quarta-feira, 15 de março de 2017

Endometriose de ovário e útero miomatoso


Olá, terráqueos.

Demorei porque não estava conseguindo me concentrar e escrever nada, porque passei por umas situações que me deixaram mais ansiosa e não pude ter equilíbrio para me expressar.
Bom, eu tinha descoberto aquele cisto, certo? Certo. Porém, na ultrassom de acompanhamento, deu que eu tinha um endometrioma. Quando voltei à médica, ela pediu uma segunda ressonância, com preparo intestinal (coisa mais horrível) para verificar se eu tinha endometriose. Eis que na ressonância não apareceu nenhum foco de endometriose (isso porque foi a segunda ressonância) e o cisto tinha aumentado. A médica receitou o Allurene (dienogeste - progesterona sintética cheia de contraindicações) e eu meio que surtei e fui ver outras opções. Voltei ao Dr. Heraldo, que me recomendou cirurgia. Passei em uma médica chinesa, que, além de recomendar cirurgia, sugeriu que meu cisto poderia ser maligno. Fiquei desesperada. Fiz uma última ultrassom com doppler e deu sem fluxo detectável – para quem não sabe, quando não há fluxo no cisto é porque não há vascularização, então ele é provavelmente um cisto de conteúdo líquido e benigno, menos preocupante. Passei novamente no Dr. Adelino Silva, excelente médico e cirurgião, que me recomendou, assim como a Dra. Maria Ignez, tomar o Allurene, que começo no meu próximo ciclo menstrual. Isso para resumir, porque tenho muito a falar sobre as minhas "doenças".
Foi assim: eu fiz uma ultrassom pélvica para verificar se eu poderia colocar o DIU, se estava tudo em ordem. Apareceu um cisto e um mioma. Porém, conforme eu ia acompanhando para ver se o cisto era apenas funcional (aquele que desaparece após alguns ciclos da menstruação e é inofensivo), apareceram mais miomas. Os miomas são tumores benignos do útero, porém podem causar dor, sangramento, incomodar e dificultar a gravidez (no meu caso, tanto faz, porque não pretendo ter filhos). Eu não tenho nenhum sintoma, então foi uma surpresa para mim. Mas eu não me preocupei com os miomas e sim com meu cisto, que tinha características que não condiziam com um cisto simples funcional. E por quê? Porque um cisto funcional é anecoico geralmente, tem paredes finas e lisas, sem excrescências ou lobulações, septos ou papilas. Anecoico significa que seu conteúdo é totalmente líquido, ou seja, não produz eco na ultrassonografia. Na primeira ultra, deu cisto de conteúdo denso, paredes espessadas e irregulares com componente sólido. Sério, joguem isso no google e tirem suas conclusões. Eu SURTEI. Eu surtei muito. Tanto que agora, de tanto pesquisar, inclusive em outros idiomas, eu sei ler ultrassom pélvica e entender ressonância magnética. Foi um longo caminho percorrido até onde estou. 
Na minha ultrassom feita no Dr. Consulta (aquele dia que eu surtei) dizia que o cisto tinha paredes regulares, porém seu conteúdo era espesso e hipoecoico (ou seja, transmite uma quantidade mínima de ecos) o que pode significar algum componente sólido. O que eu não sabia e a experiência médica me ajudou a compreender é que esse tal componente sólido pode ser sangue. Sim, SANGUE! Sangue coagulado. E, oras, um cisto hemorrágico é composto de quê? Assim como um cisto de corpo lúteo e um endometrioma. Então, um componente sólido pode ser várias coisas: uma massa sólida crescendo dentro do cisto (neoplásica benigna ou maligna mas que necessariamente DEVE ser retirada) ou um coágulo. E, para descobrir, precisei fazer a ressonância, que deu o seguinte resultado: conteúdo hemático/ proteico (sangue!). Se fosse um teratoma (aquele cisto que falei na outra postagem, que é benigno, mas tem cabelo e dente - bizarro), teriam aparecido diferentes tipos de tecido na RM. Se fosse uma neoplasia, o conteúdo não seria somente hemático/proteico - apesar de algumas neoplasias, como um cisto mucinoso, apresentarem conteúdo proteico (muco), não necessariamente hemático. Mas daí o diagnóstico diferencial: tumores mucinosos possuem septações, geralmente espessas, e os serosos (que possuem um líquido ralo em seu interior) possuem excrescências papilares em suas paredes (geralmente espessas e irregulares), esses dois cistos podem ser benignos ou cancerígenos metastáticos, dependendo da velocidade do seu crescimento e de suas características (outras a serem levadas em conta como líquido livre na cavidade pélvica, outros focos no peritônio, útero e bilateralidade do cisto). Bom, meu último exame foi a US com doppler colorido. O que esse Doppler significou? Não há fluxo presente nas paredes do meu cisto, nem nas partes sólidas. Ou seja: é sangue, não existe uma vascularização que signifique o crescimento de uma suposta massa.


