quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Tremor nas pálpebras e meus minutos terminais

Olá, terráqueos.



Semana passada tava tudo tranquilo e favorável, mas trabalhei domingo, ando num cansaço desgraçado de quase 2 anos sem férias, correria e eu que não desacelero nunca, nem quando posso (não façam isso em casa) e essa semana bateu o bode e bad.
Desde segunda comecei a sentir tremor na pálpebra inferior do olho esquerdo. O tremor vai e volta, dura segundos e para. Isso começou a me incomodar (como qualquer coisa que acontece no meu corpo que não é minimamente habitual). Coisa de Lua em Capricórnio. Mentira, coisa de ansioso mesmo. Aí, É ÓBVIO que eu fui olhar no Google.

Nos resultados mais prováveis, encontrei "A causa mais importante, e mais comum vista nos consultórios, é o estresse mental, o cansaço, o sono, a ansiedade e o uso excessivo de bebidas com cafeína." No seguinte link: Saúde Ocular e em muitos outros com a mesma ocorrência. Olhos secos também podem ser uma causa.

Quer dizer: tenho olho seco, tenho ansiedade, estou acelerada, estou cansada, tomo cápsulas de cafeína, ando dormido pouco, tenho estado estressada. Tudo deu certinho. Tudo bem, fiquei satisfeita, voltei a trabalhar e viver a vida normalmente ignorando o tremor e seguindo a vida? MAS É ÓBVIO QUE NÃO.

Eu decidi fuçar até o cu da internet. Até descobrir que existem outras causas raras como doenças degenerativas, desmielinizantes, tumores e afins. 

Mas o diagnóstico estava claro: eu tinha um tumor. Óbvio, o que mais seria? As causas óbvias eram muito óbvias, não poderiam ser. 

Desde hoje à tarde, então, concluí: ou é tumor ou é AVC. Pode ser Esclerose Múltipla também. Não se pode descartar uma doença que atinge 18 pessoas a cada 100.000.

Aí, meus amigos, pra ajudar, cliquei naquela notícia da menina que teve trombose cerebral por causa do anticoncepcional. Lógico que não consegui mais me concentrar em nada, já marquei ginecologista amanhã e quero parar de tomar esse veneno. Amarra minhas trompa, coloca uma rolha no meu útero que não quero engravidar, tampouco ter trombose, AVC ou infarto. 

Foi olhar a notícia e tudo começou a formigar. Mas de um lado só né, porque AVC é unilateral. 

Agora cheguei em casa, dei uma melhorada nos sintomas. Não era um tumor. Não era AVC. 

Era minha mente me pregando peças e fazendo eu voltar 10 casas na minha evolução. 


Ansiedade, ansiedade, ansiedade! A gente dá 3 passos para frente e 10 para trás. São dias e dias. Alguns são melhores. Mas já tive piores.


E vocês, como estão?

Lembrem-se da dica preciosa: o que quer que aconteça NÃO PESQUISEM DOENÇAS NO GOOGLE.

Até!

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Surtos, repercussão e agradecimentos

Olá, terráqueos. 

Faz um tempo que não passo por aqui, então resolvi fazer um resumão do que aconteceu nesses últimos tempos.

Tive dois grandes surtos.

1. Um belo dia, acordei com a boca descascando. Tudo bem, tava aquele frio congelante, é normal a pele ficar ressecada. Mas a minha boca não melhorava, passei bepantol, nívea, fiz esfoliação e: nada. Minha boca ficou machucada como resultado. Aí, eu, GÊNIA que sou, decidi procurar no google "machucado no lábio". Claro que ente os milhares de resultados estava CÂNCER. Eu surtei, achei que estava com câncer, tive uma crise de pânico sozinha em casa. Minha mãe e minha vó vieram até aqui e eu me acalmei um pouco, elas trouxeram sopa de feijão (haha). Só melhorei depois que o dermatologista disse que era uma reação alérgica, agora tô passando remédio e tudo está ok.

Quer dizer, much ado about nothing. Como sempre.

2. Outro belo dia, acordei com um dos olhos vermelho. Passaram os dias, ele continuava vermelho. Eu tenho blefarite e olho seco, já pingo colírio. Que caralho poderia ser? Conjuntivite não era (de acordo com minha pesquisa no Google, porque não doía). Então, eu encontrei uma doença chamada uveíte, que pode ser consequência de alguma doença autoimune como artrite reumatoide, lúpus ou esclerose múltipla. Pronto. Mais surtos. Fui ao pronto socorro dos olhos e fui diagnosticada com: OLHO SECO, mudei de colírio e o olho deixou de ficar vermelho no mesmo dia. PS: O olho seco pode ser uma consequência da ansiedade e um efeito colateral do ansiolítico.

