter algumas certezas, controlar algumas coisas, ser metódica. E aí, quando alguém senta no aparelho que eu queria usar, eu fico desolada, porque as pessoas, ELAS SÃO LERDAS, não sei se já disse isso (tsc). Sem contar que elas suam e eu tenho nojo até de passar o álcool gel para limpar os aparelhos antes de usar, porque, sério, aquele paninho, urgh!
O mercado é um teste de paciência. As pessoas para os carrinhos NO MEIO do corredor, eu tenho vontade de tomar distância e acertar correndo o carrinho delas com o meu, pra ver se capota, causa um estrago. Derrubar umas latas na cabeça delas pra ver se acordam e o cérebro funciona. A fila é um espetáculo isolado, eu entro em transe de tanto ódio de gente tirando muita dúvida inútil, batendo papo, sendo lerda para procurar cartão, embalar as compras! Olha, não é fácil.
Mas o metrô é o lugar diário onde mais tento relevar, porque aquela terra de ninguém é uma ameaça à saúde cardíaca. As pessoas são muito mal educadas e com a má educação vem a lerdeza. Sabe? A LERDEZA! Elas deixam para procurar o bilhete na catraca. Elas param na porta sendo que não vão descer. Elas entram no metrô LENTAMENTE enquanto tem um monte de gente atrás querendo entrar também. Eu quero matar essas pessoas. Às vezes alguns pensamentos agressivos passam pela minha mente, olho praquela pessoa estacionada deliberadamente no meio da porta, interrompendo a passagem, com espaços dentro do trem, sendo que não vai descer e me imagino puxando cabelo, socando a cara, entre outras coisas.
Eu queria mesmo ser uma pessoa melhor, mas eu não consigo. Não consigo porque tudo que preciso fazer envolve algum tipo de interação humana e isso me dá nos nervos. A única coisa que me acalma é quando encontro algum animal na rua, brinco, converso, passo a mão, que infelizmente onde moro não é permitido ter animais, mas as minhas plantas também me acalmam. Mas é só. SÓ ISSO. Até para ver série tenho me estressado, com os personagens, inclusive, até sonho com eles.
Não faço nada por mal ou tenho uma implicância gratuita com o mundo. Eu sou muito ANSIOSA e as pessoas me parecem todas tranquilas demais e eu começo a odiar essa tranquilidade, porque eu não consigo imaginar como ela existe. "Mas você não tem empatia e quer empatia?", olha, empatia, no momento, é uma coisa que não tá dando pra ter. 
E, por fim, em relação aos amigos, eu simplesmente não aguento mais. Assim, estou esgotada, não quero sair, não quero que venham em casa, não tenho vontade de ouvir seus problemas, nem de contar os meus, porque eu não tenho vontade de conversar com eles. Acho que se eu não morasse com meu namorado, existiriam momentos assim também na hora da comunicação. É muito complicado, as pessoas ficam chateadas, mas eu não consigo, eu começo a ficar com raiva delas quando elas são insistentes, egocêntricas e começam a falar da vida delas (que na verdade é uma coisa normal que as pessoas fazem, é o que estou fazendo aqui), mas eu não consigo ouvir/ ler "eu fui", "eu fiz", "eu tô assim", "eu tô assado", que eu começo a sentir pontadas, ficar com falta de ar, me dá nervoso, eu não aguento as pessoas, eu tento repelir, mas parece que atraio mais!

Fica aqui esse desabafo de uma ansiosa dominada por sua ansiedade que não consegue aceitar a vida em sociedade e o fato de que, infelizmente, tenho que (con)viver no mesmo espaço que outras pessoas. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Armário número 5





Olá, terráqueos!

Estive em férias, acabei me estressando mais do que deveria e nem vim aqui!