Eu vou tomar o medicamento para endometrioma (cisto composto de sangue e tecido do endométrio, característico de quem possui endometriose - doença que causa infertilidade e múltiplos focos em diversos locais do sistema reprodutor e até intestino), porém não temos certeza se meu cisto é realmente um endometrioma ou outro tipo de cisto hemorrágico (benigno), devido às suas características: conteúdo hipoecogênico, espesso, com finos debris em seu interior, paredes irregulares e lobuladas, com reforço acústico posterior (isso significa que seu conteúdo é predominantemente líquido, é algo benigno) e sem fluxo ao doppler. Porém, o remédio serve para ambos, porque regula os hormônios. 
Também desde a ressonância, meu cisto reduziu 0,8cm (isso é coisa pra caralho, viu!) ele estava com 4,5 e foi para 3,7cm. Eu estou tomando suplementação de graviola, chá de uxi amarelo e unha de gato (tem gosto de morte em estado líquido, mas tem me ajudado e acho que meus cisto diminuiu por causa dessa mistura). Agora vou esperar, tomar o remédio que o médico indicou (fazer o quê), passar em um homeopata (pra tratar também a maldita ansiedade que não me deixa viver). E, por enquanto, chega de exames! Não aguento mais. Quero agradecer à Dra. Rachel Khae Len Chen, uma fofa que realizou minha ultra pélvica no Cura Imagem e Diagnóstico e liberou o resultado no mesmo dia. By the way: prefiram o Cura a qualquer outro laboratório no que concerne a imagens. O Femme é ótimo e te trata muito bem, mas a resolução da imagem deixa bem a desejar. 
Enfim, será que estou ansiosa? Tenho um bolo de resultado de exames, ultrassom, ressonância, sangue CA 125 e outras proteínas, uma conta enorme de Uber de tanto andar para lá e para cá e um cansaço imenso, mas mental. 

Sem cirurgia. Vamo que vamo.
Não foi dessa vez, morri por dentro para renascer mais forte e mais viva.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Aceitação e fase de transição



Muito eu tenho falado sobre a aceitação, porque me descobri aceitando as coisas e elas passaram a ser mais fáceis depois que eu me percebi fazendo isso. É difícil admitir, nós batemos o pé mesmo, não queremos que as coisas sejam diferentes do que temos em mente ou planejamos. Mas, na prática, o discernimento torna-se necessário. Necessário para diferenciarmos o que podemos mudar e o  que devemos aceitar. Apesar de impaciente, sempre soube me policiar para aceitar, sem delongas, muitas lamentações ou relutância abundante, as coisas que a vida me ofereceu. As coisas para as quais vim parar nesse universo. 
As pessoas reclamam muito, mas preferem ficar confinadas em uma penumbra, um mar de escuridão, o fundo do poço, um lugar, deveras, confortável. Está escuro, mas lá não é necessário que você cresça, corra riscos, se desafie. E, embora pareça um lugar horrível, e, de fato, seja, quando se acostuma a ele, torna-se familiar viver nele. É como um lar postiço, do qual você não consegue sair (e muitas vezes nem quer, lá não bate Sol, e o medo de se queimar?).
Eu estou em uma fase de transição, depois de muita, muita loucura, estou tentando me desvencilhar de alguns hábitos compulsivos de arrumação, organização e rotina. Tenho folgado nos horários, trocado os programas, saído a lugares diferentes, sozinha, acompanhada, com amigos, com pessoas diferentes. Comido outras comidas, me interessado por hobbies diferentes. Não tem sido fácil. Quando eu olho no relógio a hora que eu deveria estar fazendo determinada coisa, dá um frio na bariga, de viver perigosamente sem estender a roupa no horário. Mas tem passado.
Tenho sido bem sincera (mais ainda), não tenho guardado absolutamente nada para mim. Isso talvez eu não recomende, porque algumas dessas coisas são o caos. As pessoas não entendem o seu lado, confundem as coisas. Mas não seria eu se guardasse, não seria eu se não revelasse algumas verdades que deixam as pessoas com as pernas bambas e chocadas, sem rumo e de cabelo em pé!
No entanto, tenho enfrentado um problema. As pessoas, elas estão fechadas. Totalmente fechadas em seus mundos imaginários. Elas amam as suas rotinas e seus pequenos prazeres sagrados. Elas não estão abertas a experiências fora de suas zonas de conforto. E outra coisa que sempre me incomodou: preguiça. A preguiça humana é uma coisa nojenta. Descansar é uma coisa, morrer em vida é outra. Se você quer tempo livre só pra dormir e descansar, morre logo, que diferença faz? Eu estou disposta. Muito disposta. Estou listando um a um os amigos que negligenciei. Remarcando todos os cafés, chás, sucos. Tem horas que ainda surto e é incômodo. Não é nem uma tentativa de ser menos egoísta, na verdade é uma abordagem em função de mim mesma. Algo que estou tentando e até agora estou conseguindo.
A ansiedade nos priva de pequenos prazeres que deveriam ser coisas automáticas e simples. Mas aceitar essa condição e sair da zona de conforto tem sido um desafio pra mim.