Ou seja: ponto para a ansiedade, DE NOVO!

Às vezes acho que estou vivendo no mundo invertido de "Strange Things".



A ansiedade é o monstro e eu deveria ser a Eleven, mas olha, está difícil. Tenho apanhado desse monstro dia após dia.

Sobre a parte dos agradecimentos, só tenho a agradecer todas as pessoas que me aguentam durante meus surtos como meu namorado, minha mãe e minha vó, o pessoal do trabalho. Todo mundo é tão paciente e incrivelmente fofo comigo e eu me sinto tão amparada, que meus surtos têm reduzido em grande parte por causa dessa ajuda. 

O ponto aonde queria chegar: a repercussão. Uma pessoa (que não vou nomear nem falar sexo, idade etc.) me contactou no Facebook falando que lia meu blog, que ajudava e que se identificava. Passei uma boa hora conversando com a pessoa, que, vejam só: sofre de ansiedade e estava passando pelo que passei com o escitalopram (primeira semana, a pior!). Fico feliz em conseguir ajudar outras pessoas com meu blog e meus relatos, mesmo não estando 100% (ninguém está, não é?). Falar sobre também me ajuda um pouco, parece que tiro um peso das costas.

No mais, andem pela sobra, usem filtro solar e o que quer que aconteça NÃO PESQUISEM DOENÇAS NO GOOGLE.

Beijos!


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Moscas Volantes – O retorno!



Lembram-se delas? Pois bem, elas nunca te esquecem. Pelo menos é o que a oftalmologista disse.

Em uma consulta, questionei a oftalmologista, disse que as "moscas volantes" (pontinhos que flutuam, principalmente quando está muito claro ou em paredes brancas) não iam embora. E, pasmem, ela disse que: ELAS NÃO VÃO, você só vai se acostumar com elas.

Mas, Natália, e a ansiedade? Simples. A ansiedade nos deixa alerta o tempo todo. Nós prestamos atenção na respiração, no piscar dos olhos, nas batidas do coração... e por que não nas moscas volantes?

De acordo com a médica, conforme vamos envelhecendo, o vítreo se desloca, fazendo uma sombra na retina. Isso não é grave, a não ser que comecemos a ver flashes de luz mais intensos, o que pode significar algum dano na retina, mas isso é mais raro. No geral, principalmente quem força muito a vista, trabalha em computador e tem miopia é mais propenso a ter as temidas moscas. Parece que com a idade isso só tende a piorar... bom, o jeito é acostumar (difícil para quem é ansioso!), mas posso dizer, por experiência própria, que elas já não me incomodam tanto.

Pois bem, amigos preocupados e hipocondríacos (como eu) ou seria "cybercondríacos", podem ficar sossegados, as moscas são inofensivas!

Até!

sábado, 14 de maio de 2016

Desespero


Uns dias são piores que outros. Nós sabemos que a nossa mente nos prega peças. Nós estamos conscientes de que aumentamos as coisas, que somos ansiosos. Mas, mesmo assim, como já disse anteriormente: não é suficiente apenas saber que somos ansiosos. Lógico que nós sabemos. Mas mesmo assim continuamos encontrando diversas causas para todas as nossas reações desproporcionais. Uma mancha na pele é uma doença sem cura. Uma tosse é estado terminal. 

"Mas você precisa aprender a se controlar!" dizem.

Ora essa, se todos que sofrem de ansiedade soubessem se controlar, coitada da indústria farmacêutica. Dos psiquiatras. E, nossa, que maravilha seria para nós, os protagonistas dessa história toda. Se fosse simples assim, a autora ansiosa desse blog que vos fala sequer teria pensado em criá-lo. 

Desespero. Você luta contra ele. Você quer pensar em outra coisa. Você quer fugir dos seus pensamentos, mas eles são obsessivos. Eles são compulsivos. E você não consegue se desvencilhar. Você sente uma inexplicável vontade de continuar pensando a mesma coisa, é algo autodestrutivo. Você sabe que isso te faz mal, mas você insiste. Insiste porque todo o seu momento depende disso: agarrar-se a esse desespero até chegar ao limite do seu cansaço, ao clímax da ansiedade. 

Com o tempo e o tratamento certo, isso passa a ser mais raro. No entanto, quando ocorre, é como uma avalanche desavisada. Você fica destruído por dentro, não consegue enxergar, respirar, andar, fazer nada além de dedicar-se a essa obsessão. Pudera. É isso que alimenta a ansiedade. E a ansiedade é o que te alimenta.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A Persistência da Memória





Como bem ilustrou Salvador Dali, nós somos uma mera distração do tempo, um brinquedo das horas. E, quanto mais insistimos em desafiá-lo, mais perdemos tempo. Quando queremos que o tempo passe logo, ele é um conta-gotas. Quando queremos o oposto, sequer há tempo para notar que passou. 