Bom, hoje estou de volta ao armário número 5, após 20 dias de férias, mais ou menos dormidas e aproveitadas. Primeiro que eu não sei se sou capaz de aproveitar algum momento da minha vida já que: trabalho me estressa, pessoas me estressam, férias me estressam, viagens me estressam, tudo me  estressa. Férias me estressam porque eu fico pensando na volta e contando os dias, eu passei vários dias entediada querendo trabalhar na primeira semana, sentindo que estava fazendo algo errado ficando em casa (pasmem). A viagem me estressou por conta de ônibus, horários, dieta quebrada, sem conseguir ir à academia, o planejamento me estressa, a viagem me estressa, o percurso me estressa. Resumindo: minhas férias acabaram e eu continuo estressada.
Como uma boa ansiosa, sabendo que as coisas sempre podem piorar, elas pioraram um pouco ao final das minhas férias, parecia que tudo estava desabando, perdi sono, comecei a me alimentar errado, estressei com uns pormenores (a mulher que foi molhar minhas plantas enquanto eu viajava usou minhas coisas, tomou banho na minha casa, sendo que é vizinha) entre outras coisinhas que não vale a pena colocar no diário. 
Tive que marcar retorno ao psiquiatra para amanhã, porque meu remédio está no fim e, espero eu, que continue com a mesma dose (já é a máxima), porque eu temo que ele diminua e eu piore mais ainda.

Vamos falar da ansiedade, então! 

Uma coisa que me irrita muito (além de tudo, porque tudo me irrita) é as pessoas acharem que EU POSSO CONTROLAR MINHA ANSIEDADE, porque não, eu não posso controlar, se eu pudesse controlar não estaria pagando 300 reais em remédio de uso controlado que afeta meu sistema nervoso e meus hormônios, cês não acham? "Você precisa ser menos nervosa", "Você precisa relaxar!", "Calma!", "Você é muito ansiosa". Porrãn, sérião? Sérião que eu tô em 2016 ouvindo isso ainda? O que eu preciso e o que é possível são duas coisas diferentes. É a mesma coisa que dizer para um etíope com fome "Você precisa comer" E NÃO DAR COMIDA PRA ELE ou então "Você tem muita fome, você precisa ter menos fome!". Entende??? Não é uma coisa que se pode mandar, é inerente ao corpo, faz parte da gente. E isso tem me irritado mais ultimamente.
Outra coisa que tem me tirado do sério são os problemas alheios, as pessoas PESAM demais! Elas jogam os problemas nas nossas costas e falam, falam, falam, são repetitivas, são cansativas, são redundantes. Todo mundo tem problemas, cabe a cada um carregar o seu, claro que a gente sempre pode pedir a alguém que nos ajude a carregar o peso, MAS NÃO COLOCAR O PESO TODO NAS COSTAS DOS OUTROS! Algumas pessoas são egocêntricas e egoístas e acham que o problema delas é o pior de todos no mundo e, adivinha: NÃO É! Eu tento entender o lado do ansioso, que poucas pessoas conseguem entender, mas fica difícil à medida que ele começa a viver 24 horas para falar do mesmíssimo problema, sem deixar as pessoas respirarem. Vamos ter mais empatia, mas precisa ter um pouco de reciprocidade também!
As moscas volantes sumiram nas minhas férias, claro, só fiz um freela de revisão na primeira semana e depois nem fiquei na frente do computador. A falta de ar piorou algumas vezes, sensação de sufocamento e angústia também, principalmente durante a viagem que fiz, de 14 horas (a Diamantina/MG). 

Esse blog fez um ano com mais de 20 mil visitas e muitos agradecimentos! Espero continuar ajudando os amigos acelerados descompensados e ansiosos da vida! Que todos os lerdos sumam da nossa frente, Amém! 




Olhei para o meu armário hoje e o que mais me deu medo não foi enfrentar todo o trabalho que tenho pela frente, mas, sim, ter que dar satisfação das minhas férias, como foram, o que fiz, como passei, se estou preparada para voltar a trabalhar etc. etc. etc., todas essas baboseiras que as pessoas gostam de perguntar mesmo que algumas respostas sejam óbvias, o Seu Saraiva que habita em mim fica nervosíssimo e com tiques nervosos. 

Bem, se eu estou preparada? Amigos, um ansioso está sempre preparado, eu estava me preparando para esse dia desde o primeiro dia de férias, o que não quer dizer necessariamente que eu vá reagir bem, afinal, as pessoas estão esperando que eu sente à mesa e conte histórias engraçadas e diga "que pena que acabaram", mas tudo que eu quero fazer é gritar até doer a garganta na cara dessas pessoas, mesmo que sejam amigas próximas, e dizer "NÃO INTERESSA, EU SÓ QUERO PAZ, SÓ QUERO FICAR QUIETA NO MEU CANTO". Mas eu respondi "Foi tudo ok, hehe, férias, né, acabaram, fazer o quê, descansei sim, dormi, hehe, viajei" sentindo internamente meus órgãos atrofiarem, como se eu estivesse em uma morte dolorida e lenta.