Eu só quero viver em paz, me desligar das preocupações e ser relativamente normal, pelo menos de longe. :)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O cisto da ansiedade



Olá, terráqueos!

Tem um tempo que não venho aqui, porque quando a crise tá brava eu não consigo escrever nada.
Pois bem, vou contar uma história que aconteceu comigo entre o mês passado e ONTEM. 

Fui à ginecologista, a fim de parar de tomar anticoncepcional e colocar DIU de cobre. Ela solicitou que eu fizesse alguns exames de rotina, embora eu já tivesse feito há seis meses, teria que repetir para garantir. Normal.

Tentei agendar no Femme, que é um laboratório que eu gosto muito, mas eles só tinham horários esdrúxulos e eu queria fazer logo. Agendei então no Salomão Zoppi. E é aí que a minha saga começa.

No dia dos exames estava tudo bem, já fazia duas semanas que eu tinha parado o anticoncepcional, eu não estava sentindo nada, nem dor, nem inchaço, nem mal estar. Eis que fui fazer uma ultrassom para ver como estavam os ovários e o útero e a moça (sim, moça, era mais nova que eu) solta: "Você tem um cisto aqui!". E eu falei "Tenho, moça, já tinha saído na outra ultrassom." (a gine tinha me explicado que era super normal aquele tipo de cisto, que eles sumiam com o tempo, que eram de ovulação etc.). Aí ela olhou meu exame antigo e falou "Nossa, seu cisto cresceu, era pra ele ter sumido já". Eu, como toda ansiosa hipocondríaca paranoica, já gelei. Então, ela continuou tecendo diversos comentários: "Talvez tenha que tirar, hein. Tem que investigar isso". "É um endometrioma? Ah, acho que é mucinoso". "Pelo menos não vejo vascularização, mas tem que olhar isso". 