Mas o tempo é um inimigo do ansioso. Porque o ansioso, ao mesmo tempo que não tem paciência nenhuma, quer que tudo seja para ontem, ele quer que o tempo fique estagnado, para que não tenha que lidar com os problemas que podem surgir. Essa contradição faz parte da ansiedade e da depressão. Ao mesmo tempo que não há gosto pela vida, há um medo obsessivo da morte. 

Insistimos nos mesmos pensamentos, nas mesmas coisas que nos atormentam. Pensar, repensar, lembrar e relembrar são coisas feitas incessantemente pelos ansiosos. Pensar essas coisas que pioram nossa situação é como um alimento ao cérebro, ele pede isso e, se não o alimentamos, parece que falta uma parte de tortura diária à qual nos submetemos grande parte da nossa vida. O corpo pede essa tortura, como se esses pensamentos repetidos fossem uma parte essencial do cérebro, que não consegue funcionar se algumas coisas não forem feitas ou pensadas, ainda que sejam prejudiciais.

A ansiedade é uma droga mais forte do que qualquer ansiolítico. O ansiolítico mexe com a serotonina, com os nervos, estômago, com a nossa percepção, é fato. Mas e a ansiedade faz o quê? Tudo isso sem precisar de um único comprimido. E é mais viciante do que qualquer benzodiazepínico. Porque, muito embora nos faça mal, não conseguimos nos desvencilhar.

Estar ansioso é como colocar os dois pés em uma areia movediça e, à medida que está afundando e tenta voltar ao topo, sente um mórbido prazer em se afundar mais e sentir a lama cobrindo os pés, o corpo e, muito em breve, a cabeça.

Por isso, não basta unicamente estar ciente de que se é ansioso. Porque a ansiedade é um vício. Ela nos toma por completo e controla todas as nossas ações. Ela existe e persiste, como o tempo. É algo que achamos que controlamos, mas não poderíamos estar mais enganados, não é mesmo?

Estar ciente é o primeiro passo. O segundo é fazer algo a respeito. Psicólogo? Terapeuta? Psiquiatra? Todos eles? Quem sabe, o que ajudar melhor. O que não pode é ceder ao vício da ansiedade. Parar de tomar o remédio antes de melhorar, ceder à ansiedade e não à voz do Psicólogo, apegar-se a essa substância viciante obsessiva, agarrar-se à areia que cobre seu corpo, em vez de buscar a superfície. 

A ansiedade nos domina não só porque é algo sobre o qual não temos controle. Ela é algo sobre o qual não temos controle porque está dentro de nós e nós nos apegamos a ela, nós necessitamos dela, nós fazemos dela parte essencial, nós damos a atenção que não merece.

Para emergir não é necessário apenas consciência. É necessário consciência em movimento. Eu sei que tenho que subir. Eu sei que tenho que subir e vou fazer algo a respeito: vou subir, mas sem olhar para baixo.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Luz no fim do túnel



Há exatamente um ano, estava em crise. Na emenda do feriado de Tiradentes, há exatamente um ano, eu fui ao hospital 3 vezes. Os sintomas eram os mesmos de sempre. Muita falta de ar, visão turva, tontura, dores nas pernas e articulações, pernas travadas ao andar, pontadas pelo corpo, dormências. Eu praticamente tinha meu diagnóstico pronto. Pelo Google. 
Por trabalhar muito com material de Medicina, acabava por achar que sabia de tudo. Oras, quanta pretensão, achar que posso me autodiagnosticar, enquanto médicos estudam por uma década para poder exercer a profissão. Mas fazia mais sentido meu autodiagnóstico, do que o diagnóstico de todos os médicos em que fui. Há um ano começava a minha saga, que durou mais ou menos seis meses. Tive sorte. Tive sorte porque muitas pessoas estão há anos empacadas, sem conseguirem sair do lugar.
Eu ainda tenho crises. Outro dia mesmo, fiquei com muita falta de ar no meio da noite, acordei porque tive um pesadelo e fiquei extremamente ansiosa. Às vezes, no meio do dia, sinto braços ou pernas dormentes, já penso o pior, tento me acalmar até que tudo volte ao normal. É mais simples quando se está medicado com a dose máxima de duas drogas psicotrópicas. 
Demora um pouco até assumirmos que precisamos de ajuda psiquiátrica, o importante é não ter resistência, o importante é permitir a cura. Sua mente controla seu corpo, portanto você deve controlá-la. Parece simples. Mas não é. Não é nem um pouco simples. Mas o começo precisa existir. O primeiro passo é o mais importante de todos, mas igualmente importante são os próximos, tantos passos. A caminhada é muito longa e não se pode desistir logo de início. 