Mas, no geral, tudo bem sim. Manda mais ansiedade que tá pouco!

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Aceitação


Hoje, faz 9 anos que meu avô se foi. Ele era o exemplo de pessoa para mim, quem cuidou de mim desde pequena, me amparando e protegendo. Há exatos 2 anos, meu pai fazia uma cirurgia cardíaca e iria embora 3 dias depois, na madrugada do seu aniversário. O final de setembro/começo de outubro, que já era triste, ficou ainda mais. Os dias que precedem o meu aniversário nunca mais foram os mesmos. Na infância, eu ganhava festas enormes, presentes, era uma época muito feliz. Agora, cada ano a mais que faço, é um ano a menos sem eles. A gente nunca sabe as razões das coisas, mas no final tem que aceitar o que a vida dá. Meu pai e meu avô eram duas pessoas ímpares, nunca foram iguais às outras, nunca tive parâmetros de comparação. Em dias ruins, eu me lembro de uma frase que meu avô sempre dizia quando aconteciam coisas sem explicação: "Tatá, se a gente tiver que morrer de desastre de avião, ele cai na nossa cabeça". Maktub

Não que a gente deva ser passivo e aceitar todas as coisas sem lutar por elas. Mas que a gente tem que aceitar, eventualmente, sem parar de viver, de fazer as coisas, entendendo que, no fim, a gente é sozinho mesmo. O que tiver que ser mesmo, não importa o tempo, vai ser independentemente da nossa vontade e, quando acontecer, todas as forças da natureza irão se unir e trabalhar em sincronia perfeita.

A ansiedade gera medo sim. Gera medo, angústia, preocupação excessiva, estado alerta de 24 horas e isso faz com que percamos muito tempo, sejamos pessimistas, esperemos pelo pior. Posso dizer que eu esperei tanto pelo pior durante tanto tempo, que quando o pior veio, eu não estava necessariamente preparada, mas estava conformada. A palavra do dia é: aceitação. A gente fica o tempo todo "E se? E se? E se?". Se acontecer algo, a gente trabalha nisso e depois aceita. A principal coisa para seguir em frente e evoluir não é perdoar: é aceitar. Perdoar é uma coisa que nem sempre somos capazes, a gente não é obrigado a gostar de ninguém e nem de dar o benefício do perdão a quem nos prejudicou, mas a gente pode aceitar e aprender com as piores situações. Aceitar não só as situações que nos prejudicaram advindas de outras pessoas, aceitar também as coisas ruins que nós fizemos e não fazemos mais e nos ajudaram a crescer. Conviver com diversas facetas, entender que a gente está em processo evolutivo, que a gente não precisa ter sido perfeito no passado, desde que busque mudar isso.

"É necessário serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar, coragem para mudar as coisas que podemos e sabedoria para discerni-las".


Naquela mesa tá faltando eles e a saudade deles tá doendo em mim.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A ansiedade depois de um ano de Escitalopram e Buspirona


No dia 14 de setembro de 2015, tomei meu primeiro ansiolítico, uma dose manipulada composta de 15mg de escitalopram e 15mg de buspirona. O primeiro efeito colateral foi a dilatação das pupilas. Fui ao banheiro e, ao me olhar no espelho, logo notei algo estranho com meus olhos. Como ansiosa, a tendência é reparar em cada mínimo detalhe, cada mudança quase imperceptível do corpo. Com isso, fiquei preocupada.
Em seguida, vieram mais sintomas. Tontura, enjoo, formigamento, queimação nos membros inferiores e nas mãos, tremores, boca seca. Na mesma noite, acordei com uma crise de pânico e fui parar no hospital. Bom, o resto vocês já sabem, contei por aqui. 

Mas queria fazer um balanço desse primeiro ano tomando ansiolítico.