EU ENTREI EM PÂNICO. Eu, apesar de pesquisar coisas sobre doenças, nunca havia pesquisado sobre os cistos de ovário. Saí de lá andando meio sem rumo e comecei a jogar o que eu lembrava no google. "Mucinoso" aparecia cisto e câncer. "Endometrioma" aparecia endometriose. Ou seja: de um jeito ou de outro eu estava ferrada, ferradíssima. O laudo sairia na sexta, era quarta. Eu aguentaria esperar? Óbvio que não. Nisso, minha gineco entrou de recesso de uma semana. Não tinha para quem pedir outro exame (eu queria refazer e ver o que o ultrassonografista diria dessa vez, para quem não sabe, esse tipo de ultrassom só é feito por ginecologistas formados). Fui até o Dr. Consulta, paguei uma consulta e um exame. O ultrassonografista, moço também, não disse nada, apenas que eu deveria levar ao meu médico o resultado. Cheguei em casa e comecei a pesquisar loucamente sobre cistos. O resultado era "cisto complexo" e o que seria um cisto complexo? Essa nomenclatura, embora ultrapassada, indicava que meu cisto não era um cisto que sumiria com o tempo, mas que precisaria ser retirado. PÂNICO DE NOVO. Fiquei ligando na lista inteira do convênio pra ver se tinha um encaixe. Consegui com o Dr. Heraldo Piva, um senho maravilhoso, prestativo, que tentou me acalmar, dizendo que apesar do resultado, ele achava que poderia se tratar de um cisto de corpo lúteo hemorrágico, que desapareceria com o tempo ou poderia tomar medicamento. Eu saí de lá menos pior, mas ele disse que não poderia continuar com meu caso, pois ele operaria uma hérnia, então me indicou o Dr. Adelino Silva. O Dr. Adelino disse a mesma coisa, foi ótimo, muito querido e me pediu uma ressonância detalhada, para ver o mioma e o cisto e um exame de marcadores tumorais (para quem não sabe, marcadores tumorais são antígenos liberados no sangue quando se tem determinado tipo de tumor ou câncer, que podem estar elevados em determinadas neoplasias). Dr. Adelino disse que achava se tratar de um corpo lúteo ou, no máximo, de um teratoma (tumor benigno do ovário, que é preciso ser retirado, que nasce com dente, pele e cabelo, pasmem, mas não é prejudicial). Ainda assim, a ideia de laparoscopia me deixava nervosa. E se abrissem e achassem de tudo na minha barriga? Fiz os exames de marcadores, todos deram negativo. Apesar disso, eu lia no Google que esses exames eram inconclusivos, poderiam ter falsos negativos e os valores aumentados não significavam necessariamente algum tumor, mas poderiam estar altos em pessoas saudáveis ou com doenças ginecológicas benignas. Sufoco. Nisso, peguei o exame no Salomão Zoppi. "Cisto unilocular com componente sólido, paredes irregulares e líquido espesso". Lógico que eu fui jogar no Google. Lógico que o resultado foi horrível. Eu li e reli sobre o assunto mil vezes (e isso tudo durou duas semanas, do tempo que fiz a ultrassom, até o resultado da ressonância). Eu li em inglês. Eu aprendi a ver cistos na ultrassom. Eu aprendi a entender a ultrassom. Eu aprendi termos de ultrassom. Eu li um tratado de ginecologia. Eu li em espanhol. Tinha sites que o Google me avisava "Você já acessou esse site 5 vezes". E eu ia até a página 20 do Google. Eu jogava termos nas imagens. E o que me assustava era "componente sólido é indicativo de malignidade". E isso era unânime. O que eu ignorava era: mulheres na menopausa são mais propensas a ter doença maligna, cistos menores que 5cm são geralmente inofensivos. O meu tinha 3,5cm, 6mm a mais que há 6 meses. Eu achava muito. Um absurdo. Lia relatos de pessoas com cistos de 20, 30cm. Histórias horríveis. Relatos no youtube. A mesma obsessão e até pior do que quando achei que tinha esclerose múltipla.

Pedi adiantamento de resultado de um dia, tive que ir no reclame aqui, esperei mais. Fui bem atendida na ressonância do Femme, fui mal atendida no telefone. Nisso, minha ginecologista voltou do recesso, pediu o CRM da moça que havia feito a ultrassom (aquela primeira que me desesperou) e disse que ia tomar providências (será que demiti alguém sem querer?). Ela me passou o whatsapp dela (Dra. Maria Ignez é a melhor que há!) e disse que me encaixaria em uma consulta hoje e que eu poderia enviar o laudo pra ela por e-mail ou whatsapp. 

O resultado saiu. Dia 02/02, dia de Iemanjá, minha orixá <3 mãe, conselheira, que me acalma e me guia. Eu tremia, não conseguia abrir. Hiperventilei o restante do dia. Quando eu abri o resultado foi: "Corpo lúteo hemorrágico". (A mesma coisa que o Dr. Heraldo tinha me dito láááá atrás, sem nem saber detalhes específicos do meu exame. Dr. Heraldo é porreta!). Eu tinha um cisto hemorrágico esse tempo todo. Uma coisa nada a ver, que ocorreu provavelmente porque parei de tomar o anticoncepcional. Não era sequer o mesmo cisto. Agora tenho que esperar e ir fazendo exames pra ver se ele diminui ou some, caso contrário, tomar remédio.

E SÓ! Só isso e eu fiquei sem comer, sem dormir, sem respirar, sem conseguir me concentrar em NADA. Eu emagreci quase 3kg. Eu perdi a vontade de tudo que eu gostava, por desespero, por ansiedade, mesmo tomando a dose máxima de escitalopram e buspirona.