O remédio tem me causado delírios. Antes de dormir, ainda acordada, falo coisas sem sentido que não me lembro no dia seguinte. Se isso me dá medo? Muito. Mas tenho que lidar com os possíveis efeitos. Nenhum medicamento é isento de efeitos e cada pessoa reage de uma forma. Eu prefiro lidar com esses efeitos a lidar com o terror de um ano atrás. Um túnel escuro, mas dessa vez sem luz, como naqueles sonhos em que estamos de olhos fechados e não conseguimos enxergar ao nosso redor.
A sensação, por vezes, é como morrer internamente. Um vazio que não é preenchido com nada. Nem mesmo as coisas que você mais gosta. É um lugar onde muitos estão sem conseguir sair. É um lugar do qual estou saindo aos poucos, às vezes escorrego e dou um passo para trás, mas tento sempre seguir em frente. Sei que basta uma queda para que eu perca muito da minha evolução. No entanto, meu repúdio e meu medo de voltar ao que era são tão grandes, que eu luto com todas as minhas forças para me manter de pé. 

Não sinto que estou perto da luz, mas eu a vejo. Já consigo respirar. Quando fecho os olhos e volto para 21 de abril de 2015, sinto sufocar, como se uma sacola plástica estivesse colocada em minha cabeça, como se estivesse mergulhada em um lago coberto por gelo e eu não conseguisse voltar à superfície.





segunda-feira, 28 de março de 2016

Ansiedade, ansiedade, ansiedade...


Aqui estou mais um dia, sob o olhar sanguinário do vigia...

Essa noite acordei sufocada. Com muita falta de ar, achei que iria morrer. "Não tô conseguindo respirar", pensei comigo. E fiquei virando de um lado a outro da cama. Comecei a pensar em outras coisas aleatórias, minha respiração foi se acalmando e aos poucos eu consegui voltar a dormir. Ansiedade. Tenho uma coleção de "chapas" do pulmão aqui. Dá para fazer barulho de trovão em peça nos próximos 200 anos. 

Aí vêm as perguntas de pessoas que, obviamente, não veem a ansiedade como um transtorno.

"Mas, Natália, existe algum motivo específico que gere tanta ansiedade?"

Se existisse um motivo e todo mundo descobrisse, para quê psiquiatria? A verdade é que não tem um motivo sólido, às vezes algum motivo piora as crises, mas no geral, são pequenos motivos juntos e às vezes não tem nada que esteja incomodando a gente genuinamente.

"Mas, se não tem motivo, é só você se distrair que passa!"

Não necessariamente. O x da questão é exatamente esse. Não é simples pensar em outras coisas, distrair, desligar. Às vezes os sintomas chegam sem que estejamos em momentos de tensão, somos pegos de surpresa, como no meio da noite. Como já estou bem treinada, eu às vezes consigo me controlar – mas também estou medicada com a dose máxima de escitalopram e buspirona, o que francamente ajuda.

"Mas você já tomou chá de Camomila?"

Nem vou responder.

"Mas você já tentou calmante natural?"

...

É por causa dessa banalização dos transtornos psiquiátricos, que são tratados como momentâneos ou como "frescura" que as pessoas que sofrem de ansiedade acabam piorando, mergulhadas em dúvidas como "Mas se é tão simples, por que não consigo sair desse lugar?". 

Primeiro: Não é simples. A primeira consciência é essa. O que em partes me tranquiliza, como hipocondríaca diagnosticada e portadora de TOC, pelo menos não tenho nenhuma doença física terminal. Mas que em partes me aflige, porque eu fico sem saber quando esse pesadelo termina. Tem dias que não sinto nada. Tem dias que desde cedo aparecem as pontadas no corpo, falta de ar, visão turva. "Não estou enxergando hoje" penso. E a nossa mente é tão traiçoeira, que, mesmo enxergando, estando consciente de que estou vendo, eu continuo achando que não estou enxergando.

Compreendem? 

Não é uma neura. É um pensamento fixo obsessivo que simplesmente não vai embora.

Ter ansiedade é como perder as forças para as coisas, estar no fundo de um poço escuro cuja escada aparece e desaparece sem que você tenha chance de subir. Como se seu corpo estivesse preso sem que você consiga se mexer. Assim como acontece na paralisia do sono. Você grita, a voz não sai, você tenta correr, as pernas não andam. Você fecha os olhos desejando que seja um sonho. 

Mas tem horas que não é.