Obviamente, o início foi o mais difícil. Noites sem dormir, efeitos colaterais severos. Acentuação da ansiedade. Eu tive uma melhora drástica no primeiro mês. Depois de cerca de 40 dias tomando o remédio, eu era outra pessoa. Tinha parado de pesquisar doenças, estava menos ansiosa, mas mais acelerada. Sempre fui acelerada, mas eu adquiri uma inquietude que não é normal. Eu simplesmente não consigo ficar parada. Se deito, quero levantar, se levanto, fico para lá e para cá, sem conseguir parar de fazer serviço. Adquiri, também, uma estranha obsessão por limpeza. Limpar me torna plena, parece que as coisas só vão para o lugar depois de fazer algum tipo de arrumação ou limpeza. 

Tive dias muito difíceis, cismas, pensamentos ruins, nos primeiros meses muitos pesadelos estranhíssimos, surreais. A desconfiança com doenças não passou. Melhorou, mas não passou. Dei a mim o benefício da dúvida, resolvendo checar antes as informações sem ficar tão paranoica. Lógico que fiquei paranoica muitas vezes sim, sem dormir e achando que iria morrer. Mas são dias e dias e a gente vai vivendo um por vez. Confesso que tenho um certo medo de parar de tomar o remédio e voltar à estaca zero, àqueles dias de terror e angústia.

Mas, no geral, eu melhorei sim. Apesar das manias adquiridas, eu estou menos obcecada. Não posso dizer preocupada, porque preocupada eu estou sempre. Os pensamentos pessimistas não desocupam a minha mente. Eu imagino as piores tragédias com as pessoas que gosto, os piores acontecimentos comigo em situações diversas do cotidiano e, claro, as piores doenças. 

Notei também que tenho picos de paciência e impaciência. Consigo me controlar em algumas situações, coisa que não ocorria antes. Contudo, eu explodo de maneira muito pior, descontrolada, como se o mundo estivesse desabando ao meu redor, é horrível. É um impulso que não sei dizer de onde vem nem como controlar, eu só preciso explodir, gritar, xingar, qualquer coisa. Eu até tento trabalhar na ideia de "ser um ser humano melhor", mas é um esforço que não consigo fazer no momento.

Eu estou há dois anos sem férias, vou tirar férias em outubro (agora). Confesso que estou muito cansada, mais mentalmente. Contudo, já estou preocupada com o que vou fazer, porque eu simplesmente desaprendi a descansar. Eu ando tão acelerada quanto uma criança hiperativa sem ritalina. Espero que eu consiga dormir pelo menos 8 horas, deitar e assistir televisão sem pensar nas mil coisas que assombram a minha mente.

A ansiedade é como uma sombra e, algumas vezes, está à nossa frente. Não conseguimos nos livrar porque, para nos livrar, é necessário andar na direção oposta. Mas quem consegue? Quem está disposto a andar na direção oposta de forma drástica? A ansiedade é tão implacável que, quando decidimos fazer algo a respeito, ela já tomou conta de todas as horas do dia, até aquelas poucas de sono. 

Ser ansioso é como estar em um pesadelo em que as pernas não correspondem. É como ficar submerso, sem ar e, ao tentar retornar à superfície, encontrar uma camada de gelo espessa. Você até conseguiria quebrar, mas não tem forças porque ficou muito tempo sem ar.

De todas as coisas, a pior é ficar sem ar. Visão turva, pápebras tremendo, moscas volantes, tontura, dores nas pernas, formigamento, tudo isso é muito ruim. Mas quando o ar não vem, eu só fico tentando desesperadamente respirar fundo, mas só piora. E, até ter consciência de que na verdade é minha cabeça que precisa de ajuda, eu já estou sufocada. 

Literalmente e metaforicamente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Preciso de paz



Eu preciso falar uma coisa pra vocês. 
Ansioso não reconhece equilíbrio. Ou é oito ou é oitenta. Ou ele não se importa nem um pouco com o que está acontecendo ou ele fica desesperado. Ansioso tem preocupações seletivas. 