E tudo isso começou porque lá atrás a Dra. Bruna (não vou falar o sobrenome) decidiu dar o meu diagnóstico sem conhecer meu histórico, atirando pra tudo quanto é lado, me desesperando e dizendo que eu deveria correr investigar. Os médicos precisam de tato, saber lidar com pacientes, entender o que é ansiedade. Não é assim, não se diz algo na lata, não se tira conclusões precipitadas e fala pro paciente!

Quanto sufoco! Eu me sentia em uma sala escura, com uma janela cuja luz diminuía a cada dia. Eu estava presa dentro de mim e sendo consumida pela ansiedade. Alívio descobrir que não era nada do que eu imaginava? Em partes, porque sei que se algo parecido ocorrer novamente, eu vou ficar do mesmo jeito.  

Apenas mais um dia na vida de um ansioso. Mais uma semana, mais um mês. Preocupação que não vai embora. Imediatismo latente. 

Cada dia um novo pesadelo.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O estado sempre alerta


A ansiedade nada mais é do que uma preocupação excessiva. Uma preocupação mórbida, a incapacidade de viver em paz se não puder ter controle de todos os acontecimentos. Ser ansioso é ser intransigente. Porque o ansioso ele não quer viver na dúvida, então ele cria certezas, certezas que englobam pessimismo, tragédias e catástrofes. 
Um estado de alerta é criado pela ansiedade. O cérebro não desliga nunca, ele fica obcecado, persistente, contumaz. E, na ânsia de ter controle de tudo, acaba-se por não ter o controle de nada. O corpo humano é tão maravilhoso, que pode fazer coisas incríveis e, muitas vezes, apenas conseguimos notá-las quando o utilizamos de maneira prejudicial. Esse estado de alerta, durante a ansiedade, é tão impecável e de tamanha acurácia, que os sentidos funcionam além de sua capacidade. Os sentidos começam a transbordar. No entanto, o estresse e o pensamento acelerado fazem com que essa mistura gere sintomas indesejados no corpo, aqueles velhos conhecidos: formigamentos, pontadas, parestesias, visão embaçada, dupla, suor, falta de ar, tontura, dor de cabeça e mais um monte de coisa que estamos cansados de sentir.
E, na gana de controlar tudo isso, o estado de alerta começa a se antecipar aos sintomas provocados pela própria ansiedade, que são confundidos com inúmeras doenças, mas nunca nenhuma em especial se encaixa, porque geralmente os sintomas são generalizados. Esse estado nos faz prestar atenção nos próprios batimentos cardíacos, na forma como andamos, na nossa respiração, na visão e em toda percepção dos sentidos, incluindo a deglutição. Essa percepção aguçada faz com que achemos estranho sentir tudo isso, porque, até então, tudo isso nos passa despercebido, estamos no modo automático diariamente, não ficamos fiscalizando nosso corpo, por isso, o cérebro nos avisa quando existe algo errado. Mas o cérebro, nesse momento, está concentrado, usando cabresto, produzindo sensações das mais diversas, efeitos colaterais de cargas de estresse e nervoso, e a cisma aumenta. 
Quem nunca viu o sintoma de uma doença e achou que tinha? Já tive tantas. Nas reportagens, nos livros de Ciências, na televisão. Quando eu estava na segunda série meu maior medo era ter vermes, em especial, tênia. A foto no livro era assustadora, ela parecia ter um olho, vocês já viram?
O que um ansioso precisa é: RELAXAR. Mas dá? Quando alguém nos diz isso parece algo completamente inalcançável. Pensamos: "Essa pessoa não sabe o que está falando, empatia é luxo". Pode até não saber, mas que a solução é essa, teoricamente, isso é.
Como desligar? Como? Quando estou no estágio máximo de ansiedade, prestes a entrar em colapso, ter uma crise, eu não consigo me concentrar em nada além do meu problema no momento. Nada, nem na comida que eu gosto, nem nas coisas que mais gosto de fazer. E isso é muito difícil de driblar, é uma barreira quase que intransponível, não é um botão. As pessoas precisam estar conscientes disso: NÃO É UM BOTÃO. Ninguém toma inibidor seletivo de recaptação de serotonina por livre e espontânea vontade. 