Por isso, se tem uma coisa que eu tenho quando estou mais ansiosa, essa coisa é AVERSÃO A PESSOAS. Eu me sinto plena quando estou só, sou individualista, sozinha e adoro estar comigo mesma. É um misto de sensações. Alguns ansiosos são extremamente carentes, precisam de constante atenção. Eu preciso que me deixem de lado, me esqueçam por um minuto, deixem a paz fluir, correr pelas minhas veias e adentrar ao meu sistema circulatório. Deixem o silêncio falar para mim. Deixem as páginas em branco. Deixem-me sentir o vento bater no rosto sem ser interrompida por um pedido, um causo, uma anedota, que seja. Deixem que eu sinta o vazio existencial, que me faz plena, me completa, me sustenta.

Não despejem suas preocupações nos ansiosos. Eles podem entender o que os outros passam melhor do que ninguém: mas eles já têm os seu próprios problemas.

Eu preciso estar nesse lugar. Não porque eu não goste das pessoas, porque, realmente, existem pessoas das quais eu gosto muito e com as quais eu me importo. Mas as pessoas precisam ter um jeito diferente de se importar comigo, menos egoísta. "Se ama, deixe livre". Deixando que eu aproveite meu sossego, sem insistir nessa coisa de amizade. Nessa coisa de ter que marcar, de ter que se ver, de ter que dar satisfações. Eu guardo cada pessoa que me importa comigo, só não quero movimentos bruscos. 

Eu quero sentar em uma sala vazia, com uma poltrona confortável e uma parede lisa, sem quadros, sem cores. Sem ouvir o barulho das pessoas lá fora. Sem ninguém me cobrar nem pedir nada, sem ninguém precisando de mim. 

Porque, nesse momento, agora, eu preciso de mim.

sábado, 3 de setembro de 2016

Setembro amarelo: mês de prevenção do suicídio




O mês de setembro foi escolhido pela Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina como o mês de prevenção do suicídio. 

Um dado triste e alarmante é o aumento de suicídio de adolescentes nos últimos anos. Até porque, sendo conhecido como "rebelde" alguns dos seus atos são tratados como simples "rebeldia" e não com a seriedade com que deveriam. Os psiquiatras alertam para a importância de notar os sinais, isso no círculo familiar, de amizades, na escola e no trabalho. Comportamentos não usuais, se a pessoa possui algum transtorno psiquiátrico ou psicológico é um agravante e também se algum fato recente tem afetado o desempenho da pessoa em tarefas corriqueiras, como a morte de um ente querido, uma perda amorosa e afins são coisas a serem levadas em consideração.

O importante é estar alerta, principalmente se a pessoa já sofreu anteriormente quadros maníaco depressivos, tem depressão, transtorno bipolar, entre outros. Para as pessoas que sofrem com quadros como esses, é mais difícil lidar com tudo. É como se o peso de cada coisa fosse colocado em dobro nos ombros. 

Portanto, respeite. Se conhece alguém que passa ou passou por situações difíceis, se notou comportamentos diferentes, se sabe que a pessoa sofre de depressão, toma medicamentos e já confessou que teve ou tem pensamentos suicidas: esteja alerta, esteja presente, aconselhe, se a situação se agravar, converse com a família. Suicídio não é brincadeira e a melhor medida é a prevenção através da conscientização das pessoas que estão em volta de quem sofre com esses pensamentos.

Aqui embaixo tem uma lista de hospitais na cidade de São Paulo que são referência e contrarreferênca em saúde mental.




REFERÊNCIA E CONTRARREFERÊNCIA EM SAÚDE MENTAL
NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
EMERGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS

- HOSPITAL MUNICIPAL DO JABAQUARA – DR. ARTHUR RIBEIRO SABOYA
Av. Francisco de Paula Quintanilha Ribeiro, nº 860 – Jabaquara
Fones: 5011-5111 / 5011-5503 / 5011-5012 / 5011-1059
FAX: 5011-7901 Distritos: Jabaquara /Cidade Ademar
- PRONTO SOCORRO MUNICIPAL DA LAPA – PROF. JOÃO CATARIN MEZOMO
Av. Queiroz Filho, nº 313 – Lapa
Fones: 3022-4122 / 814-5649
Distritos: Lapa / Pinheiros / Butantã
- PRONTO SOCORRO MUNICIPAL DA FREGUESIA DO Ó – 21 DE JUNHO
Av. João Paulo I, 1421 – Freguesia do Ó
Fones: 3975-1349 / 3975-5866
Distritos: Freguesia do Ó / Brasilândia / Cachoeirinha
- PRONTO SOCORRO MUNICIPAL SANTO AMARO – DR. JOSÉ SILVIO DE CAMARGO
Av. Adolpho Pinheiro, 805 – Santo Amaro
Fones: 5523-1424 / 5523-1788/5523-1777
Distritos: Santo Amaro / Parelheiros / Grajaú
- HOSPITAL MUNICIPAL DE PIRITUBA – DR. JOSÉ SOARES HUNGRIA
Av. Menotti Laudísio, nº 100 – Pirituba
Fones: 3974-7000 / 3974-0683
Fax: 3974-0683
Distritos: Pirituba / Perus
- HOSPITAL MUNICIPAL DO TATUAPÉ – DR. CARMINO CARICCHIO
Av. Celso Garcia, nº 4815 – Tatuapé
Fones: 6191-7000 / 6191-5292
Fax: 6191-5605
Distritos: Moóca / Vila Formosa / Vila Maria
- HOSPITAL MUNICIPAL DO JARDIM IVA – DR. BENEDITO MONTENEGRO
Av. Antonio Lázaro, nº 226 Jardim Iva
Fones: 6721-8763
Fax: 6721-8454 Ramal. 102
Distritos: Sapopemba / São Mateus
- HOSPITAL MUNICIPAL DE SÃO MIGUEL PAULISTA – TIDE SETUBAL
Rua Dr. José Guilherme Eiras, nº 123 – São Miguel Paulista
Fones: 6297-0022 / 6297-0216
Fax: 6297-0550 / 6956-8045
Distrito: São Miguel Paulista / Vila Jacui

EMERGÊNCIAS COM ENFERMARIAS PSIQUIÁTRICAS

REFERÊNCIA DE EMERGÊNCIA E ENFERMARIAS PSIQUIÁTRICAS
- HOSPITAL PSIQUIÁTRICO VILA MARIANA

Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
Rua Major Maragliano, nº 241 – Vila Mariana
Fones: 5087-7000 – 5084-6711
Distritos: Vila Mariana / Sé / Santa Cecília
- COMPLEXO HOSPITALAR DO MANDAQUI
Av. Voluntários da Pátria, nº 4301 – Mandaqui
Fones: 6959-3611 / 6950-1717
Distritos: Santana / Tremembé / Jaçanã
- HOSPITAL SANTA MARCELINA ITAIM PAULISTA
Av. Marechal Tito, nº 6035 – Itaim Paulista
Fone: 6963-1255
Distritos: Itaim Paulista / Vila Curuça
- HOSPITAL GERAL DE GUAIANASES – JESUS TEIXEIRA DA COSTA
Rua Otelo Augusto Ribeiro, nº 899 – Guaianases
Fones: 6557-2010 / 6557-5200
Distritos: Guainazes / Cidade Tiradentes
- HOSPITAL MUNICIPAL DE ERMELINO MATARAZZO – DR. ALÍPIO CORREA NETO
Alameda Rodrigo de Brumn, nº 1989 – Ermelino Matarazzo
Fones: 6943-9944
Fax: 6943-9944 Ramal: 4227
Distritos: Ermelino Matarazzo / Penha / Vila Matilde
- HOSPITAL MUNICIPAL DE ITAQUERA – DR. WALDOMIRO DE PAULA
R. Augusto Carlos Baumam, nº 1074 – Itaquera
Fones: 6944-6355 / 6286-6391 D
Fax: 205-7682
Distritos: Itaquera / Cidade Lider
- HOSPITAL MUNICIPAL DE CAMPO LIMPO – DR. FERNANDO MAURO PIRES ROCHA
Estrada de Itapecerica da Serra, nº 1661 – Campo Limpo
Fones: 5512-7650 / 5512-7651 / 5519-5828 D
FAX: 55117220
Distritos: Campo Limpo / Capão Redondo / Jardim São Luiz / Jardim Ângela
- HOSPITAL SÃO PAULO
Rua Napoleão de Barros, nº 715 – Vila Clementino
Fones: 5576-4033 / 5571-2098
Distritos: Ipiranga / Sacomã / Vila Prudente.



Até!