Então fica nisso: nós temos que relaxar, mas o caminho definitivamente NÃO É alguém vir dizer: VOCÊ PRECISA RELAXAR. Porque esse caminho, amigos, esse caminho piora tudo. Além da pessoa demonstrar que não compreende MESMO o que você está passando, você se sente mais sozinho, mais incompreendido, mais ansioso e ainda por cima fica com vontade de dar na cara dela com uma chinela de madeira.

Esse estado de alerta é tão difícil de sair, que vira e mexe me pego hiperventilando, com falta de ar, por ficar consciente da minha respiração. E eu estou em tratamento, eu estou ciente do meu estado e tenho pessoas que me ajudam. E quem está sozinho? Eu não consigo fazer os exercícios de respiração. Eu sou tão ansiosa que no 3 eu já não aguento mais fazer. Não é simples. Não tem uma fórmula. Não é clicar em uma reportagem da Galileu sobre "como ansiedade é ruim, veja essas dicas" que vai te fazer melhorar. "Durma melhor, seja saudável, faça o que gosta, respire devagar". São muitos imperativos e pouca ajuda efetiva. A quem deseja ajudar: imperativos são ineficientes. "Você precisa, você deve, relaxe, fique calmo(a), durma, coma, sente, pense, faça, seja...". 

A melhor coisa a fazer com um ansioso é TER PACIÊNCIA e OUVIR. E, caso você seja o ansioso da vez, eu indico autoconhecimento. Estude a si mesmo. Procure se entender, entender seu corpo, isso ajuda muito a te dar aquela ocasional tranquilidade. 

"Chás ajudam" chá ajuda quem quer ser ajudado. Chá ajuda quem acredita que o chá ajuda. Chá, sozinho, não ajuda ninguém.

Então, menos palpite aí.

Até!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Sobre os sintomas da ansiedade


Olá, classe.

Hoje eu tô aqui para falar novamente sobre os sintomas que eu tenho quando estou em crise de ansiedade (porque ansiosa eu estou o tempo inteiro). Eu já falei sobre esse assunto aqui mais de uma vez, mas queria falar novamente, porque sempre é bom mostrar para que as pessoas se identifiquem.

Falta de ar: Esse é meu primeiro sintoma, eu tenho muita falta de ar, começo hiperventilar, respirar curto ou fazer muita força para respirar fundo. Parece que meus pulmões estão entrando em colapso. Geralmente, quando o médico mede o oxigênio, está bom e o pulmão não tem chiado. Isso é um sinal que a falta de ar é consequência da ansiedade.

Suor: Suor, frio de preferência. Acompanhado daquela quentura que vai dos pés à cabeça.

Tremor: Mãos e pernas tremendo, pernas desobedecendo, sensação de fraqueza.

Pontadas: Pontadas e alfinetadas em várias partes do corpo. Pernas, braços, barriga. 

Tontura: Sensação de estar flutuando, como se tivesse pisando em nuvens.

Visão turva: Sensação de que não estou enxergando, como se tivesse algo embaçando minha visão.

Coração acelerado: A milhão mesmo, como se fosse sair da boca.

Formigamento: Nos braços, nas mãos e pernas. Às vezes no rosto.

Dor na barriga: Como uma cólica, junto com um enjoo.

Falta de fome: Quando estou ansiosa não consigo comer nada. Posso ficar assim por dias. Antigamente, quando era bem mais magra, virava um palito.

Insônia: Dormir? Impossível. Quando durmo, tenho pesadelos ou paralisia do sono.

Moscas volantes: Aqueles pontinhos pretos na visão, sabe? Em períodos de mais ansiedade, eles são mais aparentes. Ah, estão em um olho só, sabe-se lá por quê.

Tremor nas pálpebras: Espasmos nos olhos. Às vezes só em um, às vezes nos dois. Às vezes até no nariz e na boca. 

Sensação de estar sumindo: Como se um buraco estivesse aberto e você estivesse entrando nele, tudo ficando escuro e você estivesse sumindo.

Tristeza e vontade de chorar sem motivo aparente: Tudo está ok. Mas eu choro muito, sem necessariamente precisar de algo concreto.

Essas são algumas coisas principais que consigo lembrar. E você, quais são os seus sintomas? 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Mais ansiedade

Olá, terráqueos!



Quem disse que um ansioso tem descanso mental? Descanso mental é algo inexistente na vida de um ansioso. Se o ansioso resolve um problema, com certeza ele já está 100% focado em outro(s). 
Estava pensando em fazer um balanço de 2016, mas a minha ansiedade é praticamente a mesma, não posso afirmar que evoluí como pessoa e que minha ansiedade melhorou porque estaria mentindo. O medicamento me mantém controlada em relação a algumas coisas e TOCs (alguns, outros ainda estão muito presentes, não tão amenos), mas a ansiedade é implacável.
Esse ano achei que tinha: câncer no cólo do útero, no sangue, na cabeça e na boca. AVC várias vezes, até AIDS sem ter a mais remota possibilidade. Mas pesquisei menos, surtei menos, tive surtos isolados e que não duraram meses como no ano passado. 
Meu transtorno obsessivo compulsivo com limpeza aumentou em algumas coisas e estabilizou em outras. Meu álcool gel continua surpreendentemente acabando rápido, risos. E eu compro daqueles grandes, de meio litro.
Eu me vi mais arrasada em relação aos acontecimentos do mundo que não me afetam diretamente. Chorei com notícias diversas, fiquei chateada de verdade e não só com pena ou compaixão. 
Chorei dias também porque achei que tinha estragado meu cabelo. Não tinha. 
Mas não derramei uma lágrima sequer com pessoas próximas a mim, nem por briga, por decepção ou raiva, eu me sinto anestesiada, como já tivesse imunidade em relação a isso. Parece até um pouco de frieza, mas as coisas que me comovem estão mais longe de mim do que perto.

A ansiedade da vez é: vou adotar um cachorro. Antes, o dono do apartamento não permitia ter um pet. Agora ele autorizou apenas de porte pequeno. Desde terça-feira, quando ele disse isso, eu mal consigo dormir, já fiz planos, já corri atrás de adoção, mas os lugares estão todos fechados agora no final do ano. Eu estou DOIDA por um cachorro, eu amo cachorros, tenho dois na casa da minha vó, mas são enormes, não teria como criar em apartamento. Parece que a única coisa que me acalma de verdade é ver coisas sobre cães, encontrar cães ou gatos na rua, brincar com eles. Eu estou tão ansiosa, que eu simplesmente não consigo pensar em outra coisa. Já levei puxão de orelha, mas de quê adianta? Quando as pessoas falam que somos muito ansiosas AÍ É QUE A GENTE PIORA.

Resolução para o ano novo: ser menos ansiosa? Jamais, eu já tenho meu 2017 todo planejado na minha cabeça com planos B e C. Quiçá 2018 e 2019. 

Em todo caso, feliz ano novo! Espero que todos consigam ao menos se encontrar, conviver com os problemas psicológicos e viver da melhor forma possível.

E lembrem-se: qualquer que seja o sintoma NÃO JOGUE NO GOOGLE, fechado?

Beijos!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A ida ao cardiologista


 Olá terráqueos,

Como boa ansiosa hipocondríaca que sou, decidi marcar cardiologista após ver que uma moça teve uma parada cardíaca durante uma aula de zumba. Eu não faço zumba, mas é sempre melhor prevenir, né? Fui em busca de comentários sobre bons profissionais do meu convênio, que tivessem consultórios próximos ao trabalho ou à minha casa. Encontrei uma profissional com 5 estrelinhas. Dra. Marlene Nakamura, atende na Vila Mariana. A espera foi de quase um mês, para chegar no dia, ter marcado 18h20, dar 18h50 e ainda ter mais 4 pacientes na minha frente, sem contar a conversa longa que ela tinha com cada um. Eu compreendo que idoso se sente melhor conversando mais, que demora mais mesmo, que isso é normal, mas se é assim, por que marca com tanta gente no mesmo horário? Foi pior que SUS! Não questiono as habilidades profissionais da médica, mas esse negócio de horário é um desrespeito, porque se sou eu chegando atrasada, a história é bem diferente, né?
Fica esse caso para refletir. Eu comecei a ficar aceleradíssima pensando em tudo que eu tinha para fazer em casa, meu coração ficou acelerado e eu preferi ir embora. Simplesmente desisti da consulta e saí de lá muito aliviada por não ter que ficar até as 20h esperando para ser atendida e perder todo o tempo que eu tinha para resolver minhas coisas. É freela, é trabalho em casa, é trabalho do curso que estou fazendo, é muita coisa MESMO!


Fica a moral da história: para uma boa saúde cardíaca de um ansioso, nada como não ter que esperar para ser atendido!